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Márcia Regina Oliveira de Sousa, CPF nº 466.986.122-00, sofreu um AVC em 2019. Desde então sobrevive em  estado vegetativo em uma casa na Cidade Nova, município de Ananindeua(PA), em condições desumanas. Deveria receber regularmente visita médica. Mas passa até seis meses sem qualquer atendimento. No ano passado, como estava em situação gravíssima, ficou um dia na UPA do Icuí, em 24 de junho. De lá, passou quinze dias no Hospital Santa Maria, à espera de leito no Estado. Não conseguiu. Mandaram para morrer em casa. Depois a família a levou para a UPA da Cidade Nova, onde ficou de 26 de agosto a 13 de setembro, com o Sisreg da Cidade Nova, nº 382.473.620. Em seguida foi para a UPA do Ucuí, mesma história, Sisreg nº 4199597: disseram que não havia leito disponível e foi despachada para casa, sem medicação nem qualquer assistência. Como se sabe, Ananindeua, o segundo maior colégio eleitoral do Pará e cidade contígua à capital, não dispõe de hospital público, tem três, todos particulares, cujos donos são políticos.

Depois de seis meses de muito sofrimento, no mês passado Márcia foi levada ao Hospital de Clínicas de Ananindeua, enfermaria J, leito 7, onde a falta de cuidados e de tratamento adequado se repetiu. Escoam os quinze dias com os recursos do SUS, sem nada além do soro fisiológico e mandam morrer em casa. Agora, deram alta, mesmo a paciente sem a menor condição de dignidade humana. Sequer trataram as escaras da pobre mulher (feridas que aparecem na pele de pessoas que permanecem muito tempo na mesma posição, acamadas).

O hospital não tem assistente social, nem Ouvidoria. Quem resolve tudo é o enfermeiro, mas ele disse que não tem como ajudar. Não há ambulância nem para mandá-la embora, informou o hospital, da família Sefer, à companheira da paciente, Maria Natalina Moreira Medeiros. Só se pagar. E custa caro. O porteiro do HC tem uma ambulância e cobra R$300 para transportar a paciente, e isso após o horário de expediente dele, mas ela não tem dinheiro nem para se alimentar. A Secretaria de Saúde de Ananindeua foi procurada pela companheira da paciente mas alegou que só tem uma ambulância e está quebrada. Natalina pediu socorro ao 192 mas ouviu que o serviço não vai buscar dentro do hospital, só se a pessoa estivesse na rua. Mas nem isso ela pode fazer, já que não se aguenta de pé. Uma ambulância da UPA foi levar uma pessoa para transfusão de sangue, Natalina suplicou uma carona, mas foi lhe dito que não é possível, só se ela estivesse autorizada a ir para a UPA. A pobre mulher está abandonada dentro do hospital, sentindo fome e dores terríveis, esquelética. Não forneceram alimentação e nem remédios desde ontem e só porque ela estava gritando de dor deram uma dipirona. 

Desde 2019 algumas poucas pessoas, sensibilizadas, doam remédios, cestas básicas, lutam por internações, ambulâncias, participam de coletas. Mas agora ninguém consegue ajudar. A Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Ananindeua foi acionada por uma jornalista que conhece a paciente, mas nada adiantou. A pessoa está morrendo e dizem que nada há a fazer.  Paciente e companheira passam fome, não tomaram todas as vacinas contra Covid, porque a acompanhante não pode abandonar Márcia, cuja alimentação custa de R$60 a R$100 a lata (é alimentação parenteral, que após dissolvida é aplicada via sonda). O fornecimento de água da casa delas foi cortado, por falta de pagamento, sem falar de outros itens de extrema necessidade.

Se conseguir o atendimento médico e humanitário de que tanto necessita, Márcia poderá completar 48 anos no próximo dia 14. Ou não. Será que o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado, a Defensoria Pública, o Governo do Pará, através da Secretaria de Estado de Saúde Pública, e a Prefeitura de Ananindeua, via Sesma, podem agir antes dessa morte anunciada, ante o total desrespeito aos direitos humanos?

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