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Até tu, Messi?

Para espanto do mundo, Lionel Messi não renovou seu contrato com o Barcelona. O melhor jogador de futebol de todos os tempos desembarcou em Paris, para reviver, ao lado de Neymar, a dupla infernal responsável pela conquista da taça “Orelhuda”, na 60ª edição da Liga dos Campeões. Independente do futuro dele no Paris Saint-Germain, deixará na Catalunha uma história de sucesso, títulos e respeito. Segundo o Presidente do Barcelona, Joan Laporta, o argentino desejava permanecer no time; circunstâncias envolvendo o fair play financeiro, imposto pela FIFA, impediram – “há controvérsias!”, Pedro Pedreira, da Escolinha do Professor Raimundo, grita nalguma parte do tempo. 

Confesso: não consigo enxergar o Messi com outras cores, que não o azul e o grená. Para mim, ele se aposentaria no Barcelona, ganharia uma estátua na frente do Camp Nou, um cargo de confiança no clube, depois se arriscaria como técnico do Barcelona B, e ascenderia rapidamente ao A.

Ao traçar essa linha de acontecimentos, esqueci-me de “fazer um PIX” para subornar o destino; segundo os gregos, a Ananké é uma divindade com vontades inexoráveis. Messi e Barcelona estão aí para provar que tudo acaba, até o que é bom. Costumamos não nos preparar para o fim de algo que nos faz bem. Eis a indústria do cinema para confirmar: quando um filme faz sucesso, vira franquia, seriado em streaming, e brinquedos da Matel. Empresários esticam as sequências ao ponto de um dia restar pouca lembrança da satisfação inicial. Tudo pelo dinheiro, tudo pela extensão do prazer.

O anseio de sobrevida ao que gostamos está presente no sexo, no amor, num happy hour, numa roda de conversa entre amigos, naquele último gole de cerveja etc. Para justificar a continuidade às vezes forçada de algo bom, refugiamo-nos em frases como “ainda é cedo”, “a noite é uma criança”, “só mais um dedo de prosa”, “é a saideira, prometo”. E vamos ficando…

Nesse “vamos ficando”, muitos casais vivem debaixo do mesmo teto como dois estranhos; inúmeros profissionais se resignam a uma carreira estanque e enterram velhos sonhos; diversos artistas se permitem a descrença no sistema cultural; o povo se acostuma aos seus ditadores de estimação; mentes notáveis se apequenam diante da complacência com o negacionismo, o terraplanismo e o revisionismo; inúmeros pássaros vão criando intimidade com os quintais nos quais pousam para mariscar, e zás, quando se dão conta estão no interior duma gaiola, com um poleiro e forro de jornais para cloacaria.

É um sinal de sabedoria entender o limite da felicidade; melhor, entender o que é felicidade; trata-se dum conceito. Você já parou para se questionar o que é a felicidade? Poderíamos discorrer sobre uma infinidade de preceituações sociológicas, antropológicas, filosóficas, teológicas, e todas as “lógicas” presentes em nosso senso de que a epistemologia nos ajuda a dominar os fenômenos humanos – na realidade, somente nos aponta as ondas do mar e desafia: contemple ou cavalgue. Insistimos em confiar em nossas esporas. Longe de mim a pretensão de colonizar sua noção de felicidade. Você tem alguma? Tenha-a, basta. Vou compartilhar a minha; se não for do seu agrado, ignore. Para mim, felicidade é um brilho de vagalume, seguido doutras reluzências de novos vagalumes, na noite escura da vida. Sabemos que se apagarão, mas olhamos aquelas “constelações vivas” na floresta e…, vai me dizer que não é bonito para caramba?! É sim. Fico fascinado. Um dia acaba; podemos conviver com essa certeza sem perder a poesia do momento.

Acabou para Messi e Barcelona. Acaba para o sorvete ao chegarmos à casquinha; acaba para aquela música de 4m23s; acaba para a viagem de férias; acaba para o finzinho de tarde; acaba para aquele amor que se tornara um estorvo; acaba para um livro bom; acaba para a estada daquela pessoa na sua cama; acaba para aquela burrice de acreditar que ele/ela mudaria; acaba para toda longa espera; acaba com discrição, escândalo, sutileza ou truculência, de forma amigável ou com ódio eterno, mas acaba. Dou um conselho: no fim, faz bem ao coração olhar para o começo, para que as rupturas do adeus não roubem o significado de uma jornada.

O povo catalão lembrará sempre dos dribles de Messi, de sua forma de correr com a bola colada aos pés, dos gols inacreditáveis, dos chutaços com a perna esquerda, daquela “entortada” no zagueiro Jérôme Boateng, dos coelhos tirados da cartola quando a derrota era certa. 

A questão não é se algo bom vai acabar ou não, e sim, se somos capazes de compreender que é melhor acabar em paz, com alto-astral, e por cima.

Messi é a segurança de que existe vida após a vida; de que contextos bons se exaurem para outros desafios ocuparem o lugar. É preciso não ter medo de encarar a mudança quando a imobilidade for nociva. Águia para voar se lança do penhasco, viu!

   No primeiro dia de trabalho do Messi no seu novo clube, constatamos que o mundo permanece em órbita. Ele, os catalães, o futebol e a magia da bola seguirão no prumo. Todos serão obrigados a reprogramar a mente (usemos este termo da moda – argh!) para aceitar o argentino com novas cores.

Convido-o a uma autoanálise: seu mundo não anda meio desbotado? Ao invés de revigorar velhas matizes, que tal, como Messi, experimentar um colorido diferente, uma dança com as cores.

Pois debaixo do sol, tudo acaba; até o sol morrerá daqui a 1 trilhão de anos. Acabe bem o que tiver que acabar, para mim e para você. Falando em coisas que acabam, esta crônica também acabou.   

*O artigo acima é de total responsabilidade do autor.

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