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A QUEM HONRA, HONRA

As famílias de imigrantes norte-americanos que foram homenageados através de seus descendentes são dignas de tributo? Em antecipação à pergunta, responderei positivamente e justificarei a razão de minha resposta.

Pensemos em uma pessoa que imigrou para Santarém, no Pará, tenha realizado muitas benesses em favor da cidade e tenha falecido e deixando descendência. Tempos depois, seus descendentes foram indicados para receber homenagem em memória de suas contribuições. Mas, digamos que, perto do dia da homenagem, um grupo de pessoas descobrisse por meio de documentos confiáveis que o antigo imigrante havia cometido terríveis atos no passado que atentaram contra a vida e a dignidade humana. Qual seria a atitude? O silêncio ou o protesto? Certamente, o protesto, para evitar esta homenagem, apesar das contribuições. Porque, neste caso, o que estava em jogo não eram as suas contribuições, mas o seu passado indigno que o acompanhava.

Pois bem, este exemplo não se aplica aos imigrantes norte-americanos homenageados. Por isso, muitos descendentes de norte-americanos, que são brasileiros e vivem em Santarém ficaram chocados com as reações contra os tributos às suas famílias, porque a presença de seus antepassados sempre foi benéfica para cidade e região e não há nada de indigno no seu passado de seus ancestrais remotos, que justifique não haver homenagem. Embora, as manifestações não questionam as contribuições dos imigrantes, pois são indiscutíveis, elas colocaram em xeque a dignidade desses imigrantes e também de seus descendentes, a partir de generalizações sem base histórica documental.

Tais manifestações mostram que a imigração para o Brasil é vista como um movimento opressor, o que demonstra uma visão equivocada, que não considera a trajetória imigrante e nem a história da imigração. Por isso, cabe informar que quando os imigrantes norte-americanos se estabeleceram em Santarém, muitas crianças vieram, e depois outras mais nasceram, cresceram e, assim como seus pais, também se estabeleceram na mesma cidade. E, vale à pena ressaltar que, no passado os imigrantes já foram homenageados pelo poder público municipal, considerando as suas trajetórias de vida conhecidas e contribuições para Santarém e região, pois as suas vidas criaram raízes aqui, onde casaram e constituíram suas respectivas famílias. Inclusive, muitos se naturalizaram brasileiros. Ou seja, mais do que os pais, foram os filhos que mais contribuíram e é sobre estes que estamos falando. Nesse sentido, quero citar alguns desses imigrantes: Guilherme Wallace, Herbert Ashley Riker, David Bowman Riker e Edwin Henington.

Os pais de Guilherme eram jovens quando chegaram a Santarém, em 1868. Guilherme nasceu em Santarém em 1871 e casou-se em 1894, aos 23 anos de idade, com Anna Paula Duarte Maduro, de 17 anos. Em Santarém, Guilherme foi um comerciante, sua loja se localizava onde se encontrava a sede do Centro de Recreativo. Ele também foi capitão da Guarda Nacional, ajudou na fundação da Primeira Igreja Batista de Santarém, após sua conversão à fé batista e morreu em 1917.

Herbert Ashley Riker, de uma família americana de origem alemã e judaica, tinha 13 anos de idade quando chegou com seus pais e se estabeleceram em Santarém, em 1867. Em 1884, ele casou-se com Ana Souza, de uma família de origem modesta, que vivia em Igarapé da Praia, tendo vários filhos, um dos quais era meu bisavô, Sérgio Adriano Riker, agricultor. Herbert era luterano e afirmava a doutrina cristã ortodoxa de que todos são iguais e criados por Deus. Em 1913, ele foi condecorado com o grau de Mestre Maçom pela Loja Fraternidade e Progresso n.2. de Santarém. Em outras palavras, ele era um defensor dos ideais de uma das instituições fraternas mais conhecidas do mundo, depois da igreja. Em Santarém, ele recebeu o título de Major da Guarda Nacional e por diversas ocasiões, ele foi eleito vogal da Câmara Municipal de Santarém, a qual chegou a presidir, fazendo parte da primeira administração republicana. Além de político e maçom, ele foi pecuarista, sendo pioneiro na criação de búfalos africanos, que trouxe via Nova York, para sua fazenda no Maicá em Santarém, onde tinha uma serraria e onde muitos Rikers e seus descendentes vivem até hoje. Também tinha comércio, no centro de Santarém, onde atualmente é um prédio histórico. Ele morreu em Santarém em 1939.

David Bowman Riker, irmão de Herbert, tinha 6 anos de idade, quando chegou a Santarém e se tornou agricultor e pioneiro na plantação racional da seringueira no interior da Amazônia. Em 1886, casou-se com Carolina Rodrigues Collares, de uma família com uma história na educação, no judiciário e na política em Santarém e a filha deste casamento, Antônia Davina Riker, casou-se com meu bisavô Sérgio Adriano Riker. O primeiro casamento não durou muito, então David, casou-se novamente, agora com Maria Theolinda Lopes, em 1891, e deste casamento nasceram duas filhas, que foram proprietárias de um solar em Santarém, erroneamente chamado Solar dos Confederados, que pertenceu ao meu ancestral José Bertino Rodrigues Collares. Após ficar viúvo, David se casou com Raymunda Ferreira em 1901 e teve doze filhos, dentre eles, Mayflower Riker, que se casou com Irapuan Teles de Menezes, e teve vários filhos, entre eles, Delano Riker Teles de Menezes, uma figura política conhecida, que faleceu quando era vice-prefeito de Santarém. David foi diácono da Primeira Igreja Batista de Santarém e uma de suas principais contribuições, em minha opinião, foi a de guiar seus filhos na fé evangélica, inclusive um de seus filhos, Fulton, se tornou pastor e outro, Joe Riker, foi representante do Ministério Gideônico para a América Latina e Caribe (The Gideons International) e vários de seus netos são ministros evangélicos, tanto dentro quanto fora do país. Quando ele comemorou suas bodas de “ouro” com Raymunda, a Câmara Municipal prestou significativas homenagens ao casal e aprovou um projeto de lei concedendo o título de cidadão santareno, em reconhecimento a sua dignidade e serviços. David morreu em 1954, aos 94 anos de idade.

Edwin Henington, tinha 10 anos de idade, quando chegou em Santarém com sua família, em 1868. Assim como David, ele foi agricultor e se casou com Estefânia Bentes, uma conhecida família Santarena, em 1885. Um irmão de Edwin, chamado Thomaz, foi casado com Margarida, filha do casal Villa Lobos, da cidade de Óbidos. Edwin e Estefânia tiveram três filhos e duas filhas se casaram em Santarém e deixaram uma numerosa descendência. Eula Henington, filha do casal, casou-se com Vicente Malheiros da Silva, nascido em Vila do Aritapera, cuja trajetória em Santarém é louvável. A filha deste casal casou-se com Wilson Dias da Fonseca. Edwin morreu em 1901.

Poderia continuar citando outros cidadãos de famílias respeitosas, em Santarém, como os filhos de imigrantes das famílias Jennings, Vaughan (Waughan), Pitts etc., que aqui cresceram, constituíram suas respectivas famílias, deixaram numerosos descendentes e muito contribuíram com a cidade e região, mas como ressaltei desde início, o que está em jogo, não são apenas as suas contribuições, mas principalmente a dignidade humana destes imigrantes mencionados. Por isso, algumas perguntas ficam a serem respondidas: quais são as justificativas concretas e racionais para que suas respectivas contribuições não recebam as devidas honras? Quais indignidades podem ser apontadas justificando uma não homenagem?

Finalmente, tanto pelo conhecido histórico quanto pelos marcos e impressões deixadas, pelos imigrantes e seus descendentes, não resta dúvidas, que estes não eram supremacistas brancos e jamais se intitularam heróis do povo. Eles eram imigrantes que amaram, abraçaram, investiram, se estabeleceram e trabalharam nesta terra, a qual adotaram como sua. Portanto, qualquer tentativa de relacionar suas trajetórias de vida aos eventos pré e pós-Guerra Civil nos Estados Unidos, é fruto de um desconhecimento de alguns ou de desonestidade intelectual de outros.

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