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Saíde Santarém em 1971, para estudar e trabalhar em Belém.

O tempo passou e eu fui ficando.

Amo minha terra natal, mas, por um motivo ou outro, cheguei a passar catorze anos sem ir por lá.

Hoje, tenho ido uma vez por ano, mas ao caminhar pelas ruas da minha juventude, onde joguei peladas com bola de sernambi, empinei papagaios e nas noites de lua fazia seresta com o meu saxofone, vou sentindo uma sensação meio inexplicável.

Não é saudosismo barato, é uma constatação que eu não gostaria de fazer.

Ao andar pelas ruas da cidade que um dia foi minha, vejo que já sou uma peça de museu.

Tudo aquilo que um dia para mim representou a terra natal está sumindo vertiginosamente e eu fiquei com minhas saudades, com a minha bagagem guardada no antiquário do meu ser.

A minha cidade ficou perdida na inexorável cadência do tempo.

Escapou-se por entre os dedos do coração.

Se é assim que tem que ser, então, seja.

A lei do universo é a da evolução.

A vida é como o Tapajós, que passa pela cidade, vai seguindo o seu caminho, mas sempre está ali: passado, presente e futuro.

José Wilson Malheiros
Magistrado do Trabalho Aposentado, Advogado, Músico, Poeta, Compositor, Instrumentista, Professor, Jornalista, Diácono e Escritor.

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