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Na frente da minha casa, em Santarém, havia um vizinho, seu Naves.
Ele tinha um abiuzeiro e uma ginjeira no quintal da casa.
Ficava furioso quando os moleques pulavam a cerca para “roubar” os frutos.
Mas, como ele era dono e comandante do barco-motor Santa Maria que viajava pelo baixo Amazonas, quando estava ausente os molecotes faziam a farra no quintal….
Certa vez ele fretou o Santa Maria para levar turistas.
Iam conhecer a região.
Usavam a mímica para se comunicarem.
Um dos turistas pede um favor.
Seu Naves, sempre solicito, providenciou.
Aí o gringo agradeceu:

  • Thank you, very much!

O meu vizinho fez o maior escândalo.
Reuniu os tripulantes e aos gritos, exclamou:

  • O gringo quer me matar! Vamos logo encostar ali no Tapará e chamar a policia.

E trancou-se no camarote, até que os policiais chegassem.
E disse:
Senhor delegado. Esses estrangeiros sempre foram bem tratados no meu barco. Não sei o motivo, mas, estão querendo me matar.
Vivem dizendo “tranque o velho e mate” e agora só fico trancado no meu camarote.
O delegado, quem era homem mais ou menos estudado, apesar de estar no cargo indicado por político, desvendou a questão.
O gringo, muito educado, vivia agradecendo:
“Thank you very much”.
E o velho, apavorado, entendia “tranque o velho e mate”.
Depois do episódio, começou a dizer que havia aprendido inglês.
Tentou até mudar o nome do barco para Saint Mary.
Os amigos disseram que esse nome era de padre ou pastor.
Ele desistiu.
Só não deixou de ser o guardião dos abius e ginjas.

José Wilson Malheiros
Magistrado do Trabalho Aposentado, Advogado, Músico, Poeta, Compositor, Instrumentista, Professor, Jornalista, Diácono e Escritor.

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