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Eu estava no inicio da minha atividade diaconal.
Um dos encarregados de me instruir era o Capuchinho italiano frei Ângelo.
Eu agora já fiz dezenas de Exéquias.
Certa vez, com a assistência do sacerdote, fui fazer a encomendação de uma senhora japonesa.
Na Capela uma cerimônia bilíngue.
Eu recitava no vernáculo as orações e nas respostas misturadas com a língua nipônica vinham as respostas, sempre contritas.
E cada vez mais amigos e parentes iam chegando.
Tinha que acontecer justamente naquela ocasião.
O cadáver se mexeu!
Normalmente os japoneses são frios.
Mas, com defunto ninguém brinca.
A Capela ficou vazia.
Choradeira, gritos de espanto (discreto) esvaziaram o ambiente.
O sacerdote, sereno, pegou no meu braço e disse:

  • Tens que manter a calma. Isso acontece às vezes. Braços e pernas podem se mover durante a rigidez cadavérica. Esse processo começa entre uma e duas horas após a morte e acaba em 24 horas. Quando estamos vivos, tanto a contração como o relaxamento dos músculos gastam.

Já calmo com a presença do santo homem de Deus eu fui até lá fora, convoquei o pessoal.
E a encomendação continuou, sagrada como sempre.
O que faria você se estivesse presente?

José Wilson Malheiros
Magistrado do Trabalho Aposentado, Advogado, Músico, Poeta, Compositor, Instrumentista, Professor, Jornalista, Diácono e Escritor.

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