1

Todos os dias mulheres são mortas por seus ex-companheiros, muitas vezes mesmo depois de registrarem BOs na polícia e até de ajuizarem processos judiciais com fundamento na lei Maria da Penha. Isso por falta de providências policiais ou judiciais: liberados pelas autoridades, eles cumprem as ameaças, confiantes na impunidade. Anteontem (9), por volta das 15h, uma jovem mulher pediu ajuda na Delegacia de Vila dos Cabanos, em Barcarena (PA), contra o ex-companheiro, que não aceitou a separação e ameaçou matá-la. Os investigadores acompanharam a vítima até a sua residência e retiraram seus pertences, conforme a solicitação. Pois bem: quando ela retornava à unidade policial para procedimentos, o ex-companheiro, dirigindo um carro, tentou derrubá-la da moto em que estava com seu bebê e disse que a mataria caso fosse à delegacia. Ela prosseguiu e foi perseguida pelo criminoso, preso em flagrante na frente da delegacia quando a agredia. A delegada Maria Alexia atendeu a ocorrência.

Detalhe relevante: o criminoso já tinha antecedentes de injúria, ameaça e descumprimento de medida protetiva, por violência doméstica. E estava livre, leve e solto para praticá-la.

O delegado-geral e Polícia Civil, Walter Resende, enfatiza a importância da vítima quebrar o silêncio e denunciar o agressor. “Certamente a quebra do silêncio é o primeiro passo para a mulher que esteja em situação de violência doméstica. Denunciar o agressor não é apenas um ato de coragem, mas também um ato de justiça que rompe o ciclo de dor e abre caminho para a reconstrução de uma vida livre e segura”.

Casos semelhantes podem ser registrados pelo disque-denúncia, 181, ou presencialmente em qualquer seccional e delegacia de bairro. E se não houver atendimento o fato deve ser denunciado à imprensa. Calar significa morte.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

O morto se mexeu

Anterior

Os sem-noção de cidadania

Próximo

Vocë pode gostar

1 Comentário

  1. Existe a necessidade de uma imediata revisão na Lei Maria da Penha de maneira a fazer frente a esta escalada de crimes contra a mulher.
    As medidas protetivas em vigor, só protegem o infrator.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *