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Há um lamento azul

Na Tapajonia.

O rio é uma imensa lágrima.

Choram areias alvinitentes,

Mercúrios letais

Silenciam tarrafas e anzóis,

Nas águas que intoxicam.

A vida é uma interrogação

Sem resposta.

E tudo vai fenecendo…

As almas dilaceradas,

A vida se afogando

Em lento morticínio.

Na perversidade do veneno,

Tombam árvores,

Gado, aves

É a vontade de viver.

Taparam as bocas das canções,

Amordaçaram os poetas

E te asfixiaram, meu Tapajos,

Como quem enforca um inocente.

José Wilson Malheiros
Magistrado do Trabalho Aposentado, Advogado, Músico, Poeta, Compositor, Instrumentista, Professor, Jornalista, Diácono e Escritor.

“Ó mulheres! Mulheres, quando deixareis vós de ser cegas?”

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