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Uma escova de toucador banhada em prata, com o monograma de Francisco Bolonha, o mesmo que pontifica em vários cômodos do palacete que pertencia ao engenheiro e hoje é a Casa Museu Francisco Bolonha, foi resgatada em leilão pelo historiador Túlio Chaves, que doou ao museu a peça, que era usada para escovar ternos e vestidos e ficará exposta à visitação pública.

“É uma honra entregar este objeto histórico ao Museu Casa Francisco Bolonha, não só por amor à cidade e por sua história belíssima, mas também pela confiança à gestão, pois sei que as pessoas que estão à frente da cidade têm sensibilidade e respeito por nossa história, e irá cuidar deste novo instrumento para estudo, percepção da cidade, da história do nosso povo”, declarou Túlio Chaves.

A Casa Museu foi residência oficial do engenheiro paraense Francisco Bolonha, que idealizou, projetou e executou o Palacete Bolonha, uma das edificações históricas mais lindas de Belém do Pará, joia arquitetônica da cidade. A famosa sala de música, a biblioteca, a sala de costura e o mirante do palacete representam fragmentos da história de Belém. O espaço preserva a memória da arquitetura e da engenharia do início do século XX.

Concebido por Francisco Bolonha em 1905 para presentear sua esposa, a pianista carioca Alice Tem-brink, o Palacete Bolonha foi erguido em estilo art nouveau, com características clássicas do Ciclo da Borracha. Além do casal, residiram lá famílias destacadas da sociedade paraense e, inclusive, foi sede da Prefeitura de Belém. Vários estilos convivem harmonicamente no prédio: pitadas do barroco brasileiro em sua estrutura, como o rococó; e a cobertura à la mansard, com telhas em ardósia colorida, pintadas propositadamente para dar jogo visual à distância, com detalhes de acabamento em ferro para o telhado em mansarda com torreão. Há características góticas nas agulhas do teto, no porão, grades e revestimentos florais na entrada, nas salas de banquete e de jantar e no teto dourado – executado na Europa, com molduras de influência grega. A decoração tem mosaicos de Pompéia, relevos com temática greco-romana, azulejos art nouveau, pisos em vidro.

Durante a Intendência de Antônio Lemos, Francisco Bolonha dirigiu o Departamento de Obras Públicas, Terras e Viação do Estado do Pará, além de ter sido responsável técnico pela construção de alguns dos prédios importantes da época.

“Essa atitude tem uma importância gigantesca, pois a cidade é quem ganha com essa doação. Essa peça histórica passa a compor o acervo maravilhoso deste museu, que é uma das mais representativas construções arquitetônicas do início do século XX”, explica Jamil Mouzinho, presidente da Fundação Cultural de Belém, que administra o Museu.

“Os museus são importantes instrumentos de preservação da memória cultural de um povo, e responsáveis por seu patrimônio material ou imaterial. No início, sua finalidade era apenas de salvaguardar e não de disseminar as informações culturais, hoje são importantes instrumentos de pesquisa e disseminação do conhecimento, portanto receber um objeto que em algum momento fez parte da história efetiva de um patrimônio, como o Museu Francisco Bolonha, enriquece, resgata e nos permite abrir muitas gavetas desse arquivo de lembranças e cada dia mais nos apropriar de nossas histórias amazônicas”, enfatizou a professora doutora em História Rosa Arraes, diretora do Museu.

O Museu Casa Francisco Bolonha está localizado na Av. Gov. José Malcher nº 295, no complexo “Memorial dos Povos”, aberto para visitação de terça a sexta, das 09h às 16h, sem necessidade de agendamento.

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