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A capital parauara entrou em estado de emergência após um domingo marcado por alagamentos em diversas áreas da cidade. Em meio ao impacto da chuva extrema registrada nas últimas 24 horas, a Prefeitura de Belém oficializou o decreto emergencial, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) acionou autoridades para exigir medidas urgentes de proteção à população em situação de rua.

Segundo a prefeitura, o município acumulou mais de 150 milímetros de chuva em menos de um dia. O volume representa quase um terço do esperado para todo o mês de abril, cuja média histórica indicada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de cerca de 465,5 milímetros.

O decreto de emergência acelera procedimentos administrativos, libera recursos, facilita contratações emergenciais e viabiliza pedidos de apoio ao governo estadual e à União.

A chuva intensa coincidiu com a maré alta, fator que agravou o cenário urbano. De acordo com a prefeitura, o nível elevado das águas dificultou o escoamento e ampliou o impacto nos bairros mais vulneráveis.

Entre as áreas atingidas, Terra Firme foi apontada pelo município como a mais afetada. Também houve registros relevantes no Tapanã, Condor, Jurunas, Icoaraci, Parque Verde, Cabanagem, Benguí, Pedreira e Curió-Utinga. Em imagens que circularam ao longo do dia, ruas do Tapanã apareceram completamente tomadas pela água, a ponto de moradores nadarem para conseguirem se deslocar.

Várias pessoas tiveram que abandonar suas casas, destruídas pelas águas. Em um dos vídeos que circulam pelas redes sociais, uma mulher e seu bebê recém-nascido são resgatados pela população, que transformou uma geladeira em uma embarcação improvisada.

Os efeitos do temporal ultrapassaram os limites da capital. Bairros de Ananindeua e Marituba também registraram transtornos, além de municípios do interior do estado, segundo a Defesa Civil estadual.

O cenário é muito grave e até o fechamento desta matéria ainda não havia estimativa oficial sobre número de desalojados ou desabrigados.

Em nota, a Prefeitura de Belém informou que a Defesa Civil coordena um comitê integrado com apoio do Corpo de Bombeiros para resposta emergencial em diferentes áreas da cidade. Segundo o município, as ações incluem reforço na rede de abrigos, atendimento a famílias atingidas, limpeza de canais e bueiros e intervenções imediatas em pontos críticos de alagamento.

Paralelamente, o MPF encaminhou ofícios ao prefeito de Belém, à Fundação Papa João XXIII (Funpapa) e à governadora do Pará cobrando providências específicas para a população em situação de rua, grupo exposto de forma mais severa durante temporais prolongados.

O órgão federal destacou que a combinação entre chuva persistente, umidade elevada e frio noturno agrava riscos à saúde, à integridade física e à dignidade dessas pessoas. Diante disso, requisitou acolhimento provisório enquanto perdurarem as chuvas.

Entre as medidas sugeridas estão a abertura imediata de quadras escolares, ginásios esportivos e outros espaços públicos aptos a funcionar como abrigo temporário, oferecendo condições mínimas de proteção, higiene e segurança.

O Ministério Público também chamou atenção para um problema estrutural anterior à crise climática: a insuficiência de vagas em abrigos públicos na capital. Segundo o órgão, essa carência já é objeto de discussão judicial na Ação Civil Pública nº 1053723-12.2025.4.01.3900, em tramitação na 5ª Vara Federal da Seção Judiciária do Pará, movida contra Município de Belém, Estado do Pará e União.

O despacho emergencial foi assinado no sábado (19), durante plantão institucional, pelo procurador da República Rafael Martins da Silva e pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão no Pará, Sadi Flores Machado. O MPF informou permanecer disponível para atuação conjunta com os órgãos públicos e para monitorar as medidas adotadas.

A previsão meteorológica indica continuidade de chuva forte nas próximas horas, especialmente nas regiões nordeste e sudeste do Pará, áreas sob alerta laranja.

O Inmet orientou que a população evite se abrigar sob árvores devido ao risco de quedas e descargas elétricas, além de não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.

Assistam aos registros de moradores afetados pelos alagamentos:

Videos e foto em destaque: Redes Sociais / Reprodução

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

Marcos Puff é embaixador da WASBE Rio 2026

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