Publicado em: 3 de junho de 2026
As tensões internas no PT estão aumentando exponencialmente conforme avança o ano eleitoral.
A Rede de Trabalho Amazônico (GTA) veiculou nas redes sociais nota de repúdio à postura adotada pela superintendência do Incra no Nordeste do Pará.
Acontece que a coordenação da GTA Marajó esteve em Belém para protocolar reivindicação histórica construída por organizações de pescadores e pescadoras artesanais da região: a criação do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) do Território Pesqueiro de Jubim, localizado no município de Salvaterra, no arquipélago do Marajó, demanda legítima de comunidades que há anos lutam pelo reconhecimento e proteção de seus territórios.
Durante a agenda, o coordenador estadual da Rede GTA Marajó, Nelson Bastos, pescador artesanal, marajoara e liderança reconhecida na defesa dos territórios pesqueiros do arquipélago, foi impedido de participar da reunião com o superintendente regional do Incra, Manoel Raimundo Carvalho Moraes, o Raí Moraes. O episódio causou constrangimento entre os representantes das organizações presentes.
Acontece que Raí Moraes, o superintendente, é vinculadíssimo ao senador Beto Faro. Nelson Bastos, por sua vez, tem sido um crítico do “farismo” no PT do Pará.
Segundo o próprio coordenador, ele foi barrado por conta dessas divergências.
A nota de repúdio é assinada por Sila Apurinã, coordenadora nacional da Rede de Trabalho Amazônico, e lembra que o Incra deve atender a população brasileira sem distinções políticas, partidárias ou ideológicas.
“O espaço público não pode ser tratado como “puxadinho”, para interesses particulares e nem como instrumento de grupos políticos”, enfatiza a nota, afirmando que a Rede atua nos nove estados da Amazônia Legal e desenvolve ações de incidência política em níveis regional, nacional e internacional.
“O episódio se torna ainda mais grave por envolver a coordenação da GTA Marajó, representante de território historicamente marcado pela ausência de políticas públicas e pela necessidade urgente de garantia de direitos para pescadores artesanais, ribeirinhos, quilombolas e demais comunidades tradicionais. Diante dos fatos, a Rede de Trabalho Amazônico exige esclarecimentos da Superintendência Regional do Incra no Nordeste do Pará e reafirma que as instituições públicas devem servir ao interesse coletivo, respeitando a pluralidade de pensamentos e assegurando tratamento digno e igualitário a todos os cidadãos”, salienta o documento.










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