Publicado em: 20 de abril de 2026
Há um ano a arquiteta indígena Yyapotin Yporã, a Carla Bethânia Ferreira da Silva, foi recebida na Universidade da Amazônia como palestrante, compartilhando a força de suas tradições com os mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Conhecimentos para o Desenvolvimento Socioambiental. Agora ela – originária da Comunidade Caju-Una, em Soure, no arquipélago do Marajó – é oficialmente mestranda do PPGC/Unama, com bolsa integral ofertada pelo Grupo Ser Educacional.
O mestrado profissional foca em soluções aplicadas, o que significa que o conhecimento gerado por ela poderá retornar diretamente para as comunidades, promovendo melhorias na infraestrutura em terras indígenas e políticas habitacionais que respeitem a cultura local.
A arquitetura dos os povos indígenas está intrinsecamente ligada à preservação da terra. Ao dominar as ferramentas do mestrado profissional, a arquiteta ganha novos mecanismos para defender o território, unindo o planejamento espacial à proteção dos ecossistemas amazônicos, essenciais para o equilíbrio climático global.
Para Carla, o conhecimento não está apenas nos livros, mas no “fazer arte com as mãos”. Sua obra atual é um manifesto visual da Amazônia viva, em que elementos sagrados ganham forma, como a Samaúma e o Pirarucu, pilares simbólicos que sustentam o imaginário da floresta. Cada rosto esculpido nas árvores representa a diversidade dos povos e a alma da fauna e flora ancestral.
A arte dela retrata o dia a dia dos povos indígenas do Marajó, corpos em movimento de liberdade através do olhar das crianças, como a Cobra Grande, presente como o símbolo máximo da identidade territorial.
A bolsa integral da Unama funciona como uma ferramenta de justiça cognitiva, reparação e democratização do conhecimento – plural e interdisciplinar -, mitigando as dificuldades de acesso financeiro que historicamente excluíram populações tradicionais do ensino privado de elite, garantindo que o talento e a perspectiva única de Yyapotin Yporã contribuam para o desenvolvimento científico da região sem os entraves da vulnerabilidade socioeconômica.
Legenda da Foto:
Carla no momento da entrevista na Unama









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