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Hélio Gueiros no Mutunuy

Até hoje esse restaurante existe.

Como “pieces de resistance” no cardápio “galeto ao primo canto” e os infalíveis tucunarés, tambaquis, jaraquis, tartarugas etc, preparados com esmero e perfeição.

É um local bucólico, distante uns dez minutos do centro da cidade, à beira de um igarapé de águas límpidas e frias.

Degustar os melhores pratos e tomar banho na natureza se tornaram programas à disposição dos felizardos, diuturnamente.

Se o cliente desejasse, os quitutes eram servidos para saborear dentro d’água, mesmo, em bandejas flutuantes.

É o famoso Mutunuy.

Logo na entrada havia uma placa de madeira que avisava com letras enormes:

“É proibida a entrada de mulheres prostitutas desacompanhadas”.

Nunca entendi como era feita essa seleção.

Eu ainda estava em atividade como magistrado da Justiça do Trabalho.

Certa vez eu passei dois meses em Santarém, tirando as férias do titular, dr. Reinaldo Fernandes, de saudosa memória e de gostosas excentricidades.

Minhas audiências começavam oito da manhã. Eu nem tive tempo de dar um beijo na minha mãe. Passei direto do aeroporto para a Vara Trabalhista, que ficava no caminho.

Antes de começar a trabalhar, fui ao banheiro. Quando abri a porta algumas galinhas me pularam no peito. Levei um susto. Então, me confirmaram que ele guardava os galináceos ali para engordar, ainda que na propriedade existisse um vasto quintal cheio de árvores.

Quando abri a gaveta da escrivaninha, bolos de linha de pesca saltaram no meu colo.

Mas, eu gostava tanto do mestre Reinaldo que encarei na esportiva, pois ele era um juiz impecável e um homem respeitabilíssimo na cidade.

Certa vez, o Alacid Nunes era governador do Estado e teria mandado dizer que ia visitar a Vara Trabalhista. Mas a iria num sábado.

Ele não duvidou. Chamou o vigilante que ia ficar de plantão e disse:

– Tá aqui a chave. Se o governador vier, dá a chave pra ele, que eu vou pro interior, ver meu gadinho.

Certa vez, eu ainda estava como advogado na cidade e às nove da noite o Otavio Pereira me bate na porta, dizendo:

– Amanhã cedo tem uma ação contra o São Francisco. Nós pagamos direitinho o jogador, mas não temos recibo nenhum e não sei o que fazer.

Ou seja, meu amigo queria que eu fizesse um milagre.

Na hora da audiência, quando eu disse que não havia recibo nenhum, doutor Reinaldo, que era franciscano roxo, me fuzilou com o olhar, pois era torcedor apaixonado e sabia que o São Francisco ia ser condenado. Quem paga mal, paga duas vezes, diz a sabedoria popular.

Mas, era um juiz imparcial e corretíssimo. Mesmo sumamente aborrecido, não teve outra alternativa.

Condenou o clube e saiu da audiência de cara fechada.

Mas eu comecei a escrever sobre o ex-Governador Hélio Gueiros.

Ele estava fazendo uma visita em nossa cidade e à noite haveria no

Restaurante Mutunuy um jantar para as autoridades e convidados especiais.

Fui convidado.

O jantar estava marcado para as oito da noite. Não sou de me atrasar por qualquer coisa. Entretanto, não me lembro mais o que aconteceu que me atrasei e cheguei no local do banquete às nove horas.

Quando o carro parou no restaurante deu para ouvir muito bem a voz do Governador, reclamando:

– Cadê esse juiz? Ele não aparece? É muita sacanagem. Eu estou aqui desde cedo e só vão começar quando ele chegar.

Eu e ele já nos conhecíamos aqui de Belém e tínhamos um relacionamento cordial, inclusive por que era e sou amigo dos cunhados dele, como Benedito Davi, Manoel, Paulo etc.

Quando eu fui entrando a mesa que ele ocupava já estava cheia de cervejas ele me olhou espantado:

– O que tu vieste fazer aqui?

E eu falei:

– Eu sou o juiz que o senhor estava esperando, Governador.

Como bom paraense, ele sacou:

– Égua, não! És tu? Se eu soubesse que eras tu eu tinha mandado começar o jantar.

– Eu só esperava teu pai, o Isoca. Tu não!

Aí o ambiente ficou descontraído. Todos riram e o jantar começou.

Havia um lugar especial na mesa só para mim.

Ele me arrancou de lá e me colocou ao lado dele e foi logo servida a comida.

Afinal de contas, ele tinha sido promotor na cidade, amigo do meu pai e casou com a Professora Terezinha, filha do seu Moraes e se dizia um mocorongo de coração.

Mais ou menos às onze da noite, eu me despedi e voltei para casa.

Pelo estilo espirituoso do Governador, eu não duvido que ele tenha entrado no igarapé naquela hora da noite.

*O artigo acima é de total responsabilidade do autor.

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