O Procurador-Geral de Justiça César Mattar Jr. inaugurou nesta quinta-feira, 16, o Núcleo Eleitoral do Ministério Público do Estado do Pará, que vai funcionar na sede das Promotorias de Justiça de Icoaraci, distrito de Belém. O coordenador será o promotor…

A desembargadora Maria de Nazaré Saavedra Guimarães, que se destaca pelo belo trabalho que desenvolve à frente da Comissão de Ações Judiciais em Direitos Humanos e Repercussão Social do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, e que já coordenou…

Brega no Pará é coisa séria. Tem Brega Pop, Brega Calypso, Brega Marcante, Brega Saudade, Tecnobrega, Melody, Tecnomelody … Verdadeiro hino (música oficial dos 400 anos de Belém), não há quem desconheça o clássico Ao Por do Sol, eternizado na…

Uma reunião no Ministério Público do Estado do Pará colocou em pauta a situação caótica da Unidade de Conservação Estadual Área de Proteção Ambiental da Ilha do Combu, onde proliferam construções e empreendimentos comerciais irregulares, transporte fluvial desordenado, festas e…

BICOS DE PÃO

Lá em casa, em Santarém, o único filho que nunca teve medo de cachorros sempre fui eu. 

Por isso, era sempre escalado para comprar pão, de manhã cedinho, na Padaria Soberana, do seu Antonico. 

Até que a distância não era assim tão grande. Mais ou menos uns cento e cinquenta metros. 

Mas o problema não estava na lonjura ou proximidade.  

O desafio era passar pela frente da casa do seu Maia Catraieiro, nosso vizinho e seu feroz guardião, o Retinido, um vira-latas cor de café com leite, muito atrevido.  

Ele marcava o território. Ninguém podia invadir os limites que ele traçava. Vinha latindo e mostrando a dentadura afiada. 

Quando papai ou mamãe nos mandavam na padaria, a pirralhada ficava em pânico.  

Para os medrosos, talvez a melhor solução fosse dar a volta pelo quarteirão, subindo o “morro da fortaleza” e descer pela saudosa escadaria. 

Mas na casa do seu Abelardo Gentil, no meio do caminho, existia outro vira-latas baixinho ainda mais estressado, o Mack. 

Então, geralmente, sobrava para mim.  

A Padaria Soberana era um ponto gostoso: vendia pão cacete, pão doce, bolacha cabeça de macaco, torradas etc. 

E como na época não havia um fogão decente para assar bolos de aniversário, lá ia eu levando a forma para ser colocada no forno a lenha. 

Além dos retinidos e macks do caminho, mulher não podia entrar no local onde estava o forno, que os padeiros eram “apresentados e enxeridos” e ficavam fazendo gracinha. 

Então, novamente eu era escalado. 

Na hora do café da manhã a briga era por causa do bico de pão. Nós adorávamos tirar o bico, passar manteiga, mergulhar no café.  

Os bicos faziam as delícias de nosso paladar de meninos. 

Meu pai, tentando acabar com a confusão diária, estabeleceu que cada dia o bico de seria de um filho. Um inusitado “revezamento de bicos”. 

E quem enfrentava os cães e ia todo dia à padaria?  

Eu mesmo, claro. 

Então, no caminho, eu já tirava logo uns dois bicos pra mim e guardava no bolso. 

Descoberta a tramoia, fiquei um bom tempo de castigo sem poder dar uma “bicada”. 

O trajeto de casa para a padaria não era feito apenas de cães. 

Tínhamos uns vizinhos excelentes, peruanos, evangélicos, com quem dividíamos a amizade e os folguedos infantis. 

Porém, eu era um menino “atentado”. 

No caminho para comprar pão, se um deles estava na porta da rua eu gritava: 

– Protestante, que caga na estante! 

Eles ficavam furiosos e retrucavam: 

– Católico Apostólico Romano, que caga uma vez por ano! 

E a amizade continua. Quando, raramente, nos encontramos, hoje em dia, nos saudamos com muito afeto e risadas, afinal de conta, existem momentos que são breves mas são inesquecíveis por toda a vida. 

*O artigo acima é de total responsabilidade do autor.

Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on vk
Share on tumblr
Share on pocket
Share on whatsapp
Share on email
Share on linkedin

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *