0
 

A quarta-feira (1º) reservou fortes emoções na fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026 e confirmou uma das marcas deste Mundial: não há espaço para favoritismo incondicional. Em Atlanta/Georgia, a Inglaterra precisou sofrer para evitar uma eliminação precoce diante da surpreendente República Democrática do Congo. Os africanos abriram o placar logo aos sete minutos, com Cipenga, e sustentaram a vantagem durante boa parte da partida graças a uma atuação segura do sistema defensivo e às intervenções do goleiro Mpasi.

Quando o resultado caminhava para uma das maiores zebras desta Copa do Mundo, a Inglaterra encontrou em Harry Kane o seu protagonista decisivo. O capitão inglês balançou as redes aos 75 e aos 86 minutos, ambas as vezes após passes de Gordon, decretando a virada por 2 a 1 e garantindo a classificação britânica. A eliminação, contudo, não diminui a dimensão da campanha congolesa, que confirmou a evolução do futebol africano no cenário internacional e deixou a impressão de que poderia ter ido ainda mais longe após as atuações consistentes apresentadas ao longo do torneio e do duelo disputado em Atlanta. 

Ao apito final, jogadores e torcedores ingleses permaneceram no estádio e entoaram juntos Wonderwall, clássico da banda Oasis que se transformou em uma espécie de trilha sonora da campanha inglesa neste Mundial. Nas oitavas de final, os britânicos terão pela frente o México, um dos países anfitriões, em um confronto cercado de expectativa no histórico Estádio Azteca.

Em Seattle/ Washington, a Bélgica protagonizou a virada mais dramática da Copa até aqui. Senegal dominou a maior parte do confronto e construiu uma vantagem aparentemente confortável com gols de Diarra, aos 25 minutos, e Ismaïla Sarr, aos 51. Os senegaleses controlavam as ações e estavam classificados até os 86 minutos do segundo tempo, quando o roteiro da partida começou a mudar de maneira improvável.

Primeiro, Lukaku descontou aos 86 minutos. Três minutos depois, Tielemans empatou e levou a decisão para a prorrogação. Quando a disputa em tiros livres diretos da marca do pênalti parecia inevitável, uma revisão do VAR (com participação do brasileiro Rodolpho Toski) levou o árbitro hondurenho Héctor Martínez a marcar uma penalidade extremamente contestada nos instantes finais do tempo extra. Tielemans converteu a cobrança e decretou a vitória belga por 3 a 2.

Já no Levi´s Stadium, na cidade de Santa Clara/Califórnia, o time da casa confirmou o favoritismo diante da Bósnia e avançaram com uma vitória segura por 2 a 0 diante de sua torcida. O primeiro gol foi marcado por Balogun, que seria expulso no segundo tempo, após jogada violenta. Mesmo com um a menos, os Estados Unidos mantiveram a organização defensiva e não sofreram maiores sustos.

A classificação foi sacramentada com um belo gol de falta de Tillman, consolidando o primeiro triunfo dos Estados Unidos em uma fase eliminatória de Copa do Mundo desde 2002. Jogando em casa, os norte-americanos passam a alimentar expectativas de uma campanha histórica, agora diante da própria Bélgica nas oitavas de final.

Os jogos desta quarta-feira também deixaram uma reflexão inevitável: a distância entre as potências tradicionais e as seleções emergentes nunca foi tão pequena. RD Congo e Senegal saíram derrotados, mas jogaram um futebol mais ousado e envolvente do que muitos dos classificados. 

A Copa de 2026 parece indicar uma mudança de eixo no futebol mundial. Será?

Imagem em destaque: caricatura gerada por IA do momento “Wonderwall”



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

Morre Hikaru Kurosaki, o eterno Jaspion

Previous article

Pau D’Arco, o filme que revela o crime do desenvolvimento

Next article

You may also like

Comments