Publicado em: 30 de junho de 2026
O encerramento do fórum Amazon Energy 2026 na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará, nesta quarta-feira (1º), traz a consolidação da Carta de Belém II. O documento pretende unificar propostas para o fortalecimento da segurança energética e atração de investimentos estruturais na região amazônica. Contudo, o evento explicita uma das contradições mais profundas vividas pelo país da COP30: o complexo esforço de conciliar o discurso de preservação florestal com uma agenda fortemente focada na expansão da infraestrutura de combustíveis fósseis e mineração.
O encontro, promovido pela Fiepa Redes, dirigida por Fábio Xerfan, reuniu uma coalizão influente de empresários, pesquisadores, investidores e representantes do setor público. Embora os painéis técnicos tenham incluído debates sobre energias renováveis, transição ecológica e o papel da academia — representada pela Society of Petroleum Engineers (SPE) —, a verdadeira força gravitacional do evento residiu no potencial financeiro da exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial Brasileira. O pragmatismo das receitas fiscais, portanto, sopesou de forma decisiva nas discussões.
Os argumentos do setor produtivo amparam-se em minucioso levantamento desenvolvido pelo Observatório da Indústria da Fiepa. Os dados projetam métricas monumentais que servem de arrimo político para justificar a abertura da nova fronteira energética. O estudo estima um potencial de 10 bilhões de barris de petróleo, capazes de gerar até 125 mil empregos formais no pico da atividade e uma arrecadação fiscal superior a R$ 1 trilhão ao longo do desenvolvimento dos projetos.
Alex Carvalho, presidente da Fiepa, salienta que o impact direto promete a criação de 52 mil postos de trabalho, um incremento de R$ 10,7 bilhões na economia local e uma expansão de 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Sob a ótica estritamente contábil, esses indicadores sugerem prosperidade imediata. Mas o questionamento central aponta a dificuldade crônica do Estado em traduzir surtos de arrecadação extrativista em melhorias reais nos índices de desenvolvimento humano (IDH) locais, perpetuando o modelo de “enclave econômico” onde a riqueza é exportada e os passivos ambientais permanecem no território.
Os debates em torno da distribuição do gás natural e dos crônicos desafios de geração e distribuição de energia elétrica evidenciam que a Amazônia, embora seja uma das maiores exportadoras de energia para o restante do país, ainda convive com isolamento energético interno, redes instáveis e tarifas elevadas em suas comunidades periféricas.
Nas agendas vespertinas, o foco voltou-se para a atratividade de regimes aduaneiros especiais e mechanisms fiscais, como o Repetro, desenhados para garantir a competitividade das empresas paraenses. Sob uma perspectiva crítica, especialistas em direito tributário advertem que tais incentivos frequentemente desoneram grandes corporações em detrimento de receitas que poderiam financiar diretamente os municípios afetados pelos impactos logísticos e socioambientais dessas grandes operações industriais.
A articulação política entre as lideranças dos estados da Margem Equatorial para a leitura e chancela da Carta de Belém II revela a organização de um bloco de pressão coeso. O objetivo implícito é claro: criar um alinhamento regional capaz de flexibilizar ou acelerar os processos de licenciamento ambiental junto aos órgãos federais.
Ao apresentar a Carta de Belém II como a principal contribuição da Amazônia para o debate nacional sobre transição energética e infraestrutura, o setor empresarial tenta fixar os termos do debate.
Além da programação técnica, o público poderá visitar a exposição instalada no foyer da Fiepa, onde empresas, instituições de pesquisa, universidades e organizações ligadas aos setores de energia, inovação e tecnologia apresentam soluções, equipamentos e projetos voltados ao desenvolvimento industrial da Amazônia, criando um ambiente favorável para networking, prospecção de negócios e formação de parcerias.











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