A expectativa era grande em relação à ida do governador Helder Barbalho à Assembleia Legislativa para a leitura da Mensagem na instalação da 61ª Legislatura. Funcionou como uma espécie de termômetro da Casa, que abriga novos deputados na oposição, e…

Foram empossados hoje na Assembleia Legislativa do Pará os 41 deputados estaduais eleitos para a 61ª Legislatura (2023-2027). Em seguida houve eleição para a Presidência e a Mesa Diretora, em chapa única, tendo sido reeleito praticamente à unanimidade – por…

O governador Helder Barbalho está soltando a conta-gotas os nomes dos escolhidos para compor o primeiro escalão de seu segundo governo. Nesta quarta-feira será a posse dos deputados estaduais e federais e dos senadores, e a eleição para a Mesa…

Pela primeira vez na história, está em curso  um movimento conjunto da Academia Paraense de Letras, Academia Paraense de Jornalismo, Instituto Histórico e Geográfico do Pará e Academia Paraense de Letras Jurídicas, exposto em ofício ao governador Helder Barbalho, propondo…

A história é uma farsa

“Se a gente matar um monte de judeu e se apropriar do poder economico dos judeus, o Brasil enriquece. Foi isso que aconteceu com a Alemanha pós-guerra!”, atalha o jornalista José Carlos Bernardi na Jovem Pan, em face da notícia de que o ex-presidente Lula fora aplaudido após discurso a Parlamentares Europeus. Allan dos Santos, blogueiro bolsonarista e entusiasta anti-vacina, disse que “omitir o uso da cloroquina é o mesmo que deixar judeus na dúvida entre chuveiro e câmara de gás”.

Para o atual Deputado Federal e filho do atual Presidente da República, Eduardo Bolsonaro, ações que vieram a tirar o então Presidente da República, João Goulart, do poder ocorreram por conta do Congresso e, ademais, com o amplo apoio popular; não caracterizando, então, um golpe. Segundo o ex-presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, o ditador Daniel Ortega é comparável à chanceler alemã Angela Merkel; afinal, “por que que a Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não?”. E a lista continua.

Trinta e sete anos após a Ditadura Militar – símbolo, em tese, de repressão, perseguição, histórica e cultural, e de censura -, no instante presente, grande parte do que hoje compreendemos como Ocidente vivencia a leviandade dos fatos que ocorreram; não apenas no Brasil, é claro; todo o Ocidente, contudo, vivencia a leviandade de quaisquer verdades em troca do que é conveniente aos olhos.

Diz o senso comum de que o que os olhos não veem, o coração não sente. Mas será mesmo? A prisão, em escala, de presos políticos nas respectivas ditaduras citadas, além de outras minorias, foi afastada do debate político e público pelos dois pólos majoritários do Brasil. Em suas práticas e técnicas, o mal está nos outros, não tendo espaço, portanto, para o reconhecimentos de seus próprios erros. Em suas práticas e técnicas, o inferno são os outros.

Derek Thompson, autor de “Hitmakers: Como nascem as tendências“, explicou os termos “neofílicos” e “neofóbicos”. Para o escritor, somos, mutuamente, neofílicos e neofóbicos; ou seja, gostamos do que é novidade, novo; mas precisamos também daquilo que é familiar. As ideologias polarizantes do Brasil parecem ter estudado sobre isso quando o assunto trata-se de “fake news historica“. Em dado momento, pensa-se que todos já conhecem o tão comentado termo “fake news“; entretanto, o que hoje se experimenta é um método ainda mais eficaz utilizado pelos negacionistas históricos. Perceba a estrutura: leva-se até o debate um fato que todos conhecem, – e que, na maioria das vezes, é veridico -, que seja, o Holocausto; e, após todos de imediato já entenderem do que se trata, puxa-se para a conversa um fato não tão conhecido assim, como a situacao economica alemã no pos-guerra, por exemplo; desse jeito, de pouquinho em pouquinho, pode-se falar o que bem entender-se, por mais ridiculo ou até criminoso que seja, sobre o segundo fato que ainda será visto como certeiro; em casos extremos, genial.

Ainda sobre livros, George Orwell abrange, mais uma vez, em seu livro “1984“, o grande tema das distopias: a liberdade. O protagonista é um homem chamado Winston Smith, o qual trabalha em um ministério do governo, onde este edita reportagens de jornais antigos, alterando os fatos para que o passado esteja de acordo com as convicções do governo. Toca, portanto, Orwell em uma grande ferida da sociedade: Ainda há de se ter liberdade se a verdade histórica nos é privada?

Trinta e sete anos depois, ainda há quem veja o golpe militar como uma resposta do povo e uma resistência ao comunismo. Trinta e sete anos depois, ainda há quem veja, ignorando também todas as ditaduras precedentes, equivalência possível entre um ditador que prende opositores políticos e uma defensora ferrenha da democracia. A eles, deve-se pôr no braço a vacina da verdade; a eles, deve-se lembrar que a história nunca será reescrita.

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