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Nos últimos dias da programação dedicada à Semana dos Povos Indígenas, o Museu Paraense Emílio Goeldi intensifica uma agenda que oferece oficinas, trilhas guiadas, jogos educativos e exibição de filmes gratuitamente, realizada no Parque Zoobotânico, em Belém, sob o tema “Saberes que se entrelaçam: ciência, território e memória indígena”.

A proposta, iniciada na terça-feira, no fim de semana reunirá atividades que contemplam diferentes linguagens e públicos. A programação se estende até domingo, Dia dos Povos Indígenas.

A Trilha Etnobotânica, que acontecerá de novo neste sábado (18), a partir das 9h, conduz os visitantes por nove pontos do parque, onde espécies como seringueira, açaizeiro, paxiúba, sumaúma, pau-brasil, guaraná, cuieira, vitória-régia e buriti são apresentadas a partir de seus usos, significados culturais e relações com narrativas indígenas.

Para muita gente, como a estudante Jhemely Sousa, a atividade representa um primeiro contato com conhecimentos pouco acessíveis no cotidiano: “é a primeira vez que escuto o nome de algumas árvores e vejo as formas, os frutos, as raízes. Eu tinha curiosidade de ver o pau-brasil, por exemplo, porque marcou o século XVI, deu nome ao Brasil e hoje está sendo extinto, infelizmente. Foi uma grande oportunidade”.

A trilha é mediada por Rayssa Borges Cardoso, integrante do Serviço de Educação (Seedu), que conduz o percurso articulando informações botânicas, usos medicinais e elementos simbólicos associados às plantas. O formato estimula a participação ativa do público, que interage com perguntas, registros e observações ao longo do trajeto.

Na sequência, os visitantes participam do jogo “Ancestralidade”, desenvolvido a partir dos dicionários multimídia do próprio museu. A atividade utiliza 87 cartas para explorar palavras das línguas puruborá e sakurabiat, pertencentes ao tronco Tupi e faladas por povos indígenas de Rondônia. O objetivo é construir narrativas a partir dos termos apresentados, envolvendo conceitos ligados a animais, alimentos e relações sociais.

A dinâmica foi conduzida por Ronaldo Farias, mediador educativo e coautor do jogo, com apoio dos bolsistas Bruno Pimenta e Samuel Santos, vinculados ao projeto de Documentação e Revitalização de Línguas Indígenas, coordenado pela pesquisadora Vilacy Galúcio.

Para Jeferson Bastos, estudante do município de Augusto Corrêa, a experiência amplia o contato com formas de aprendizado pouco comuns no ambiente escolar: “é uma experiência nova. Nunca vivemos. É legal e interessante a forma como vocês fazem essa dinâmica com a gente”, afirmou.

O grupo, formado por mais de 30 alunos e professores da Escola André Alves, participou da programação como parte das atividades do Clube dos Protetores do Mangue, iniciativa ligada ao projeto Mangues da Amazônia. A ação é desenvolvida pelo Instituto Peabiru, pela Associação Sarambuí e pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com financiamento da Petrobras.

A professora Gláucia Sousa, que acompanhou os estudantes, destacou a importância dessas iniciativas na formação dos jovens: “o objetivo é levá-los a conhecer outros espaços de educação não formal, em que eles podem saber mais sobre a fauna, sobre a flora, sobre a história das nossas origens. Então, o principal objetivo é proporcionar esse conhecimento mesmo”.

Antes do sábado, a programação inclui oficinas voltadas à experimentação artística e inclusão. Nesta sexta-feira (17), duas atividades ocupam o Centro de Exposições Eduardo Galvão: pela manhã, a oficina “Saberes da Floresta” propõe práticas de bordado e texturas; à tarde, a oficina de argilogravura “Arte Rupestre e inclusão” é direcionada a pessoas com deficiência.

O encerramento, no domingo, terá a exibição da animação “Mitos Indígenas em Travessia”, voltada ao público infantil. A sessão ocorre das 10h às 12h e aborda, em linguagem audiovisual, temas relacionados ao território, à cultura e à ciência a partir de narrativas indígenas.

Além da programação educativa, o público pode visitar exposições em cartaz no parque. A mostra “Brasil: Terra Indígena”, instalada no mezanino do Centro de Exposições Eduardo Galvão, reúne mais de 2 mil peças — entre cestarias, cerâmicas e indumentárias — provenientes de povos indígenas de todos os estados e do Distrito Federal. A exposição já ultrapassou a marca de 60 mil visitantes e segue aberta até 30 de abril.

Produzida pelo Instituto Cultural Vale, em parceria com o Museu Goeldi e o Centro Cultural Vale Maranhão, a mostra conta com patrocínio da Vale e realização do Ministério da Cultura por meio da Lei de Incentivo à Cultura. A proposta enfatiza o protagonismo indígena na relação com o território e sua contribuição para a formação da identidade brasileira.

No Aquário Jacques Huber, a exposição “Ahetxiê” também permanece aberta à visitação. Já a mostra “Diversidades Amazônicas”, localizada no térreo, está temporariamente fechada para manutenção.

Segundo o coordenador de Museologia do museu, Emanoel de Oliveira Junior, a programação reforça uma relação histórica da instituição com os povos indígenas: “são 160 anos atuando em colaboração com essas comunidades. Nós organizamos uma programação voltada para que as pessoas possam conhecer um pouco mais sobre isso”.

Confira a programação completa:

Semana dos Povos Indígenas

Data: de 14 a 19 de abril de 2026

Tema: “Saberes que se entrelaçam: ciência, território e memória indígena”

  • 14 de abril (terça-feira) – Mesa-redonda e webinário: Pesquisadores Indígenas e Saberes Compartilhados

9h às 12h: Mesa de conversa com pesquisadores indígenas.
Local: Auditório do Parque Zoobotânico (entrada pela Travessa Nove de Janeiro)

Convidados(as):  Mariana Tikuna, Manoela Karipuna, Emiliano Kaba e Vera Arapium. Mediação: Ana Vilacy Galúcio

15h – Webinário Educação indígena: lutas, conquistas e desafios
Local: Youtube
Convidados(as): Irleuza Souza Robertino, artesã, educadora e pesquisadora; Waldely Rodrigues Fernandes, professor, poeta e escritor; Jairo Saw Munduruku, cacique da Aldeia Sawre Aboy, linguista, tradutor e pesquisador da medicina tradicional.

Mediação: Lúcia Santana, pesquisadora do MPEG.

  • 15 de abril (quarta-feira) – Trilha Etnobotânica e jogo Ancestralidade, com mediação

Horários: 9h | 10h30
Local: Parque Zoobotânico
Público-alvo: Geral
Mediadores(as) da trilha: Rayssa Borges Cardoso e Luann Gustavo Matta Delgado
Mediadores(as) do jogo: Ronaldo dos Santos Farias e Camila Cristina Lobo Palheta

  • 16 de abril (quinta-feira) – Visita Guiada à Exposição Ahetxiê

Horário: 10h às 11h30
Local: Espaço expositivo (Aquário Jacques Huber)
Público-alvo: Geral
Mediação: Ana Manoela Primo dos Santos Soares, Suzana Primo e Maria Ivaneide Assunção

  • 17 de abril (sexta-feira) – Oficina coletiva de bordado e texturas “Saberes da Floresta”

Local: Hall do Centro de Exposições Eduardo Galvão – Parque Zoobotânico
Manhã: 9h às 12h
Público-alvo: a partir de 16 anos
Inscrição via formulário online: https://forms.gle/Z65PaGUgDGadCHGXA
Mediação: Tammy Yamada Lamarão @tylstudio
Convidadas: Grupo de bordados Entrelinhas

Tarde: 14h às 16h
Oficina de Argilogravura: Arte Rupestre e inclusão
Público-alvo: pessoas com deficiência inscritas através da Associação de Pessoas com deficiência (APPD)
Local de inscrição: APPD, endereço: Passagem Alberto Engelhard (Vila Teta), nº 213, São Brás. Telefone: 3249-4849.
Data da inscrição: até 14 de abril de 2026 (terça-feira)
Facilitadores: Erasmo Borges de Souza Filho, Erêndira Oliveira, Silvinho Costa da Silva, Raimundo Teodorio e Jefferson Paiva.
Consultoria: Edithe Pereira, Helena Lima e Caroline Barros.
Parceria: Associação de Pessoas com Deficiência (APPD).

  • 18 de abril (sábado) – Trilha Etnobotânica e jogo “Ancestralidade em jogo”, com mediação ao final

Horários: 9h | 10h30 

Local: Parque Zoobotânico
Público-alvo: Geral
Mediadores(as) da trilha: Rayssa Borges Cardoso e Luann Gustavo Matta Delgado
Mediadores(as) do jogo: Ronaldo dos Santos Farias e Camila Cristina Lobo Palheta

  • 19 de abril (domingo) – Dia dos Povos Indígenas

Sessão Audiovisual – Exibição de produção audiovisual sobre povos indígenas e suas relações com território, cultura e ciência.

Exibição: “Mitos Indígenas em Travessia” (Zureta Filmes)

Horário: 10h às 12h

Local: Auditório do Parque Zoobotânico

Foto em destaque: Adrya Marinho / MPEG

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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