Publicado em: 29 de maio de 2026
A exposição The Art of Access, aberta ao público no Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles até 5 de junho, combina acesso à leitura, produção artística amazônica e os impactos das mudanças climáticas sobre comunidades ribeirinhas. A mostra reúne mini bibliotecas inspiradas em construções comunitárias da Amazônia e leva à cena internacional trabalhos de artistas brasileiros, entre eles as parauaras Renata Segtowick e Mama Quilla, que transformam referências culturais da região em linguagem visual para discutir educação, circulação de conhecimento e pertencimento.
Idealizada pelo projeto Readers of the Amazon, em parceria com a ONG Vagalume, a exposição propõe uma aproximação entre arte e impacto social ao apresentar pequenas bibliotecas ilustradas a partir da arquitetura das bibliotecas comunitárias amazônicas. O percurso expositivo também detalha a trajetória da iniciativa e evidencia seus efeitos sobre a ampliação do acesso à leitura em comunidades ribeirinhas, inserindo a questão educacional no debate sobre os efeitos da crise climática na Amazônia.
A presença de artistas amazônidas ocupa papel central na construção dessa narrativa. Nascida na Amazônia, Renata Segtowick afirma que sua contribuição para a exposição partiu de uma relação antiga entre ilustração e leitura. “A leitura sempre esteve presente na minha vida como ilustradora, não apenas como hábito pessoal, mas como fonte de imaginação. Quando recebi o convite para criar essa série de ilustrações para as bibliotecas do projeto, quis traduzir esse universo em imagens lúdicas que fossem ao mesmo tempo poéticas e acessíveis”, afirma.
A artista destaca que a circulação de obras produzidas na Amazônia em espaços internacionais representa também a oportunidade de ampliar o alcance de temas ligados ao território. “Para uma artista da Amazônia como eu, ter meu trabalho exposto em outros lugares significa levar a riqueza cultural da minha região para além da fronteira, trazendo atenção para os nossos temas, mas também chamando atenção para questões universais”, completa.
Também parauara, Mama Quilla associa a experiência artística à construção de redes culturais em torno do livro e da partilha de saberes. A artista já participou de ações promovidas pela Vagalume em comunidades amazônicas, conduzindo oficinas de arte e pinturas coletivas junto às bibliotecas comunitárias apoiadas pela organização.

Segundo ela, o debate sobre leitura extrapola o acesso ao livro e envolve relações sociais e transmissão de conhecimento. “Falar sobre leitura também é falar sobre troca, conexão e ampliação de conhecimento. A Amazônia é um território extremamente potente culturalmente, com comunidades que produzem arte, saberes, histórias e tradições de forma muito rica”, afirma.
A participação em uma mostra internacional, avalia Mama Quilla, contribui para ampliar a visibilidade da produção cultural amazônica e fortalecer intercâmbios. “Poder levar esse diálogo sobre arte, leitura e cultura amazônica para outro país amplia a visibilidade sobre a potência criativa da Amazônia e sobre a importância de iniciativas que fortalecem esses intercâmbios culturais.”
Com curadoria e design expositivo de Cris Barretto, The Art of Access reúne ainda trabalhos de Denilson Baniwa, João Lelo, Lu Otto, Luluta Alencar, Paulo Ito e Smael Vagner. As obras foram doadas pelos artistas para apoiar o projeto.
A mostra representa um novo estágio do Readers of the Amazon, iniciativa criada em 2024 pelos estudantes Thomas Edwards, Manuela Barros e Antonio Cunha, da escola Mira Costa, na Califórnia. O projeto nasceu depois que os jovens tomaram conhecimento dos efeitos da seca extrema sobre a Amazônia e das consequências desse cenário para a educação de comunidades ribeirinhas.
Desde então, campanhas de arrecadação organizadas em Manhattan Beach permitiram financiar a doação de um acervo completo de livros para a biblioteca comunitária de Uarini, no Amazonas. Em Los Angeles, o projeto passa a mobilizar também a linguagem artística como forma de ampliar a atenção pública sobre os desafios enfrentados pelas populações amazônicas diante das mudanças climáticas.
A exposição está aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 13h, no Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles.

Imagem em destaque: Renata Segtowick










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