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O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) realizará entre os dias 18 e 23 de maio uma programação especial em Belém para marcar a 24ª Semana Nacional de Museus, mobilização coordenada em todo o país pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). As atividades ocorrerão no Parque Zoobotânico e no Campus de Pesquisa da instituição, com seminários, trilhas ecológicas, oficinas educativas, exposições e debates voltados às relações entre ciência, memória, diversidade e território amazônico. No Dia Internacional dos Museus, celebrado em 18 de maio, a entrada no Parque Zoobotânico será gratuita.

A programação organizada pelo Museu Goeldi dialoga com o tema nacional definido pelo Ibram para a edição deste ano, “Museus unindo um mundo dividido”, e busca ampliar as discussões sobre o papel dessas instituições na construção de diálogo social, preservação da memória e democratização do conhecimento. As atividades foram estruturadas a partir do eixo “saberes da Amazônia e as conexões entre ciência, território e diversidade para um mundo em diálogo”, aproximando pesquisadores, comunidades tradicionais, povos indígenas, estudantes e público em geral.

A diretora substituta do Museu Goeldi, Roseny Mendonça, afirmou que a proposta da programação está diretamente ligada à trajetória histórica da instituição, que completa 160 anos de atuação voltada à produção científica, à preservação da memória, à valorização da sociodiversidade amazônica e à promoção do diálogo entre diferentes saberes. Segundo ela, o museu contribui para esse processo ao aproximar ciência e sociedade e ao promover intercâmbio entre pesquisadores, comunidades tradicionais, povos indígenas, estudantes e o público em geral.

Roseny também destacou que a Semana Nacional de Museus amplia as reflexões sobre a função social dessas instituições em um contexto marcado por disputas de memória, crise ambiental e aprofundamento das desigualdades. De acordo com a diretora, é necessário compreender os museus como espaços de escuta, encontros e construção coletiva do conhecimento. Ela afirmou ainda que o Museu Goeldi desempenha esse papel por meio de pesquisas, exposições, ações educativas, atividades culturais e publicações, fortalecendo a compreensão sobre a diversidade amazônica e estimulando debates sobre inclusão, sustentabilidade, ciência, patrimônio, memória e pertencimento.

A abertura da programação ocorrerá no Aquário Jacques Huber, com visita guiada à exposição “Ahetxiê: um tesouro da costa amazônica”, dedicada ao peixe-serra, espécie ameaçada de extinção conhecida também como espadarte. A atividade será conduzida pelas pesquisadoras Suzana Karipuna, antropóloga, Ana Manoela Karipuna, socióloga, e Maria Ivaneide Assunção, mestra em zoologia e pesquisadora do MPEG. A proposta da visita é discutir tanto os aspectos ecológicos da espécie quanto sua dimensão simbólica para o povo Karipuna, presente nas Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminá, localizadas em Oiapoque, no Amapá.

Ana Manoela Karipuna destaca que a atividade também busca discutir a presença indígena nos processos curatoriais e nos espaços institucionais de construção de memória. “Vamos falar sobre a importância dos povos indígenas estarem ocupando esses espaços de curadoria dentro das instituições. O peixe-serra está relacionado à história do povo Karipuna, à história da migração, aos seus rituais. Vamos apresentar especificamente essas histórias e falar como elas existem dentro do território. Iremos explicar como a cultura foi traduzida para o formato da exposição”, explicou.

As atividades seguem no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, na Avenida Perimetral, no bairro Terra Firme, com seminários voltados às tecnologias sociais e à museologia social. O coordenador de museologia do MPEG, Emanoel Júnior, afirmou que os debates foram organizados para discutir criticamente os modos tradicionais de produção da memória e do patrimônio. Segundo ele, a primeira rodada de conversas abordará o papel das tecnologias sociais como instrumentos de construção da autonomia das comunidades amazônicas, enquanto a segunda terá como foco a museologia social e a democratização dos processos de construção da memória e da ideia de patrimônio. De acordo com Emanoel, a proposta é fortalecer a compreensão de que comunidades e territórios não devem ser tratados como objetos de estudo, mas como sujeitos de direito na definição das memórias e patrimônios que desejam preservar como parte de suas próprias representações sociais.

Emanoel Júnior também destacou que a atuação do Museu Goeldi aproxima a produção científica amazônica dos debates globais sobre mudanças climáticas, preservação ambiental e sociobiodiversidade. Segundo ele, a socialização do conhecimento por meio de exposições, publicações, ações educativas e outras atividades permite que a sociedade se reconheça como parte do bioma amazônico, fortalecendo o sentimento de pertencimento e de responsabilidade sobre o futuro da região. O coordenador afirmou ainda que, ao produzir pesquisas de ponta sobre sociobiodiversidade e mudanças climáticas, o Museu Goeldi coloca a realidade amazônica no centro das discussões internacionais.

A programação também incorpora atividades voltadas à educação ambiental e à mediação cultural. Na quarta-feira (20), o Parque Zoobotânico receberá uma trilha temática sobre o universo das abelhas conduzida pelo palhaço Claustrofóbico Pneumático, personagem interpretado por José Arnaud, em parceria com o Instituto Peabiru. A atividade combinará humor, educação ambiental e conscientização sobre biodiversidade.

Chefe do Serviço de Educação do Museu Goeldi, Mayara Larrys afirma que a proposta busca criar aproximação afetiva entre o público e os temas ambientais. “O José Arnoud, com a persona do palhaço, deve conduzir o público por alguns pontos de visitação do parque, fazendo essa contextualização entre as abelhas e sua importância para a biodiversidade. A gente espera que as pessoas se divirtam”, afirmou.

Na parte da tarde, pesquisadores da Embrapa e do Instituto Peabiru discutirão o papel do mel na bioeconomia amazônica e participarão de uma experiência sensorial com degustação do produto. Segundo Mayara Larrys, a proposta da atividade é permitir que o público compreenda não apenas a importância das abelhas para a biodiversidade, mas também o papel do mel como elemento estratégico da bioeconomia na Amazônia.

Outro eixo da programação será dedicado às relações entre educação e espaços museais. Um seminário realizado no Parque Zoobotânico reunirá educadores, pesquisadores e artistas para debater práticas pedagógicas desenvolvidas em ambientes não formais de aprendizagem. Em seguida, será promovida uma oficina voltada à criação de jogos educativos aplicados a museus, planetários e espaços de ciência.

Mayara Larrys explicou que a oficina será direcionada a educadores e futuros educadores, com o objetivo de discutir como espaços não formais — como museus de ciência, museus de história natural, planetários e bosques — podem funcionar como laboratórios vivos para o desenvolvimento de jogos educativos e de práticas pedagógicas que ultrapassem os limites da sala de aula tradicional. Ela participará do seminário ao lado da artista visual Renata Aguiar e da mestra em educação Camila Quadros.

A programação será encerrada com trilhas voltadas à observação de árvores e palmeiras do Parque Zoobotânico, organizadas pela turismóloga Ana Claudia Silva e pelo bolsista Rafhael Carvalho. As atividades pretendem discutir a ameaça de extinção de grandes árvores amazônicas e o uso sustentável de espécies que sustentam comunidades ribeirinhas da região.

PROGRAMAÇÃO – SEMANA NACIONAL DE MUSEUS 2026
Tema nacional: “Museus unindo um mundo dividido”Tema do Museu Goeldi: “Saberes da Amazônia: conexões entre ciência, território e diversidade para um mundo em diálogo”
18 DE MAIO – SEGUNDA-FEIRA
Visita guiada – Exposição AhetxiêMediação: Manoela Primo dos Santos, Suzana Primo dos Santos e Maria Ivaneide AssunçãoHorário: 10hPúblico: Grupo Escolar/GeralLocal: Parque Zoobotânico – Aquário Jacques HuberEntrada: gratuita
19 DE MAIO – TERÇA-FEIRA
Seminário – Museus unindo um mundo divididoPúblico: Pesquisadores, acadêmicos e interessadosLocal: Campus de Pesquisa – Auditório Eduardo CavalcanteEntrada: gratuita
Mesa de abertura – Tecnologia social e saberes ancestrais: diálogos entre tradição e sustentabilidadeHorário: 9h às 10h30Mediação: Arthur RibeiroConvidados(as): Diana Cruz Rodrigues, Ana Vilacy Galúcio e Socorro Abreu.
Apresentação de pesquisas em Museologia SocialHorário: 10h45 às 12h00Mediação: Mayara LarrysConvidados(as): Camila Lopes – Graduanda em Museologia. Pesquisa: “Museologia Social – Pontos de memórias de Belém: Impactos da Lei Aldir Blanc nas Iniciativas Comunitárias”;Maírla Silva – Graduanda em Geografia. Pesquisa: “Cartografia da memória científica: percursos geográficos das pesquisas antropológicas do Projeto RENAS”;Stefany Rosa – Graduanda em Museologia. Pesquisa: “A Difusão da Memória  nas Comunidades Pesqueiras da Amazônia a partir do acervo material do Laboratório de Antropologia de Meios Aquáticos do MPEG”;Odilon Kewin – Graduando em Museologia. Pesquisa: “O Museu – Território de Macapazinho: Memória, Resistência e Formação Socioespacial na Amazônia”.
20 DE MAIO – QUARTA-FEIRA
Mediação interativa – No mundo das abelhas Trilha das abelhas e lançamento da cartilha “Explorando o mundo das abelhas”Horário: 9h às 10hMediação: Claustrofóbico Pneumático por José Arnaud (Instituto Peabiru)Público: Público livre com limite de 30 pessoas, por ordem de chegada.Local:  Parque Zoobotânico – concentração em frente ao prédio da Rocinha, logo após a bilheteria.
Seminário interativo – No mundo das abelhasDa importância das abelhas ao mel como superalimentoHorário: 14h às 15hMediação: Lucas Bernardes (Emprapa em parceria com Instituto Peabiru)Público: Público livre com limite de 30 pessoas, por ordem de chegada.Local: Parque Zoobotânico – Auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão
21 DE MAIO – QUINTA-FEIRA
Roda de conversa: Educação em contexto: tecendo conexões a partir do museuHorário: 09:30 às 11h.Público: Pesquisadores, acadêmicos e interessados em geralLocal: Parque Zoobotânico – Auditório do Centro de Exposições Eduardo GalvãoMediação: Ana Cláudia SilvaConvidados(as):Camila Quadros –  Mestra em Educação e especialista em Educação, Pobreza e Desigualdade Social. Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia.Renata Aguiar – Artista visual, fotógrafa e performer. Doutora em Artes Visuais e mestra em Artes. Graduada em Artes Visuais e Tecnologia da Imagem. Mayara Larrys – Coordenadora do Serviço de Educação do Museu Goeldi. Bióloga e mestra em Ensino de Ciências e doutora em Ensino de Ciências e Matemática.
Oficina – Jogos educativos em contextos museais Mediação: Tarcízio Macedo e Diana RodriguesHorário: 14h00 às 16h00Público: Educadores, estudantes de licenciatura e interessadosLocal:  Parque Zoobotânico – Hall do Centro de Exposições Eduardo Galvão
22 E 23 DE MAIO – SEXTA-FEIRA E SÁBADO
Trilha Natureza que Une Conhecimentos Mediação:  Raphael Carvalho da Silva, Harison Silva do Carmo, Angelo Jordão Faro Junior, Igor de Araújo Dias.Público: Público de até 20 pessoas por grupo, mediante inscrição prévia (o link para as inscrições será disponibilizado a partir da segunda-feira, dia 18).Horário: saídas às 9h30 e às 10h30Local: Parque Zoobotânico – concentração em frente ao prédio da Rocinha, logo após a bilheteria.

Foto em destaque: Woltaire Masaki / MPEG

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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