Publicado em: 25 de maio de 2026
A Praça Frei Caetano Brandão, conhecida historicamente como Largo da Sé, no bairro da Cidade Velha, em Belém, receberá nos dias 29 e 30 de maio uma intervenção audiovisual inédita baseada em videomapping que ocupará fachadas do centro histórico com projeções inspiradas nas memórias da Estrada de Ferro Carajás. A programação gratuita da 1ª Mostra de Imagem em Movimento (MAPA) começa às 21h e reunirá obras de artistas do Pará e do Maranhão em uma experiência que conecta audiovisual, patrimônio urbano, memória social e experimentação estética.
Depois de passar pelo Maranhão, o projeto chega à capital parauara propondo uma releitura visual de quase 900 quilômetros de trajetos, histórias e experiências ligadas à ferrovia. Utilizando a técnica de projeção mapeada, imagens, vídeos, colagens, fotografias e pinturas digitais serão exibidos sobre prédios históricos da Cidade Velha, transformando o espaço público em um grande circuito de arte audiovisual ao ar livre.
A proposta toma como eixo central as narrativas das comunidades ferroviárias distribuídas ao longo da Estrada de Ferro Carajás, reorganizando essas experiências sob uma linguagem artística marcada pela mistura entre ancestralidade, deslocamento, identidade e memória. Coordenador-geral e curador do projeto, João Pacca afirma que “no MAPA, a contemporaneidade e a ancestralidade se misturam, enraizada nas memórias individuais e coletivas das comunidades ferroviárias ao longo da Estrada de Ferro Carajás”.
Ao longo das duas noites, o público acompanhará dez obras audiovisuais produzidas especialmente para a mostra, entre elas cinco assinadas por artistas do Pará selecionados para construir leituras visuais sobre deslocamentos, pertencimento, território e experiências coletivas. Participam desta edição Bárbara Savannah, Ícaro Matos, Juruna, Leonardo Venturieri e Rafa Cardozo, responsáveis por obras desenvolvidas a partir das vivências e paisagens humanas associadas à ferrovia.

A artista Rafa Cardozo apresenta “Tudo é correnteza” (2025), trabalho que toma as memórias ferroviárias como eixo narrativo. Segundo ela, “olha, eu posso arriscar dizer que a memória é o meu trabalho (…), ela está em todo o processo, ela está do ponto de partida até o final. Então, é graças a ela que meu trabalho existe. Meu trabalho é estar nesse lugar de valorizar as memórias que existem tanto na minha vida pessoal quanto na vida coletiva. Eu gosto da ideia de preservar algumas coisas que me atravessaram e que atravessaram outras pessoas, a fim de tornar esse trabalho um espaço de escuta dessa memória”.

Também serão exibidas “Um Horizonte em Movimento”, de Bárbara Savannah; “Travessia”, de Ícaro Matos; “Todo trajeto, também é um rio”, de Juruna; e “Alvorada e Fuga”, de Leonardo Venturieri. As obras abordam experiências de trânsito, territorialidade e permanência, reinterpretando trajetos físicos e simbólicos da Amazônia.

Bárbara Savannah, cuja obra investiga deslocamentos ligados às experiências do arquipélago do Marajó, relaciona o percurso ferroviário às travessias fluviais vividas por sua família. “Eu venho de uma cidade do interior, na Ilha do Marajó, Curralinho, e a minha família também vem de outra cidade dentro do Marajó, de Breves. Minha mãe é de lá, meu pai também morou lá. Mas, como a gente já vem de uma realidade de estar nesse trânsito, de sair do interior pra morar em Belém ou morar em outra cidade, essa questão do deslocamento com os barcos faz com que eu entenda que o meu trabalho vem todo dessa paisagem que se apresenta durante o percurso”, destaca.

A mostra também incorpora produções do eixo Maranhão, ampliando a circulação de linguagens e referências culturais associadas à ferrovia. Participam Acaique, com “Uma Casinha no Trilho”; Dinho Araújo, autor de “História da Terra”; Inke, com “Frágil Dureza”; Ramusyo Brasil, em “Temp(l)o do Rosa Fixado”; e Silvana Mendes, com “Sol de Meio Dia”.
Antes da chegada ao circuito expositivo nas cidades, o MAPA desenvolveu uma etapa de pesquisa envolvendo oficinas de criação, mapeamentos territoriais, acompanhamento técnico de obras e seleção artística. O projeto reuniu registros de 892 quilômetros de trajetos ferroviários, estações comunitárias, passageiros e experiências ligadas ao território cortado pela Estrada de Ferro Carajás.
Após as apresentações em Belém, a programação seguirá para Brasília, onde o acervo ganhará nova configuração em formato de galeria na Casa da Cultura da América Latina (CAL), entre 9 e 31 de julho.
A primeira edição da Mostra de Imagem em Movimento é realizada pela OPACCA Produção de Imagem, com apoio da Vale, por meio dos Recursos para Preservação da Memória Ferroviária (RPMF), sob regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A curadoria reúne pesquisas conduzidas por Déia Matos e Eduardo Berardinelli, além do trabalho de Koba e Sylvia Morgado na assistência curatorial. A equipe inclui ainda Rapha Dutra na coordenação de comunicação, Breno BL na produção técnica, Fernanda Junqueira, Laís Braga e Joelle Mesquita na produção executiva, Jasmine Giovannini na produção local, Adriele Martins na redação e Rafael Casales e João Moura no design.
Foto em destaque: Bárbara Savannah (Divulgação)










Comentários