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Está chegando a hora! Nesta quinta-feira, dia 9 de dezembro, o The Game Awards anunciará seu escolhido como jogo do ano. Na semana passada falamos um pouco sobre o que isso significa e como é o processo de escolha.  Agora, vamos analisar cada indicado e discutir porque eles teriam mais ou menos chances. Para quem você está torcendo?

Deathloop – Excelência técnica, artística e tecnológica

Julianna e Colt: os protagonistas de “Deathloop” são uma atração à parte

Mistura inusitada de James Bond e Dia da Marmota, “Deathloop” chegou quieto, mas chegou chegando. O game pode ser considerado o primeiro “grande jogo” da nova geração de consoles (é exclusivo para Playstation 5, embora também esteja disponível para ser jogado em PCs), tanto pelo seu visual e produção como pelas mecânicas inovadoras.

Pelo “chegou quieto” já dá pra saber que o marketing de “Deathloop”, primeiro quesito que analisamos, não foi tão excelente assim. Confusos, os trailers e banners não deixavam muito claro do que o jogo se tratava e confundiram mais do que informaram. Em alguns momentos, as pessoas não aguentavam mais ouvir sobre o jogo, sem sequer entender do que ele se tratava.

E isso, claro, impactou um pouco na popularidade, nosso quesito “3”: o game recebeu ótimas críticas (é o jogo com melhor avaliação no Playstation 5 até o momento), mas nada que o tornasse o assunto do dia, especialmente entre pessoas que não seguem a “bolha gamer”. Além disso, alguns pequenos bugs atrapalharam o lançamento pra PC, embora já tenham sido corrigidos. Isso tudo fez de “Deathloop” um jogo não tão popular assim, amargando os menores números de vendas para um título da Arkane, estúdio responsável pelo game. Algo que pode diminuir as chances de vitória.

No entanto, no que diz respeito à técnica, Deathloop é provavelmente o destaque entre os indicados. Quase todos os aspectos do jogo são refinados ao extremo: a arte é original e inusitada, o design do jogo é inovador, surpreendente e funcional, os gráficos fazem jus à nova geração, os sons e a trilha sonora estão no ponto e as dublagens são dignas de um bom filme. Não por acaso, ele é o concorrente com maior número de indicações. E isso tudo, é claro, também funcionaria como uma excelente publicidade para o Playstation 5 em caso de vitória. Se Deathloop vencer, o Game Awards terá escolhido pela excelência técnica, artística e tecnológica.

It takes two – A experiência perfeita

Mais um game estrelado por um casal: Cody e May tornam “It takes two” melancolicamente apaixonante

Mais do que uma façanha técnica, um game também é a experiência que ele proporciona. E poucas são tão originais e emocionantes como “It takes two”. Há quem compare o jogo a uma comédia romântica, o que, por si só, já demonstra o quão diferente ele é. Dois jogadores precisam, jogando juntos (presencialmente ou online), superar diversos obstáculos e quebra-cabeças. Tudo estando do tamanho de uma “formiga” e na pele de um casal que está se divorciando. A arte e o roteiro fazem o resto, tornando “It takes two” uma experiência mágica e divertida, no melhor estilo “filme da Pixar”.

Popularidade não é problema para o jogo, que já vendeu mais de três milhões de cópias. E é um game bastante versátil em termos de plataformas: está disponível para todas as mais populares, exceto MacOS e Nintendo Switch. Se por um lado isso o torna mais acessível, por outro não o faz uma escolha especialmente importante para nenhum console ou plataforma.

Tecnicamente, o jogo é satisfatório e apurado, embora não se destaque em relação aos demais nem traga grandes novidades nesse sentido.

Bancado pela EA, uma das maiores empresas de jogos do mundo, o marketing também foi bem feito, gerando expectativa e procura pelo game desde o anúncio. Alguns diriam até que foi bem feito demais, já que tem gente tentando fazer o jogo mudar de nome, dizendo que a marca foi plagiada. Uma disputa que ocorre literalmente às vésperas do prêmio e, para bem ou mal, joga ainda mais atenção sobre o game. “It takes two” não se destaca especialmente em nenhum dos critérios que apontei semana passada, mas também não decepciona em nenhum. Se ganhar o prêmio de Jogo do Ano, será uma surpresa, pois demonstrará que o Game Awards decidiu escolher a melhor experiência, mais do que os critérios comumente utilizados.

Metroid Dread – Uma escolha “diplomática”

“Metroid Dread” traz um novo estilo artístico sem abrir mão de seu gameplay clássico

“Metroid Dread” é o único exclusivo da Nintendo entre os indicados. Também é o único dos indicados a “Jogo do ano” a contar com apenas uma outra indicação (“Melhor jogo de ação/aventura”). Isso, por si só, deixa o game um pouco atrás dos colegas de categoria, o que não significa que não haja chances. Em primeiro lugar porque o marketing e a popularidade de “Metroid Dread” provavelmente só encontram paralelo em “Resident Evil: Village”. Fãs (e até não-fãs) esperavam por um novo título “Metroid” há vários anos, gerando expectativa desde o primeiro anúncio. Não é surpresa, portanto, que o jogo seja um sucesso, sendo o mais vendido no Nintendo Switch em outubro e considerado uma “quebra da maldição” da franquia “Metroid”, famosa por ter ótimos jogos mas vender menos que o padrão de outras franquias da Nintendo.

Como é de se esperar de um título “Metroid”, o game é uma maravilha técnica: além de contar com um dos melhores designs de level entre os indicados (rivalizando apenas, e talvez, com “Deathloop”), a atualização da Pixel Art para um estilo mais contemporâneo, embalado com as tradicionais trilhas eletrônicas faz do game uma experiência completa. Mecânicas e roteiro fecham o pacote perfeitamente. Porém nada em “Metroid” é tão forte quanto o fato de que ele funciona como uma excelente publicidade para a Nintendo (assim como para o Switch e sua nova versão OLED) caso bata seus concorrentes. Sua premiação seria provavelmente um aceno nessa direção, resultando numa escolha diplomática (e lucrativa!), ainda que não menos merecida.

Psychonauts 2 – Um viva à nostalgia

Psicodelia e aventura se encontram em “Psychonauts 2”

“Psychonauts 2” é sequência direta do jogo de 2005, que foi a primeira incursão da “Double Fine”, estúdio famoso por fazer jogos “point and click”, no gênero “plataforma”. Mais do que isso, conta com a direção de Tim Schaffer, nome por trás de jogos como “Full Throtle” (1995), “A maldição da Ilha dos Macacos” (1997) e “Grim Fandango” (1998). Não é preciso muito para perceber que se trata de um clássico instantâneo.

Com estilo artístico único, dublagens inspiradas e roteiro impecável (aspectos contemplados inclusive com outras indicações) o game é tecnicamente excelente, batendo de frente com “Metroid Dread” ou “Deathloop”. O marketing também não deixou nada a desejar, tendo direito até a campanha com marca de bala.

Em termos de popularidade, no entanto, os números são meio nebulosos. Há inclusive discussões que indicam que o preço, considerado caro por alguns jogadores, pode ter feito com que o game fosse menos jogado que “It takes two”, por exemplo. De qualquer forma, o jogo é campeão de versatilidade: disponível até pra Linux, só não é possível jogá-lo no Nintendo Switch. Nesse sentido, sua premiação não seria um aceno a nenhuma plataforma específica.

Tem mais: talvez apenas “Metroid Dread” possa competir com “Psychnauts 2” quando o assunto é nostalgia. Mas “Psychonauts” vai ainda mais fundo nesse quesito, com seu apelo quase cinematográfico e seu “gosto de infância”. Numa indústria que tem se apaixonado por remakes e sequências, como a dos games, a premiação de “Psychonauts 2” é não apenas uma grande possibilidade, mas também um incentivo à nostalgia.

Ratchet & Clank: Em uma outra dimensão – Bonitinho… mas ordinário

Durante todo o jogo, “Ratchet & Clank: Em uma outra dimensão” mantém a qualidade de um filme de animação

“Outra dimensão” é provavelmente um dos jogos mais bonitos entre os indicados. Elogios entusiasmados à aparência do jogo são uma de suas marcas registradas. Não por acaso, o jogo é o “garoto propaganda” do Playstation 5 desde antes de seu lançamento. O próprio anúncio do game veio como uma ilustração do poder do novo console. Ao mostrar Ratchet & Clank teleportando de um “level” ao outro sem telas de carregamento, a Sony mostrou ao mundo um dos parâmetros da nova geração. Marketing e popularidade, portanto, perfeitos.

E talvez por isso este seja, entre os indicados, o que menos me agrada. Tudo em torno do game parece estar atrelado à promoção da Sony e seu novo console, do qual o jogo é um exclusivo absoluto. É claro que o game também não decepciona tecnologicamente, abocanhando diversas indicações em categorias como “Direção de arte” e “Inovação em acessibilidade”, mas, não surpreendentemente, ficando de fora de categorias como “Melhor narrativa”, “Melhor atuação” ou “Melhor trilha sonora”. Curiosidade: o jogo entra na turma dos “casais”, trazendo a personagem Rivet e tornando-a uma das protagonistas. Isso parece estar em alta este ano!

Há muito para ser visto em “Outra dimensão”, sem dúvida. Publicidade é, afinal, aparência. Mas na essência, não há muita profundidade, especialmente se comparado aos seus rivais nessa categoria.

A única razão aparente para “Outra dimensão” levar o prêmio principal é o Game Awards querer promover a Sony como a principal empresa da nova geração. Algo que, pessoalmente, espero que não aconteça, tanto pela credibilidade do prêmio como pelo fato de que a indústria de jogos merece reconhecimentos que não dependam apenas de critérios mercadológicos.

https://youtube.com/watch?v=Nlj8d_tIkEo

Resident Evil Village  – O triunfo da narrativa

Lady Dimitrescu, a mairo estrela de “Village”, e suas três filhas

Muita gente imagina que games, hoje em dia, são como filmes interativos. E nenhum indicado chega tão perto disso como “Resident Evil Village”. Continuação direta da história contada em “Resident Evil 7”, o game se tornou um fenômeno pop antes mesmo de ser lançado graças a Lady Dimitrescu. A vampira gigante ainda é um meme global e foi uma das maiores sacadas de marketing da indústria de jogos neste ano. Digo uma das porque a outra também pertence ao jogo: liberar uma versão demo com duas possibilidades de gameplay que pareciam imensas, apenas para, ao lançar o jogo, mostrar que elas eram pequenas frações do título completo.

Some tudo isso ao fato de o jogo estar disponível em múltiplas plataformas e teríamos aqui mais um campeão em potencial.

Porém, tecnicamente, “Village” acaba ficando um pouquinho pra trás de seus concorrentes. Embora gráficos, som e atuações sejam excelentes, o design do jogo acaba oscilando entre os gêneros ação e terror. Ainda que isso não seja por si só um problema, a experiência de jogo é menos íntegra do que a de seu antecessor, por exemplo, que se comprometeu com o terror e, por isso, revolucionou a série. Além disso, existe um foco exagerado na narrativa, ao ponto de algumas mecânicas serem modificadas apenas para que “algo aconteça” no roteiro. Se o jogo perfeito nasce do equilíbrio entre elementos lúdicos e narrativos, “Village” desequilibra a balança para o lado da narrativa um pouco demais.

Se for premiado, é um curioso sinal de que a indústria dos jogos decidiu premiar um título que, embora proporcione uma experiência divertidíssima, abre mão de vários elementos que fazem dos games o que são.

E o jogo do ano é…

Vamos descobrir apenas na quinta-feira, mas pelas análises, colocaria minhas fichas em “Deathloop” ou “Psychonauts 2”. O primeiro, pela inovação. O segundo, por ser um clássico instantâneo.  

De qualquer forma, na semana que vem terminamos esse especial com um comentário crítico sobre o jogo vencedor, fechado? Até mais!

Dimas de Lorena Filho
É jornalista com mais de 10 anos de experiência em comunicação corporativa em empresas como Experian, Monsanto e Bayer. Largou da chupeta por causa do videogame. E fez mestrado só pra poder estudar "joguinho". Atualmente, estuda Game Design na Universidade de Ciências Aplicadas de Colônia, na Alemanha.

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