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“DOM AMANDO”, FONTE DO SABER

Em 2003 escrevi um artigo sobre o Colégio “Dom Amando”, de Santarém, que reproduzo, com alguns acréscimos e atualizações.

Estudei no Colégio “Dom Amando” parte do curso primário, parte do curso ginasial e todo o curso científico, no período de 1958 a 1966. Foi a base de minha formação integral, como pessoa humana.

Tive a honra de ser condecorado com Medalhas de Honra ao Mérito de Destaque no Setor musical no Colégio “Dom Amando”, nos anos de 1964, 1965 e 1966.

Em 2000, quando visitei a Faculdade de Direito de Colúmbia, em Nova York, pude melhor compreender o benefício proporcionado pelo querido Colégio. Cheguei a comentar este fato com o Irmão José Emanuel Browne (um de meus melhores amigos, no “Dom Amando”, professor de Latim, de Filosofia e de Música), quando tive a satisfação de reencontrá-lo, naquele ano, em Washington (U.S.A.).

Na verdade, em Santarém, em plena Amazônia, era como se estivéssemos estudando nos Estados Unidos da América do Norte, tal era a qualidade e o alto nível de ensino ministrado no CDA. É preciso que se enalteça esse privilégio para conhecimento dos mais jovens.

A disciplina, a ética, a organização, o ambiente saudável, o companheirismo, enfim, tudo ali era perfeito e muito bem conduzido.

Havia também o reconhecimento do mérito dos alunos, que se destacavam nos estudos e nas demais atividades estudantis, pois seus nomes figuravam no Quadro de Honra, estímulo para todos os discípulos e para a sociedade.

O aprendizado não se restringia à sala de aula. Na convivência do dia-a-dia, o ensinamento de que tanto precisa a humanidade para construir um mundo mais livre, solidário, fraterno e justo. Mestres abnegados, amigos autênticos. Anos felizes e inesquecíveis.

Muita coisa que se aprende hoje apenas em cursos de pós-graduação era transmitida nas aulas proferidas naquele educandário, paradigma no gênero em todo o Brasil. E não havia necessidade de cursos paralelos de música, esporte, religião, moral, trabalhos manuais, línguas estrangeiras etc., porque tudo fazia parte do currículo da Escola. Sequer fiz “cursinho” para o Exame de Vestibular em Direito na Universidade Federal do Pará, em Belém, quando fui aprovado em 3º lugar, em 1967.

O CDA sempre esteve integrado na realidade de nossa região. Basta um exemplo para ilustrar esta afirmativa. Certa vez o Colégio recebeu a visita de uma autoridade superior, que estranhou a inexistência de banheiro ou piscina para os estudantes internos. Ele, porém, foi logo alertado de que os jovens podiam usufruir do belo rio Tapajós, às proximidades, que lhes garantia banho e natação, com as vantagens oferecidas pela própria natureza regional.

Lembro-me do tempo em que integrei a excelente Banda de Música do Colégio, nos desfiles cívicos, tocando Barítono (espécie de Eufônio), experiência que pude aproveitar para atuar na Banda “Prof. José Agostinho”, nos anos 60 do século XX.

Como magistrado trabalhista, durante mais de 48 anos, e professor universitário há cerca de três décadas, jamais esquecerei do verdadeiro alicerce construído na fonte do saber da juventude na Pérola do Tapajós.

Mas não é apenas o profissional de hoje que tem gratas recordações de sua mocidade, daquele estudante de tempos passados.

É a pessoa humana, de ontem e de sempre, que, lembrando do querido Colégio “Dom Amando”, também se recorda, com orgulho, tal como na “Canção de Minha Saudade” (Wilmar e Wilson Fonseca), que nunca vi Colégio como o Dom Amando de Santarém, onde conheci o saber e o amor, o bem mais precioso da vida, um dom para a felicidade. Site do CDA: http://domamando.com.br/

A Congregação de Santa Cruz, da qual pertenciam os religiosos do Colégio, foi fundada por Basílio Antônio Moreau (11.02.1799 – 20.01.1873), nascido na aldeia de Laigné, perto do Mans, na França. Veja o seu resumo biográfico:

https://www.congregacaodesantacruz.org.br/biografia-padre-moreau/

A Congregação Religiosa de Santa Cruz é composta de duas sociedades distintas de religiosos, uma de Padres e outras de Irmãos, “unidos em uma fraternidade indivisível”.

“A Congregação de Santa Cruz reúne no mundo 1.453 religiosos Padres e Irmãos que presentes em 16 países dedicam-se a formação e desenvolvimento integral do ser humano. ‘O nosso compromisso é para as nossas irmãs e irmãos cristãos um convite para serem fiéis à sua vocação e, para nós mesmos, é uma forma concreta de trabalhar com eles para a difusão do Evangelho e com todos para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e mais humana’.

Fiéis aos ideais missionários do Padre Basílio Moreau, os religiosos de Santa Cruz doam suas vidas e consagram a vocação ao serviço do próximo, em Paróquias, Comunidades, Escolas, Universidades e em Instituições sociais em prol dos irmãos mais carentes e necessitados, onde quer que estejam inseridos tornam-se próximos daqueles com quem convivem.

‘Onde quer que trabalhemos, ajudamos os outros não só a reconhecerem e desenvolverem seus talentos, mas também a descobrirem aspirações mais profundas dos seus corações. Também nos damos conta de que temos muito a aprender daqueles a quem fomos chamados a ensinar qualquer que seja a nossa obra missionária'”.

https://www.congregacaodesantacruz.org.br/quem-somos/

Um dos momentos marcantes, em nossa vida estudantil, no CDA, era cantar o “Hino do Colégio Dom Amando”, que tem letra do Irmão Genardo Greene, membro da Congregação dos Irmãos da Santa Cruz, que dirigia a instituição educacional.

Em 2010, resolvi compor um arranjo para Canto, Quinteto de Sopros e Piano, para o belo “Hino do CDA”, inspirado por uma agradável visita do ex-Irmão Joseph Browne e sua esposa Beth, ao Brasil e, em especial, a Belém, em meados daquele ano, quando um grupo de ex-alunos do Colégio “Dom Amando”, de Santarém (PA), resolvemos homenageá-los com um jantar no Restaurante El Bandolero (de propriedade de nosso filho Adriano e um sócio), na capital paraense.

Na véspera, o casal de norte-americanos esteve em nossa casa, ocasião em que o antigo professor no CDA. cantou, em dueto com o amigo Paulo Ivan Campos, sob meu acompanhamento, ao piano, essa música inesquecível.

Em 2018, escrevi outro arranjo do “Hino do CDA”, para Canto e Orquestra Sinfônica, a pedido de meu irmão José Agostinho da Fonseca Neto (Tinho), que dirige o Instituto Maestro Wilson Fonseca, de Santarém (PA), e é o Maestro Titular da Orquestra Sinfônica Maestro Wilson Fonseca, executado num evento comemorativo no Colégio “Dom Amando”. Tinho também foi contemplado com Medalhas como destaque na área da música no CDA e dirigiu a Banda Musical do Colégio durante 20 anos.

HINO DO COLÉGIO “DOM AMANDO”

(Santarém-PA)

Letra: Irmão Genardo Greene

Meu Colégio Dom Amando

Fonte do saber

Tua fama está aumentando

Como o meu querer.

Salve, salve Alma Mater

Glória do Brasil

Prometemos guardar sempre

Nossa Mãe gentil!

Ouça a música – Orquestra Sinfônica (execução simulada por computador):

A música que deu origem ao”Hino do Colégio Dom Amando”, de Santarém (PA), com letra adaptada, em português, pelo Irmão Genardo Greene, é de autoria do compositor norte-americano Henry S. Thompson (1824-1889), conhecida como “Alma Mater”, da Universidade de Cornell: “Far Above Cayuga’s Waters” (“Muito acima das águas de Cayuga”), além de outros hinos da escola.
A letra foi escrita por volta de 1870 pelos colegas de quarto Archibald Croswell Weeks (classe de 1872) e Wilmot Moses Smith (classe de 1874), e cantada com a música “Annie Lisle”, uma balada popular de 1857, de H. S. Thompson, sobre uma heroína morrendo de tuberculose. Confira:

Eis o texto poético, em inglês, do Hino “Alma Mater”, que tem letras de Wilmot Moses Smith (Classe de 1874) e Archibald Croswell Weeks (Classe de 1872), e música composta por Henry S. Thompson:

Verse one

Far above Cayuga’s waters,

With its waves of blue,

Stands our noble Alma Mater,

Glorious to view.

Refrain

Lift the chorus, speed it onward,

Loud her praises tell;

Hail to thee, our Alma Mater!

Hail, all hail, Cornell!

Verse two

Far above the busy humming

Of the bustling town,

Reared against the arch of heaven,

Looks she proudly down.

Tradução livre para o idioma português:

I

Muito acima das águas de Cayuga,

Com suas ondas de azul,

Fica nossa nobre Alma Mater,

Glorioso para ver.

Refrão

Levante o refrão, acelere

Seus elogios dizem alto;

Saudações a ti, nossa Alma Mater!

Saudações, saudações, Cornell!

I

Muito acima do zumbido ocupado

Da cidade movimentada,

Criado contra o arco do céu,

Parece que ela está orgulhosa.

Na Internet existem diversos vídeos da canção “Alma Mater”, em inglês, como os que encontrei no Youtube, dentre outros:

Cornell Alma Mater – Cornell Alumni Association:

Cornell Glee Club and Chorus – Alma Mater:

Cornell Alma Mater – Cornell Evening Song e Alma Mater, interpretadas por membros do Glee Club e do Coro, conduzidas pelo professor Scott Tucker, Diretor do Glee Club, na aula de boas-vindas de 2015:

Cornell Glee Club : Evening Song & Alma Mater at Swasey Chapel – “Evening Song; Alma Mater” – O Cornell Glee Club em sua turnê no sul, em 2014, terminou seu show com Evening Song e Alma Mater, músicas interpretadas juntamente com ex-alunos do Glee Club, na plateia:

Cornell University Glee Club Homecoming Concert 2011:

É interessante observar, nesses vídeos, que os alunos cantam o belo Hino com bastante entusiasmo e vibração, todos abraçados, e a plateia fica de pé nesse momento, participando também da interpretação. É impossível não lembrar do “Hino do CDA”, que cantávamos antes das aulas, naquele Colégio, na Pérola do Tapajós, perfilhados na “área coberta” do “Dom Amando”, sob a regência do Irmão Genardo Greene e, depois, sob a direção do Irmão Joseph Browne. Quanta saudade!…

Cornell University Glee Club Homecoming Concert 2011:

É interessante observar, nesses vídeos, que os alunos cantam o belo Hino com bastante entusiasmo e vibração, todos abraçados, e a plateia fica de pé nesse momento, participando também da interpretação. É impossível não lembrar do “Hino do CDA”, que cantávamos antes das aulas, naquele Colégio, na Pérola do Tapajós, perfilhados na “área coberta” do “Dom Amando”, sob a regência do Irmão Genardo Greene e, depois, sob a direção do Irmão Joseph Browne. Quanta saudade!…

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