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Padre Manuel Rebouças e Albuquerque nasceu no Seringal Monte Carmelo, Rio Acarauá, afluente do rio Tarauacá, Município de São Felipe (hoje, Eirunepé), Estado do Amazonas, em 16 de junho de 1907.

Filho de Tomás Rodrigues de Albuquerque e Maria José Rebouças e Albuquerque.

Com dois anos de idade, a sua família mudou-se para Santarém (PA), onde o poeta passou a infância e fez os estudos básicos.

Quando tinha quatorze anos, o Cônego Irineu Rebouças, seu tio, o estimulou a seguir a vocação religiosa.

O jovem estudou no Seminário de Tefé (Amazonas), na França e em Portugal, tendo ingressado na Congregação do Espírito Santo.

Ordenou-se Padre em 15 de novembro de 1935, na cidade de Viana do Castelo (Portugal).

No ano seguinte foi enviado ao Brasil, exercendo atividades missionárias no Amazonas, Acre e Pará, notadamente em Santarém, onde residiu por muitos anos, na infância e a partir de 1950.

Excelente Orador, Poeta extremamente fértil e Sonetista dos maiores da poesia universal, Padre Manuel Albuquerque deixou volumosa produção, reunida nos seguintes livros, elogiados no Brasil e em Portugal:

1. “Maria, Minha Poesia”;

2. “Maria, Minha Canção”;

3. “Estrelas para a tua fronte”;

4. “Brasil do Meu amor”;

5. “Cristais sonoros”;

6. “De volta do meu garimpo”;

7. “Sorrisos de minha mãe”;

8. “Meu sabiá”;

9. “Glorificação do Monossílabo”.

Escreveu inúmeras outras obras, inclusive sobre História, tais como: “Hinos e Canções Escolares”; “Tefé e os Missionários do Espírito Santo”; “As Vocações Sacerdotais, o Problema do Brasil”; “Os Irmãos de Jesus”; O Amor falando contra”.

Padre Manuel Albuquerque era membro honorário das Academias de Letras do Maranhão, Ceará e Amazonas, tendo mantido vínculos com outras entidades de beletristas.

É Patrono da Cadeira nº 26 da Academia de Letras e Artes de Santarém (A.L.A.S.), cujo atual ocupante é o educador João Bernardo Santana.

Ele fundou e dirigiu a Escola Santa Maria Goretti, cujo uniforme, inaugurado em 08 de dezembro de 1953 (Dia de N. S. da Conceição, Padroeira de Santarém-PA) apresentava a “brasilidade na roupa”, conforme acentua o jornalista Lúcio Flávio Pinto na matéria da série “Memória de Santarém”, publicada no site “O Estado Net”, em 01 de outubro de 2023.

https://www.oestadonet.com.br/noticia/23982/memoria-de-santarem-brasilidade-na-roupa-retratos-de-familia-e-debates-estudantis/

Uma das fotos que ilustra este artigo registra a presença do Padre Manuel Albuquerque com uma turma de concluintes da Escola de Datilografia Pratt, em Santarém, dirigida por Maria Annita Fonseca de Campos, minha tia, na década de 50 do século XX.

Fonte: https://www.facebook.com/search/top/?q=escola%20pratt (Ércio Bemerguy).

Em Santarém (PA) existe a Escola Municipal de Ensino Fundamental e Educação Infantil “Padre Manuel Albuquerque”, em homenagem ao religioso e educador. O Hino oficial da Escola tem letra de Emir Bemerguy e música de Wilson Fonseca (1983).

Faleceu no Rio de Janeiro, em 7 de janeiro de 1977.

Padre Manuel Albuquerque é parceiro musical de três gerações da família Fonseca: José Agostinho da Fonseca (1886-1945), Wilson Fonseca (1912-2002) e Vicente Malheiros da Fonseca (1948-), que escreveram músicas com letras desse extraordinário poeta amazônico, tais como:

  1. Ave, Maria! (Canto Sacro). Música: José Agostinho da Fonseca (Santarém-PA, 1938) – “Salve, Regina!”. Letra: Padre Manuel Albuquerque (Santarém-PA, 1954). Para o cinquentenário da ordenação sacerdotal de Dom Amando Bahlmann, Bispo-Prelado de Santarém-PA. Foi a última composição musical de José Agostinho da Fonseca, meu avô paterno.
  2. Ah! Se eu pudesse (Modinha). Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Wilson Fonseca (Santarém-PA, 1931).
  3. Canção da Santarena (Canção). Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Wilson Fonseca (Santarém-PA, 1958).
  4. Nome Santo de Mãe (Canção). Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Wilson Fonseca (Santarém-PA, 1964).
  5. Prova Infalível – Noturno nº 2. Letra: Padre Manuel Albuquerque (Braga, Portugal, 1949). Música: Wilson Fonseca (Santarém-PA, 1965).
  6. Imagem que não se apaga (Canção). Letra: Padre Manuel Albuquerque (Braga-Portugal, 1948). Poema feito em Braga (Portugal), para o Centenário da elevação de Santarém (Pará, Brasil) à categoria de cidade em 1948. Música: Wilson Fonseca (Santarém-PA, 1986).
  7. Diversos Hinos, dentre os quais: Hino do Centenário da Prelazia de Santarém (Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Wilson Fonseca); Hino ao Comércio (Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Wilson Fonseca); Hino do “Coro da Catedral de Santarém” (Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Wilson Fonseca); Hino da “Escola Normal Maria Goretti”, de Oriximiná-PA (Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Wilson Fonseca); Hino do Fim (Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Wilson Fonseca); Hino ao Maranhão (Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Wilson Fonseca); Hino de N. S. da Saúde (Letra: Padre Manuel  Albuquerque. Música: Wilson Fonseca).
  8. 23 Cantatas Sacras em louvor a Nossa Senhora, sob o título de “Maria, Nossa Canção” (1954), com versos de Padre Manuel Albuquerque. Música de Wilson Fonseca.
  9. In Verbo Tuo (Hino Sacro). Letra: Padre Manuel Albuquerque (Santarém-PA, 1958). Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 26.10.2007).
  10.  Ser Mãe (Valsa dos 90 Anos). Letra: Padre Manuel Albuquerque. Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 28.10.2007). Dedicada à minha querida mãe (Rosilda), que completara 90 anos em 20.02.2008. Canto e Piano; Canto e Violão; e Violino e Piano.
  11.  Voltando ao larRecordando minha passagem pela Cerquinha (Canção). Letra: Padre Manuel Albuquerque (Braga, Portugal, 19 de fevereiro de 1949). Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 14 de janeiro de 2022). Canto e Piano; e Quinteto para Flauta, Oboé, Viola, Violoncelo e Piano.
  12.  Símbolo da AmazôniaÀs maternais mangueiras que enfeitam Santarém e Belém do Pará, dando cristãmente a comida às crianças e aos pobres, e, a todos, o carinho sincero de uma sombra (Modinha). Letra: Padre Manuel Albuquerque (Belém-PA, 25 de novembro de 1962). Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 16 de janeiro de 2022). Canto e Piano; e Quinteto para Flauta, Clarinete, Trompa, Violoncelo e Piano.
  13.  Língua Portuguesa (Canção). Letra: Padre Manuel Albuquerque (1907-1977). Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 17 de janeiro de 2022). Canto e Piano; e Trio para Clarinete, Fagote e Piano.
  14.  O Rio Amazonas (Canção). Letra: Padre Manuel Albuquerque (1907-1977 – “Brasil do meu amor”, pág. 63, in “Correio do Norte”, n.° 2, maio, 1959, São Paulo). Musica: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 07 de fevereiro de 2022). Canto e Piano; e Sexteto para Flauta, Clarinete, Violino, Viola, Violoncelo e Piano.
  15.  Nome de Maria (Bolero). Letra: Padre Manuel Albuquerque. (Poema publicado no livro “Sorrisos de minha mãe” (1960-1961 – Santarém-PA, 18 de outubro de 1952). Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 25 de fevereiro de 2022). Canto e Piano; e Quarteto para Violino, Viola, Violoncelo e Piano.

Em minhas pesquisas, notadamente para escrever o livro “A Vida e a Obra de Wilson Fonseca (Maestro Isoca)”, em homenagem ao centenário de nascimento de meu saudoso pai, impresso na Gráfica do Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2012), observei que textos poéticos do Padre Manuel Albuquerque foram utilizados em obras musicais elaboradas pelo Dr. Heinrich Lemacher, Catedrático da Academia Nacional de Colônia e Professor do Instituto Científico de Música da Universidade, que havia convidado meu genitor para realizar um estágio na Alemanha, em meados do século XX:

  1. Lemacher, Heinrich (harm.); letra: Albuquerque, Manuel // Jaculatórias ao SS. Sacramento // Música Sacra 1954, 16/Vozes // MGA283,6;
  2. Lemacher, Heinrich (harm.); letra: Albuquerque, Manuel // Meu divino sacramento // Música Sacra 1954, 14/Vozes // MGA283,6;
  3. Lemacher, Heinrich (harm.); letra: Albuquerque, Manuel // Ó Deus escondido // Música Sacra 1954, 13/Vozes // MGA283,6;
  4. Lemacher, Heinrich: letra: Albuquerque, Manuel // Cântico dos Índios Mundurucus ao Menino Jesus // Música Sacra 1952, 184/Vozes // MGA283,4;
  5. Lemacher, Heinrich; letra: Albuquerque, Manuel // Hino à Santa Cruz // Música Sacra 1952, 58/Vozes // MGA283,4;
  6. Lemacher, Heinrich; Manuel Albuquerque // Pão da vida eterna (melodia do sertão da Bahia) // Vozes. Música Sacra 1952 // Va 112;
  7. Lemacher, Heinrich; Manuel Albuquerque; Tomás Samai // Cântico dos Índios Mundurucus ao Menino Jesus // Vozes. Música Sacra 1952 // Va 87.

Transcrevo os seguintes trechos do meu artigo sob o título “Rachel Peluso – compositora paraense“, publicado na obra coletiva “Mulheres da Música no Pará: compositoras, intérpretes e educadoras – Memória” (2022), tema da Revista da Academia Paraense de Música nº 02 (p. 125-143):

Canção da Santarena” (Rachel Peluso). Letra: Padre Manuel Albuquerque. Interpretação: Efigênia Côrtes (canto) e Edmundo Villani-Côrtes (piano). Concerto realizado em homenagem a Rachel Peluso, na Casa de Cultura de Santo Amaro (SP), em maio de 2010 [disponível no Youtube, conforme link mencionado no artigo de minha lavra].

Uma curiosidade: tanto Wilson Fonseca (Maestro Isoca) como Rachel escreveram músicas para a mesma letra (poema) da “Canção da Santarena” (Padre Manuel Albuquerque).

Embora as composições tenham sido escritas em localidades distantes (Santarém e São Paulo), percebe-se, certamente por mera coincidência, alguma semelhança entre as duas músicas, criadas para o mesmo texto poético. 

A “Canção da Santarena”, cuja música é de autoria de Wilson Fonseca, foi composta em 1958. A peça foi gravada pela soprano Madalena Aliverti, acompanhada, ao piano, pela Professora Lenora Brito, no CD “Wilson Fonseca” – Projeto Uirapuru (O Canto da Amazônia), Volume 1, que registra parte do Concerto em homenagem a Wilson Fonseca (“Hino a Santarém”), realizado em agosto de 1995, no Teatro Margarida Schiwazzappa, no Centur (Belém-PA), sob o patrocínio da SECULT (Secretaria de Cultura do  Governo Estadual do Pará), em comemoração ao transcurso do 75º aniversário de vida musical do compositor santareno. A canção também foi gravada, em 2008, pelo Coral FIT (Faculdades Integradas do Tapajós), sob a regência de Ádrea Figueira Lopes Fonseca e acompanhamento, ao piano digital, de José Agostinho da Fonseca Neto e Ruimerson Vilasbôas. CD “Coral FIT 2” – Produção: Josué Canto (Quarteto Show & Cia.) – Santarém (PA).

Eu assisti a própria Rachel Peluso tocando a sua “Canção da Santarena”, ao piano, em sua casa, em 1963, na capital paulista e logo percebi a similitude com a obra musical, que tem o mesmo nome, de autoria de Wilson Fonseca, certamente porque ambas foram compostas sob a inspiração do belo texto poético do notável Padre Manuel Albuquerque.

Mistérios da arte da música que não se explica.

Destaco dois poemas de autoria do Padre Manuel Rebouças e Albuquerque. O primeiro tem música de Wilson Fonseca; e o segundo, foi por mim musicado.

Prova Infalível – Noturno nº 2. Letra: Padre Manuel Albuquerque (Braga-Portugal, 1949). Música: Wilson Fonseca (Santarém-PA, 1965).

“Prova Infalível” é o Noturno nº 2, composto por Wilson Fonseca em 1965, com texto poético de Padre Manuel Albuquerque, um dos poemas, em língua portuguesa, mais traduzidos para idiomas estrangeiros.

A obra foi apresentada na “Semana de Santarém”, no Theatro da Paz, em Belém (PA), em 1972, cantada pela soprano santarena Íris Fona, acompanhada, ao piano, por Wilson Fonseca.

O compositor também elaborou um Duo para Violino e Piano (1981), publicado no 4º Volume de sua Obra Musical (1982, p. 159-161) e gravado no CD “Encontro com Maestro Isoca” (2002), por Miguel Campos Neto (Violino) – atual regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz – e Adriana Azulay (Piano), sob os auspícios da Prefeitura Municipal de Belém (faixa 4).

Ainda jovem, eu assisti quando o Padre Manuel Albuquerque esteve em nossa casa, em Santarém, e falou com meu pai sobre o poema que desejava ver musicado. Naquela ocasião, ele revelou que o texto poético já havia sido traduzido para diversos idiomas, pelo que sugeriu a Wilson Fonseca que elaborasse uma peça musical capaz de comportar todas essas traduções para outras línguas. Isoca, então, compôs um noturno, inicialmente escrito para Canto e Piano.

Wilson Fonseca compôs centenas de músicas para poemas do Padre Manuel Albuquerque.

A última composição musical de meu avô paterno, José Agostinho da Fonseca, é uma “Ave Maria” – Salve, Regina! (Santarém-PA, 1938), com letra de Padre Manuel Albuquerque (1954).

O religioso e poeta Padre Manuel Albuquerque também é meu parceiro musical, pois eu escrevi sete composições para poemas de sua lavra, dois dos quais me foram gentilmente cedidos pelo Padre Sidney Canto, então Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós – IHGTap, do qual tenho a honra de ser membro e para o qual compus o hino oficial da entidade: “In Verbo Tuo” (Hino Sacro); e “Ser Mãe” (Valsa dos 90 Anos), música dedicada à minha saudosa mãe Rosilda, que fizera 90 anos em 20.02.2008.

Quando jovem, ajudei na celebração de Missas, como sacristão, dirigidas pelo Padre Manuel Albuquerque na Igreja Catedral de N. S. da Conceição, em Santarém (PA), ainda na época da liturgia com o texto latino.

Extraio os seguintes trechos do artigo “Manuel Albuquerque: o Amazonas dos poetas“, escrito por Cristovam Sena, em 25 de novembro de 2017, e publicado, em 19 de fevereiro de 2023, no blog do Professor e Advogado José Ronaldo Dias Campos (por sinal, afilhado do religioso):

No dia 4 de dezembro de 1960, um domingo, no Colégio Santa Clara, aconteceu a festa de formatura dos alunos(as) do Dom Amando e do Santa Clara.

Padre Manuel Albuquerque conta no livro “A Glorificação do Monossílabo” que foi convidado pela Madre Epifânia para tomar parte nas solenidades: “Desejo ouvir a sua palavra calorosa e cheia de surpresas, porque festa do Santa Clara sem a palavra do Padre Manuel Albuquerque é coisa que não se compreende”. Nesse dezembro de 1960, estava fazendo dez anos que ele tinha regressado a Santarém e, segundo ele, “em breves dias devo dizer adeus a esta querida cidade da minha infância, onde o coração tem raízes que nunca poderão ser arrancadas …”.

O bispo Dom Tiago foi quem dirigiu a festa de formatura, na hora oportuna declarou que a palavra estava franqueada, e empurra delicadamente o Padre Manuel Albuquerque que estava sentado à sua direita. Com seu sotaque ianque inconfundível anuncia: “Vai falar o Padre Manuel”.

Padre Manuel fala aos jovens por uma hora. Seu discurso de improviso foi denominado por ele de “O Fim”. E ele, assim, inicia sua oratória:

“Reparai nessa palavra FIM. É um expressivo monossílabo, que para vós deve ser uma divisa, que para vós deve ser um programa. A palavra FIM não quer apenas dizer Termo, Conclusão, Encerramento, mas – muito mais – quer dizer também Destino, Finalidade, Princípio. E, nesse caso, o FIM é Deus, porque Deus é o Princípio.”

“JÁ tereis porventura reparado que, – JÁ?… – queridos jovens, que as mais altas, as mais grandiosas, as mais belas, as mais terríveis, as mais enternecedoras ideias se exprimem por um simples monossílabo? Reparemos algumas delas: Deus, Pai, Mãe, Ser, Luz, Sol, Mar, Céu, Ar, Flor, Cor, Som, Voz, Paz, Bem, Mal, Sim, Não, Cruz, Dor, Lei, Rei, Fé, Crer, Ver, Ler, Ter, Dar, Pão, Sal, Mel, Pó, FIM.”

Ao encerrar sua fala Padre Manuel Albuquerque foi ovacionado e praticamente intimado a por no papel e publicar sua oração aos jovens. Assim nasceu “A Glorificação do Monossílabo”, editado em Belém um ano após a solenidade de formatura do Dom Amando e Santa Clara.

A história do “Sorrisos de minha Mãe” guarda alguns fatos pioneiros ocorridos em Santarém. O livro foi impresso em Belém pela H. Barra, mas Padre Manuel fez questão que fosse lançado primeiramente aqui.

O Jornal de Santarém noticiou o lançamento do livro: “Apesar da chuva miudinha e apesar também da chegada do “Lauro Sodré” [navio] no horário da reunião, revestiu-se de grande êxito o Festival de Autógrafos do Rvd. Padre Manuel Albuquerque, no salão do Centro Recreativo, às 10 horas da manhã do dia 25 de junho de 1961″.

Durante a cerimônia falaram o bispo Dom Tiago e os políticos Silvério Sirotheau Corrêa e Armando Nadler. O jovem ginasiano Ronaldo Campos, em nome de Océlio de Medeiros, leu documento enviado pelo deputado elogiando o valor do livro.

Antonieta Dolores Teixeira comentou o pioneirismo do evento nas páginas do O Jornal de Santarém:

“Pela primeira vez, nesta cidade, tivemos a honra de autógrafos. Foi uma hora de encantamento. Infelizmente o nosso público ainda não sabe apreciar as coisas boas. Uma festa de Arte Literária quase sempre tem uma assistência reduzida, o que demonstra a falta de interesse da nossa gente pelas coisas do espírito.”

No dia 22 de julho de 1961 Padre Manuel Albuquerque receberia em sessão especial no salão nobre da Câmara Municipal o título de Cidadão Santareno, que pela primeira vez estava sendo concedido. Presente o prefeito Ubaldo Corrêa. O vereador Nicolino Campos, presidente da Câmara, falou em nome dos vereadores e entregou o diploma ao homenageado. Enquanto que Paulo Lisboa, também vereador, falou em nome dos antigos alunos do Padre Manuel.

Padre Manuel Rebouças de Albuquerque, pioneiro a participar de uma sessão de autógrafos, pioneiro a receber o Título de Cidadão Santareno. Era membro honorário das Academias de Letras do Maranhão, Ceará e Amazonas. Faleceu no Rio de Janeiro, a 7 de janeiro de 1977.

http://joseronaldodiascampos.blogspot.com/2023/02/manuel-albuquerque-o-amazonas-dos-poetas.html

https://www.icbsena.com.br/artigo.php?id_artigo=55

José Ronaldo Dias Campos publicou no mesmo blog, em 09 de agosto de 2020, a interessante matéria sobre o seu padrinho:

Manuel Albuquerque, o nosso padre socialista

Recebi, via Whatsaap, do colega de turma do Colégio Dom Amando, Manuel do Espírito Santo Lisboa, a interessante informação a respeito do padre, poeta e educador Manuel Rebouças Albuquerque:

 “JR, o Pe. Manuel Albuquerque quando retornou a Santarém tinha ideal socialista, talvez pela influência do regime comunista, onde esteve algum tempo estudando na Europa. Ele queria fazer uma reforma agrária, mas o Norte tinha mais terra do que habitantes. Então voltou sua ação para ajudar os nordestinos que aqui chegavam. Para cada casal que chegava ele doava uma porção de terra e dois cavalos para que fossem para o Planalto. Ainda tem gente viva que recebeu isso. Se tiver interesse em saber sobre esta história, liga para o Mauro Sirotheau, meu sobrinho, que ele te coloca com o pai de um amigo dele que recebeu esta ajuda.”  (Pe. Manuel e minhas irmãs na fotografia).

http://joseronaldodiascampos.blogspot.com/2020/08/manuel-albuquerque-o-nosso-padre.html

Isoca musicou o poema “Prova infalível”

Publicado em 25/11/2010 por Jeso Carneiro, jornalista

Veja o que localizei na Internet sobre o extraordinário poema “Prova Infalível”, de autoria do Padre Manuel Albuquerque, que conheci pessoalmente.

SONETOS BRASILEIROS MAIS FAMOSOS

O Brasil pode orgulhar-se de possuir uma plêiade de poetas maravilhosos e famosos.

Muitos destes poetas se projetaram no cenário poético mundial, muitas das suas poesias são traduzidas e lidas pelo mundo afora.

Alguns dos sonetos e poemas brasileiros que mereceram numerosas traduções para línguas estrangeiras, são: “Círculo Vicioso”, de Machado de Assis; “As pombas” e “Mal Secreto”, de Raimundo Correia; “Ouvir estrelas” e “Virgens Mortas”, de Olavo Bilac; “Essa Nega Fulô”, de Jorge de Lima; são alguns dos sonetos e poemas brasileiros que mereceram numerosas traduções para línguas estrangeiras.

Entretanto, os sonetos “Prova Infalível”, do Pe. Manuel Albuquerque, e “Apelo”, de Eno Theodoro Wanke, são casos excepcionais, pois contam com número imensamente maior de traduções, inclusive para línguas e dialetos de quase todo o mundo.

PROVA INFALÍVEL

O soneto foi composto em 4 de março de 1949, na cidade portuguesa de Braga, onde o autor, Pe. Manuel Albuquerque (1906-1977), da Congregação do Espírito Santo, residiu por alguns anos.

E foi publicado em livro, pela primeira vez, em “Maria, Minha Poesia” (sonetos Mariais), do autor, no Natal de 1949.

Daí por diante, passou a ser reproduzido em jornais e revistas de Portugal e do Brasil.

A primeira tradução foi feita para o italiano, sendo autora do trabalho a escritora (italiana) Nera de Paula Cidade Ponsiglione. Depois, elas se multiplicaram.

O Padre Manuel Albuquerque relacionou 43 traduções de seu conhecimento até o fim de 1972.

Traduções realizadas para 23 línguas diferentes, inclusive dialetos.

São as seguintes: em “Castelhano”, 8; em “Francês”, 5; em “Latim”, 5; em “Alemão”, 3; em “Polonês”, 3; em “Sérvio”, 2; e uma tradução para cada um dos idiomas: “Italiano”, “Inglês”, “Romeno”, “Húngaro”, “Russo” (Ucrânia), “Lituano”, “Chinês” (Formosa), “Armênio”, “Árabe”, “Luxemburguês”, “Neerlandês” ou “Holandês”, “Língua Geral” (ou Nheengatu), “Tiluba”(a principal Língua do Antigo Congo Belga), “Idixe” (ou o Hebraico Moderno, língua usada pelos Judeus de nossos dias), “Esperanto”, “Eclético” (espécie de Esperanto), “Grego Moderno”.

Padre Manuel Albuquerque – Nasceu, em 1907, no Amazonas, e faleceu, em 1977, no Rio de Janeiro.

A forma definitiva do soneto, segundo afirmação do próprio autor, em seu opúsculo “Prova Infalível”, editado em 1964, sob os auspícios do Governo do Pará, como homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

Clube da Poesia – Academia Brasileira de Literatura Poética – A magia dos sonetos.

Saiba mais sobre o famoso soneto do Padre Manuel Albuquerque, no site “O Secular Soneto, ‘Traje de gala da poesia’“, cuja música é de autoria de Wilson Fonseca (Maestro Isoca):

https://osecularsoneto.blogspot.com/p/os-sonetos-brasileiros-mais-traduzidos.html .

O belo noturno “Prova Infalível” consta da gravação do CD “Encontro com Maestro Isoca”, registro, ao vivo, do último recital, em homenagem ao compositor Wilson Fonseca, ocorrido na capital paraense, em 08 de janeiro de 2002, idealizado pela Professora Glória Caputo e por mim organizado, com a participação do Maestro e familiares, dois meses antes de seu falecimento, disco lançado na 2ª Bienal Internacional de Música de Belém, em 22 de setembro de 2002, pela Prefeitura Municipal de Belém (Administração: Edmilson Rodrigues), no Palco da Aldeia Cabana de Cultura Amazônica “David Miguel”. Intérpretes: Miguel Campos Neto (violino) e Adriana Azulay (piano). Miguel Campos Neto é o atual Maestro Titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, em Belém (PA). 

Ouça a música:

Mais informações sobre o Padre Manuel Albuquerque no livro “Meu Baú Mocorongo” (Wilson Fonseca), impresso por RR Donnelley Moore (SP) e editado pelo Governo do Estado do Pará (Secretaria Especial de Promoção Social, Secretaria Executiva de Cultura e Secretaria Executiva de Educação), parte do Projeto Nossos Autores, coordenado pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares (SIEBE), lançado em Santarém (PA), em 17.11.2006 (2º volume, p. 487/489). E, ainda, no livro “Antologia dos Poetas Santarenos“, edição comemorativa dos 337 anos de fundação de Santarém-PA (1661-1998), coordenada por Élcio Amaral de Sousa, Coordenador Municipal de Cultura, e organizado por Emir Hermes Bemerguy.

Apreciemos a letra do belo poema “Prova Infalível”, com as repetições de versos introduzidas pelo compositor da música:

PROVA INFALÍVEL[1]

(Noturno nº 2)

Letra: Padre Manuel Albuquerque (Braga-Portugal, 04.03.1949)

Música: Wilson Fonseca (Santarém-PA, 1965)

Quando eu soltar

Meu último suspiro;

Quando o meu corpo

Se tornar gelado,

E o meu olhar

Se apresentar vidrado

E quiserdes saber

Se inda respiro…

Eis o melhor processo

Que eu sugiro:

– Não coloqueis

O espelho decantado,

Em frente ao meu nariz,

Mesmo encostado,

Porque não falha,

Porque não falha

A prova que eu prefiro:

– Fazei assim,

Fazei assim,

Fazei assim:

– Por cima do meu peito,

Do lado esquerdo,

Colocai a mão,

E procedei, seguros,

Deste jeito:

– Gritai “Maria”,

Gritai “Maria”

Ao pé do meu ouvido,

E se não palpitar

Meu coração,

Então é certo,

Então é certo,

Então é certo

Que eu terei morrido!…

“SER MÃE”

(Valsa dos 90 Anos)

Letra: Padre Manuel Albuquerque

Música: Vicente José Malheiros da Fonseca[2]

(Belém-PA, 28.10.2007)

Ser Mãe é ser Bondade, é ser Carinho;

Ser Mãe é ser o Anjo Tutelar

Que vai à nossa frente e arranca o espinho;

Ser Mãe é ser na terra o verbo “AMAR” …


Ser Mãe é ter no filho o seu cadinho;

É ter o coração maior que o Mar;

É Mônica no encalço de Agostinho;

É o verbo mais divino: – “PERDOAR!…”


Ser Mãe é ser o extremo da Coragem;

É ser Nossa Senhora em viva imagem;

É ser do filho o inesgotável dom!…


Ser Mãe é dar o Céu ao Pobre e ao Triste;

Ser Mãe é demonstrar que Deus existe,

Por ser sempre o melhor de quanto é bom!…

ROSILDA, ROSILDA, ROSILDA, ROSILDA,

TU ÉS O NOSSO AMOR!

Ouça a música “SER MÃE“, com arranjo para Violino e Piano (Belém-PA, 13 de maio de 2023).

Escrevi esse novo arranjo na véspera do “Dia das Mães”, para Violino e Piano, ao lembrar que minha saudosa mãe tocava Violino, quando jovem, e meu saudoso pai tinha como instrumento principal o Piano.


[1] Música incluída no CD “Encontro com Maestro Isoca” (arranjo para Duo de Violino e Piano), lançado em 2002, sob os auspícios da Prefeitura Municipal de Belém (faixa 4). O texto poético do noturno “Prova Infalível”, elaborado originariamente em forma de soneto, foi traduzido para cerca de 50 línguas estrangeiras diferentes, inclusive a “língua geral” (Nheengatu), o hebraico, o esperanto e até dialetos, segundo o próprio autor revelou em 1972.

[2] Dedicada à minha querida mãe (Rosilda), que completara 90 anos em 20.02.2008. Introdução e Coda extraídas da valsa “Rosilda” (Wilson Fonseca). O acréscimo da letra, na Coda, é do compositor.

Padre Manuel Albuquerque com alunos concluintes da Escola de Datilografia Pratt dirigida por Maria Annita Fonseca de Campos (Santarém-PA) – década de 50.
Vicente Malheiros da Fonseca
Vicente José Malheiros da Fonseca é Desembargador do Trabalho de carreira (Aposentado), ex-Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (Belém-PA). Professor Emérito da Universidade da Amazônia (UNAMA). Compositor. Membro da Associação dos Magistrados Brasileiros, da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 8ª Região, da Academia Brasileira de Direito do Trabalho, da Academia Paraense de Música, da Academia de Letras e Artes de Santarém, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, da Academia Luminescência Brasileira, da Academia de Música do Brasil, da Academia de Musicologia do Brasil, da Academia de Música do Rio de Janeiro, da Academia de Artes do Brasil, da Academia de Música de Campinas (SP), da Academia de Música de Santos (SP), da Academia Paraense de Letras Jurídicas, da Academia Paraense de Letras, da Academia Brasileira de Ciências e Letras (Câmara Brasileira de Cultura), da Academia Brasileira Rotária de Letras (ABROL) - Seção do Oeste do Pará, da Academia de Música de São José dos Campos (SP), da Academia de Música de São Paulo. Membro Honorário do Instituto dos Advogados do Pará. Sócio Benemérito da Academia Vigiense de Letras (Vigia de Nazaré-PA).

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2 Comentários

  1. Belém, 28 de fevereiro de 2024
    Prezado amigo e conterrâneo Vicente José Malheiros da Fonseca

    Fiquei encantado com tanta riqueza do acervo poético do saudoso Pe. Manuel Albuquerque, e ainda mais, quando tendo sido aparelhado suas melodiosas letras com a performance musical de três gerações da família dos “Fonsecas”. Foi a união de duas escolas poéticas extraordinárias, que merecem ser mais conhecidas e estudadas pelos maestros e cancioneiros do Brasil e do mundo.
    São esplêndidas essas obras literárias e musicais, que edificam a cultura amazônica e enaltecem o protagonismo dos intelectuais santarenos.
    De minha parte fiquei interessado nas letras e músicas “Rio Amazonas” e generosas “Mangueiras” de Santarém e Belém, alimentando crianças e pobres nas ruas.
    Vivemos tempos de devastação florestal, e precisamos mais do que nunca, reflorestar campos e áreas urbanas das capitais e das cidades do interior.
    Essas letras e músicas podem muito bem ser os instrumentos de uma campanha que as prefeituras poderiam promover para a arborização de suas cidades.
    Fica aqui subscrito os meus agradecimentos pela publicação de tão elevadas
    letras e músicas de figuras expoentes da literatura nacional.

    Atenciosamente

    Escritor e letrista: Juarez Bezerra Regis de Souza

    1. Muito obrigado pela valiosa publicação

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