Publicado em: 1 de julho de 2026
O Centro de Estudos Cinematográficos promove, nesta quarta-feira, 1º de julho, às 18h30, a Roda de Cinema “Cinema dos Anos 90”. Sob a coordenação do Prof. Dr. Marco Antonio Moreira Carvalho, o encontro gratuito será na Casa das Artes e propõe uma imersão analítica nos títulos, autores e rupturas estéticas que consolidaram o período entre 1990 e 1999 como um dos seminais do audiovisual contemporâneo. A atividade confere certificado de participação.
Destinado a acadêmicos, pesquisadores e cinéfilos, o debate contextualiza a produção da década sob múltiplos eixos estruturais: a efervescência do circuito independente norte-americano, o fenômeno da Retomada no cinema brasileiro, o advento disruptivo dos efeitos visuais digitais (CGI) e as novas dinâmicas de distribuição e exibição em uma era imediatamente anterior à hegemonia do streaming e da internet banda larga.
O debate utilizará como ponto de partida uma filmografia multifacetada, representativa das transformações da linguagem cinematográfica da época. Entre os destaques da pauta estão:
O Estilo e a Violência Estilizada: A consolidação de autores como Quentin Tarantino, através do impacto de Cães de Aluguel (1992) e do divisor de águas Pulp Fiction (1994), além do rigor estético de David Fincher em Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995) e Clube da Luta (1999).
O Cinema de Fluxo e a Virada de Século: A ficção científica filosófico-tecnológica de Matrix (1999) e a distopia midiática de O Show de Truman (1998), obras que anteciparam as angústias do novo milênio.
A Retomada Brasileira: O marco zero do reerguimento da indústria nacional com Carlota Joaquina: Princesa do Brasil (1995), de Carla Camurati, e a consagração internacional de Central do Brasil (1998), de Walter Salles.
O Rigor do Cinema Europeu e Asiático: A célebre Trilogia das Cores (A Liberdade é Azul, A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha), do polonês Krzysztof Kieślowski; o lirismo investigativo dos iranianos Abbas Kiarostami (Gosto de Cereja) e Jafar Panahi (Close-Up); e o épico histórico chinês Adeus, Minha Concubina, de Chen Kaige.
Como balizas de transição e amadurecimento de gênero, o encontro também recuperará o suspense psicológico de O Silêncio dos Inocentes (1991), o cinismo pop de Trainspotting (1996), a ironia geométrica dos irmãos Coen em Fargo (1996) e a polifonia narrativa de Magnólia (1999). O debate estende-se ainda a Sexo, Mentiras e Videotape (1989), de Steven Soderbergh, considerado o autêntico catalisador do modelo de produção indie que viria a redefinir o mercado na década seguinte.
“A iniciativa busca valorizar diferentes períodos da história do cinema, estimulando a reflexão crítica e ampliando o repertório do público sobre obras fundamentais de diversas épocas”, comenta Marco Antonio Moreira.
Atuante na Casa das Artes desde 2015, o Centro de Estudos Cinematográficos consolidou sua relevância institucional em 2025, quando passou a integrar as ações de extensão do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Pará, fortalecendo o elo entre a pesquisa acadêmica e a formação de público na capital paraense.










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