Publicado em: 21 de junho de 2026
A segunda rodada da Copa do Mundo de 2026 segue consolidando uma das edições mais imprevisíveis dos últimos tempos. Em diferentes grupos, favoritos confirmaram seu poderio, seleções emergentes mostraram força competitiva e algumas histórias improváveis passaram a dividir espaço com as tradicionais potências do futebol mundial. O resultado é um torneio cada vez mais aberto e marcado por narrativas que desafiam expectativas.
Na sexta (19), jogando em casa, os Estados Unidos garantiram sua classificação à próxima fase, ao derrotar a Austrália por 2 a 0. Diante de sua torcida, os norte-americanos controlaram a partida e mostraram maturidade tática. Com o resultado, a equipe anfitriã fortalece sua candidatura a uma campanha histórica, aproveitando o entusiasmo gerado pela realização da Copa em território nacional.
Outro destaque da rodada foi Marrocos, que venceu a Escócia por 1 a 0 e manteve viva a possibilidade de avançar às oitavas de final. Depois da surpreendente campanha no Mundial de 2022, quando alcançou as semifinais, os marroquinos demonstram que seu sucesso não foi obra do acaso. Agora, a classificação será decidida em confronto contra o fraco Haiti. Com a Seleção Brasileira somando quatro pontos em dois jogos, assim como Marrocos – e a Escócia, com 3 -, a rodada final promete fortes emoções e múltiplas combinações matemáticas.
No Grupo E, já no sábado (20), o Paraguai voltou a celebrar uma vitória em Copas do Mundo após 16 anos. O triunfo por 1 a 0 sobre a Turquia, construído com um gol relâmpago de Galarza, eliminou os turcos e recolocou os paraguaios na disputa por uma vaga na fase seguinte. É um resultado simbólico para uma seleção que busca recuperar a autoestima – e que foi “atropelado” pelos ianques na primeira rodada.
A Holanda protagonizou uma das atuações mais impressionantes do torneio ao atropelar a Suécia por 5 a 1. O grande destaque foi Gakpo. Além da goleada, os holandeses quebraram um recorde histórico de 60 anos de invencibilidade em fases de grupos de Copas do Mundo que pertencia ao Brasil. O feito reforça a força ofensiva da equipe e a coloca entre as candidatas mais consistentes ao título. Por ora, a Holanda enviu um forte recado claro aos adversários.
Também merece destaque a classificação da Alemanha para a segunda fase. Após as eliminações traumáticas ainda na fase de grupos em 2018 e 2022, os alemães venceram a Costa do Marfim, de virada, e garantiram o retorno ao mata-mata. Os gols da vitória por 2 a 1 foram do atacante alemão com ascendência turca, Deniz Undav. Embora ainda não apresentem o futebol dominante de outras gerações, os tetracampeões mundiais demonstram sinais de reconstrução.
Já Equador e Curaçao empataram sem gols em um jogo que ficará marcado principalmente pela atuação do goleiro Room, decisivo para assegurar um resultado histórico para os caribenhos. Em Curaçao, o empate foi comemorado como uma verdadeira façanha nacional.
À medida que a fase de grupos se aproxima do fim, a Copa de 2026 reforça uma tendência cada vez mais evidente: a distância entre as seleções tradicionais e as emergentes diminui a cada edição. Alemanha tenta renascer, Holanda quebra marcas históricas, Marrocos sonha repetir façanhas recentes e Curaçao celebra um ponto que vale como conquista coletiva.
Talvez a maior lição deste Mundial seja justamente essa: quem insistir em confiar apenas no passado pode descobrir, tarde demais, que a Copa pertence cada vez mais aos que ousam construir o futuro.

Crédito da foto: Jorge Sauma, jornalista brasileiro (registro do estádio Lumen Field, em Seattle/EUA, quando do jogo entre Estados Unidos 2 X Austrália 0, no sexta, 19)
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista








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