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O primeiro capítulo da decisão da Copa Verde 2026 terminou com vantagem expressiva para o Grêmio Anápolis. Na noite desta quinta-feira (4), no estádio Jonas Duarte, em Anápolis (GO), o time goiano venceu o Paysandu por 3 a 1 e abriu caminho rumo a uma conquista inédita. O meia Juninho, Matheus Lagoa e Leonan marcaram para os donos da casa, enquanto o centroavante Juninho descontou para o Papão já nos acréscimos da etapa final.

A atuação do Anápolis chamou atenção pela intensidade e pela postura de quem encarava uma verdadeira decisão. Mesmo vivendo uma campanha complicada na Série C, o Galo da Comarca voltou a demonstrar a competitividade que o levou ao título da Copa Centro-Oeste e agora o coloca em boas condições na luta pela taça da Copa Verde. Entre os destaques esteve o meia Juninho, ex-Paysandu. A chamada “lei do ex” apareceu. Curiosamente, quando vestiu a camisa bicolor entre 2024 e 2025, o jogador esteve longe de corresponder às expectativas criadas pela torcida paraense.

Do outro lado, o Paysandu teve uma de suas atuações mais decepcionantes na temporada. A equipe entrou desconectada do jogo, sofreu dois gols em falhas defensivas ainda no primeiro tempo e, mesmo tendo um jogador a mais por mais de 30 minutos após a expulsão de Hélder, não conseguiu exercer pressão consistente. Pior: ainda sofreu o terceiro gol em uma jogada originada de escanteio. Apenas nos minutos finais o time paraense conseguiu diminuir o prejuízo, com o atacante Juninho, mais uma vez decisivo e “predestinado”, marcando o gol que manteve viva a esperança dos torcedores bicolores presentes ao Jonas Duarte.

Tecnicamente, o rendimento coletivo do Paysandu foi muito abaixo do esperado. Embora a maior parte dos titulares tenha sido preservada recentemente justamente para chegar em melhores condições à decisão da Copa Verde, o descanso não se traduziu em desempenho. A postura inicial da equipe, as dificuldades de reação e as alterações promovidas ao longo da partida levantam questionamentos sobre as escolhas da comissão técnica. O cenário se torna ainda mais preocupante quando se observa que o Papão sofreu sete gols nos últimos três jogos. Além disso, a limitação de opções no elenco, um problema já identificado em outros momentos da temporada, voltou a ficar evidente.

A decisão segue aberta, mas o desafio bicolor é enorme. O jogo de volta será disputado neste domingo (7), no Mangueirão, em Belém. Para levantar a taça no tempo normal, o Paysandu precisará vencer por três gols de diferença. Caso devolva a desvantagem de dois gols, a definição será nos pênaltis. A expectativa é de grande público, com a torcida bicolor transformando o Mangueirão em um caldeirão na tentativa de empurrar o time rumo a mais uma virada histórica.

A Copa Verde representa muito para os dois clubes. O Anápolis está a um passo de conquistar um título inédito e entrar definitivamente para a história da competição. Já o Paysandu busca o hexacampeonato, reforçando sua condição de maior vencedor do torneio e consolidando ainda mais sua posição como o clube mais vitorioso da Amazônia brasileira. 

Depois de uma noite de festa goiana no Jonas Duarte, o último capítulo dessa saga será escrito diante da força das arquibancadas do Mangueirão.

Foto em destaque: Anápolis x Paysandu no estádio Jonas Duarte em 04.06.2026 (Rodolfo Marques)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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