0
 

O Paysandu voltou a mostrar, nesta quinta-feira (28), no estádio Carlos Zamith, em Manaus-AM, por que carrega a fama de clube copeiro. Diante do Nacional-AM, o Papão confirmou o favoritismo, venceu novamente e conquistou o bicampeonato da Copa Norte 2026 com autoridade. Ao levantar mais um troféu regional (o segundo consecutivo da competição), o time paraense deixou claro que cresce nos momentos decisivos e que sabe transformar pressão em desempenho. No agregado da final, um incontestável 5 a 2 sobre o adversário amazonense (1 a 0 na ida, com gol de Castro e 4 a 2 na volta, com gols de Caio Mello, Kleiton Pego, Thayllon e Marcinho).

A conquista ganha ainda mais relevância quando se lembra o percurso irregular da equipe na competição. O Paysandu teve uma primeira fase marcada por oscilações, utilizando um elenco mesclado e convivendo com atuações bastante distintas. Houve vitórias tranquilas sobre Trem-AP e GAS-RR, um triunfo difícil diante do Independência-AC, mas também derrotas vergonhosas para Guaporé-RO e para o próprio Nacional-AM (por goleada), justamente o adversário da decisão. O cenário levantava dúvidas sobre a capacidade do time em responder nos jogos grandes.

Mas foi exatamente na semifinal e, principalmente, na final, que o Paysandu reencontrou sua identidade competitiva. O time mostrou intensidade, agressividade ofensiva e maturidade emocional para controlar os confrontos decisivos. Em Manaus, o Papão atropelou o Nacional e não deixou margem para contestação. A equipe soube transformar a pressão em combustível, dominando o rival em praticamente todos os aspectos do jogo e reafirmando a diferença técnica e estrutural entre os clubes.

Os méritos da conquista precisam ser divididos. A direção de futebol, na figura do ex-presidente Alberto Maia, teve papel importante na sustentação do projeto. A comissão técnica também merece reconhecimento por fazer o certo na reta decisiva, escolhendo os melhores e encontrando equilíbrio competitivo. Mas o maior protagonismo pertence aos jogadores, que responderam dentro de campo com autoridade e personalidade, massacrando a equipe manauara na decisão. E, claro, há a torcida bicolor, fiel e incansável, que segue acompanhando o clube em qualquer lugar do país e transformando cada partida em uma demonstração de “Payxão”.

O título da Copa Norte reforça algo que o futebol brasileiro conhece há décadas: o Paysandu cresce quando a disputa envolve taça. Há clubes que jogam campeonatos; o Paysandu parece jogar decisões. O peso da camisa, a tradição copeira e a capacidade de mobilização da torcida fazem o clube alcançar um patamar diferente nos momentos mais importantes das temporadas. Em finais, o Papão raramente se intimida. Ao contrário: normalmente se fortalece.

Com os dois troféus já conquistados em 2026, o Paysandu consolida sua hegemonia local e regional e reafirma sua força esportiva no Norte do país. O momento é de confiança elevada e de ambições maiores. 

Agora, o clube volta suas atenções para a decisão da Copa Verde, contra o Anápolis-GO, além da sequência da Série C, competição em que ocupa a liderança. Se mantiver o nível competitivo demonstrado nas finais, o Papão seguirá transformando 2026 em uma temporada histórica, uma temporada de retomada, após o desastroso ano de 2025.

Foto em destaque: Nacional-AM x Paysandu, em 28.05.2026, no estádio Carlos Zamith, em Manaus-AM (Gabriel Bogea, empresário e torcedor )



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

Perguntas do Mahabahrata

Anterior

Você pode gostar

Comentários