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A rodada deste domingo (17) reservou emoções distintas para os clubes paraenses nas Séries C e A do Campeonato Brasileiro. O Paysandu sofreu a primeira derrota na competição ao perder por 2 a 0 para o Caxias, no estádio Centenário, enquanto o Clube do Remo conquistou uma vitória gigantesca fora de casa ao bater a Chapecoense por 3 a 2, na Arena Condá. Resultados diferentes, mas que ajudam a revelar o momento e os desafios de cada equipe paraense em 2026. 

Na Serra Gaúcha, o Paysandu esteve longe de apresentar o futebol consistente que vinha marcando sua campanha até aqui. A equipe entrou mal escalada, teve dificuldades de criação e viu o Caxias dominar boa parte das ações da partida. Para piorar, a arbitragem protagonizou mais um capítulo de polêmica nesta Série C, interferindo diretamente no andamento do jogo em lances muito contestados pela comissão técnica bicolor. A derrota por 2 a 0 encerra a invencibilidade do Papão, mas também serve como alerta para uma equipe bicolor. 

Mesmo com o tropeço, o cenário ainda é positivo para o Paysandu. As derrotas de Brusque-SC e Guarani-SP permitiram ao clube paraense permanecer na liderança da Série C, ainda com 14 pontos. Isso mostra que campanhas sólidas também se constroem na capacidade de suportar momentos ruins sem perder posição estratégica. O desafio, a partir de agora, será entender se o jogo em Caxias do Sul foi apenas um acidente de percurso ou um indício de limitações (no elenco e no planejamento) que podem reaparecer na sequência da competição. 

Se o Paysandu viveu uma tarde amarga, o Remo teve uma noite de redenção em Chapecó. A vitória azulina por 3 a 2 foi daquelas que mudam o ambiente de um campeonato inteiro. Em confronto direto contra um adversário que também luta contra o rebaixamento, o Remo mostrou coragem, intensidade e capacidade de reação. Mesmo sofrendo pressão em alguns momentos, a equipe soube aproveitar os erros da Chapecoense e encontrou forças para buscar um resultado que parecia improvável. 

O triunfo mantém o bom momento do Remo, que somou sete pontos nas últimas três partidas na Série A e começa, enfim, a apresentar sinais concretos de recuperação. Ainda na zona de rebaixamento, com 15 pontos e 31,25% de aproveitamento, o clube azulino segue pressionado pela tabela, mas já consegue enxergar uma possibilidade real de saída do Z4. Chama atenção a mudança de postura da equipe, hoje mais competitiva, organizada e emocionalmente preparada para enfrentar a dureza da Série A.

No fim das contas, o domingo do futebol paraense deixa perguntas importantes no ar. O Paysandu conseguirá transformar a derrota em aprendizado sem perder sua identidade competitiva? O Remo terá fôlego e regularidade suficientes para transformar reação em permanência? 

Em um esporte cada vez mais desigual financeiramente e cruel esportivamente, os clubes amazônicos seguem obrigados a provar, rodada após rodada, que podem sobreviver em meio às turbulências estruturais do futebol nacional.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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