0
 


Os jogos de ida da quinta fase da Copa do Brasil, envolvendo os titãs do futebol paraense, expuseram, com nitidez, escolhas e consequências para os clubes paraenses. Em Belém, o Paysandu foi superado por 2 a 0 pelo Vasco, em um jogo que evidenciou limitações técnicas e estratégicas diante de um adversário mais qualificado. Já em Salvador, o Remo protagonizou um resultado surpreendente ao vencer o Bahia por 3 a 1, mostrando eficiência e oportunismo mesmo atuando fora de casa. Dois cenários distintos e que encaminham a situação das duas equipes na competição

No caso do Paysandu, a derrota de terça (21), no Mangueirão, escancarou dificuldades que já vinham sendo percebidas na temporada. O time encontrou problemas na criação ofensiva, teve pouca capacidade de reação após sofrer o primeiro gol e viu o Vasco controlar o ritmo do jogo com relativa tranquilidade. Após um primeiro tempo em que poderia ter aberto o placar diante dos vascaínos, o Paysandu sucumbiu na etapa complementar. Faltaram qualidade, repertório, reposição no banco de reservas e capacidade de decisão em momentos-chave.

Embora a Copa do Brasil represente visibilidade nacional e um retorno financeiro significativo, o cenário indica de forma bastante clara que o grande objetivo do Paysandu segue sendo o acesso à Série B de 2027. Nesse contexto, o duelo de volta, no estádio São Januário, na primeira quinzena de maio, aparece muito mais como um cumprimento de tabela do que como uma real oportunidade de reversão. Diante de um Vasco mais estruturado e com a vantagem construída fora de casa, a tendência é de consolidação da classificação carioca às oitavas de final, a menos que o Paysandu consiga apresentar um nível de competitividade muito acima do que tem mostrado até aqui.

Por outro lado, o Remo fez exatamente o oposto do que se poderia esperar no atual contexto da temporada. Mesmo fora de casa, contra um Bahia competitivo, mas visivelmente cansado e pouco inspirado, o Remo mostrou organização, eficiência nas finalizações e uma postura corajosa. Venceu com total merecimento a partida disputada na Fonte Nova, na quarta (22). Soube explorar os espaços, foi letal quando teve chances e construiu um resultado que poucos projetavam.

Ainda que a Série A seja, sem dúvida, o grande objetivo da temporada, o desempenho na partida contra o Bahia indica que o Remo não está disposto a abrir mão de uma competição que pode trazer projeção esportiva e ganhos expressivos. A grande expectativa da torcida azulina é que resultados como o obtido em Salvador possam ser repetidos na Campeonato Brasileiro. Lá, a presença constante na zona do rebaixamento vem causando desconforto em toda a comunidade remista. De quebra, somando os dois duelos já realizados com o Bahia neste ano, o Remo tem um placar agregado de 7 a 2, com duas vitórias com total autoridade.

Os resultados da Copa do Brasil evidenciam caminhos distintos adotados pelos rivais paraenses na temporada. Enquanto o Paysandu reforça sua aposta no acesso à Série B, alinhando suas ambições às limitações de orçamento e de elenco, o Remo sinaliza um movimento mais ousado, ampliando horizontes mesmo sob a pressão constante imposta pela disputa da Série A.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

O dia do livro

Anterior

Você pode gostar

Comentários