Publicado em: 1 de junho de 2026
A noite de domingo, 31 de maio de 2026, produziu sensações opostas para os dois maiores rivais do futebol paraense. Enquanto o Paysandu deixou escapar pontos importantes ao sofrer a virada do Figueirense, em Santa Catarina, por 2 a 1, o Remo viveu a emoção do gol salvador nos minutos finais para derrotar o São Paulo por 1 a 0. Em um mesmo sábado, a frustração bicolor e a euforia azulina ilustraram os extremos que marcam a trajetória dos clubes paraenses nas competições nacionais.
O Paysandu chegou a Florianópolis-SP com a liderança da Série C e a responsabilidade de confirmá-la diante de um adversário que atravessava um momento delicado na competição. Mesmo utilizando uma formação alternativa, abriu o placar com Juninho e parecia ter o controle da partida. No entanto, as duas expulsões mudaram completamente o cenário, permitindo a reação do Figueirense e culminando em uma derrota por virada. Mais do que o resultado em si, a atuação evidenciou uma escolha estratégica questionável da diretoria e da comissão técnica, que optaram por preservar praticamente todo o time titular visando as finais da Copa Verde contra o Anápolis, marcadas para os dias 4 e 7 de junho. Na prática, o clube abriu mão de disputar com força máxima um confronto que poderia consolidar sua posição na competição.
A derrota não invalida a campanha consistente construída pelo Paysandu até aqui, tampouco diminui os méritos do trabalho realizado ao longo da temporada. Contudo, acende um sinal de alerta relevante. Competições de pontos corridos exigem planejamento cuidadoso, equilíbrio e capacidade de enfrentar cada rodada como decisiva. O episódio também expôs uma limitação evidente do elenco bicolor: a dificuldade de manter o mesmo nível de competitividade quando há necessidade de uma rotação mais ampla dos jogadores. Disciplina, maturidade e controle emocional continuam sendo fatores determinantes para equipes que almejam o acesso, mas a profundidade do elenco também faz diferença. O tropeço pode ser absorvido sem maiores consequências, desde que sirva como reflexão para evitar decisões semelhantes em momentos igualmente importantes da temporada.
Enquanto isso, em Belém, o Mangueirão foi palco de uma história completamente diferente. O Remo entrou em campo pressionado pela posição incômoda na tabela e diante de um adversário de grande tradição nacional. Durante boa parte da partida, o empate parecia ser o desfecho mais provável. No entanto, nos acréscimos, Marcelinho apareceu para marcar o gol da vitória e transformar a apreensão azulina em uma explosão de alívio e esperança. O resultado manteve viva a convicção de que a permanência na Série A ainda é uma meta possível.
Apesar da comemoração, a realidade azulina continua exigindo cautela. O Remo encerra este momento da competição com 18 pontos em 18 partidas, um aproveitamento pouco superior a 33%, índice insuficiente para garantir tranquilidade na luta contra o rebaixamento. A paralisação para a Copa do Mundo oferece uma oportunidade valiosa para ajustes técnicos, físicos e psicológicos, mas também impõe um longo período de espera até a retomada do campeonato, prevista para a segunda quinzena de julho, quando o clube fechará o primeiro turno diante do Corinthians, na capital paulista.
A partir daí, começará uma verdadeira corrida contra o tempo. Restarão 20 partidas, sendo dez em Belém e dez longe de seus domínios, em uma campanha que exigirá regularidade muito superior à apresentada até agora. Pelas projeções mais conservadoras, o clube azulino precisará conquistar algo próximo de nove vitórias, ou combinar oito triunfos com alguns empates estratégicos, para alcançar uma pontuação capaz de afastar definitivamente o risco da queda.
Talvez essa seja a principal lição deixada pelo fim de semana. O futebol paraense segue desafiando diagnósticos apressados e certezas absolutas. E, para bem ou para mal, é justamente essa imprevisibilidade que mantém o Pará olhando para seus gramados com esperança renovada a cada rodada.
Foto em destaque: Remo-PA x São Paulo-SP no estádio Mangueirão, em Belém-PA, em 31.05.2026 (Rodolfo Marques)
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista









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