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Para quem imaginava uma primeira rodada marcada apenas pelo favoritismo das grandes seleções, a Copa do Mundo de 2026 tem oferecido uma narrativa bem diferente. Encerrada nesta quarta-feira (17), a rodada inaugural reuniu os cinco jogos que faltavam para completar o ciclo inicial da competição. Em apenas sete dias, o Mundial já contabiliza 24 partidas disputadas, majoritariamente em território norte-americano, confirmando o caráter imprevisível que sempre transformou a Copa em um espetáculo global.

A abertura do dia trouxe a vitória da Áustria sobre a estreante Jordânia por 3 a 1. Embora os europeus tenham confirmado o favoritismo, o momento mais simbólico da partida pertenceu aos jordanianos, que marcaram seu primeiro gol em uma Copa do Mundo. O resultado coloca os austríacos diante de um desafio muito maior na próxima rodada, quando enfrentarão a Argentina de Lionel Messi, enquanto a Jordânia buscará seus primeiros pontos diante da Argélia.

Na sequência, uma das maiores surpresas da rodada. Portugal, dono de um dos elencos mais qualificados do torneio, ficou apenas no empate por 1 a 1 com a valente República Democrática do Congo. A seleção lusitana, recheada de talentos como Vitinha, João Neves, Nuno Mendes, João Cancelo, Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo, não conseguiu transformar sua superioridade técnica em domínio efetivo. CR7 teve atuação discreta, e a equipe dirigida por Roberto Martínez demonstrou momentos de excessiva lentidão e acomodação, cenário aproveitado pelos congoleses, que retornam ao Mundial(até 1997, o país de chamava Zaire, que participou da Copa no já longínquo 1974).

Se Portugal decepcionou, Inglaterra e Croácia protagonizaram o melhor jogo da Copa até agora. Reeditando a semifinal de 2018, as duas seleções ofereceram uma partida intensa, marcada por alternâncias no placar, pressão constante e futebol ofensivo. A qualidade individual acabou fazendo a diferença para os ingleses, especialmente através de Jude Bellingham e Harry Kane, autor de dois gols. A Croácia reagiu em diversos momentos, mas não conseguiu evitar a derrota diante de uma Inglaterra que sonha em repetir o feito de 1966 e conquistar seu segundo título mundial. A nota negativa foi a atuação do craque histórico croata, Luka Modrić.

Mais tarde, Gana confirmou sua força competitiva ao derrotar o Panamá em um confronto equilibrado e decidido apenas nos instantes finais. O triunfo reforça a tradição ganesa em Copas do Mundo e mantém viva a expectativa de uma campanha capaz de recolocar uma seleção africana entre as protagonistas do torneio. Gana fez oitavas-de-final em 2006 e quartas-de-final em 2010.

O encerramento da rodada aconteceu no lendário Estádio Azteca, onde a Colômbia venceu o estreante Uzbequistão por 3 a 1. Liderados pelo atacante Luis Díaz, os colombianos controlaram a maior parte do confronto e garantiram um resultado importante para suas pretensões. Para os uzbeques, a derrota não apagou o significado histórico da estreia na principal competição do futebol mundial. Já para a América do Sul, a vitória colombiana representou apenas o segundo triunfo do continente até aqui, após o sucesso da Argentina. Paraguai e Equador foram derrotados, enquanto Brasil e Uruguai ficaram em empates contra Marrocos e Arábia Saudita, respectivamente.

Com a primeira rodada concluída, a Copa de 2026 começa a revelar uma de suas principais mensagens: o peso da camisa continua relevante – mas outros fatores são mais relevantes. Estreantes marcaram gols, seleções consideradas menores desafiaram favoritos e equipes tradicionais precisaram lutar mais do que o esperado. Em um torneio cada vez mais equilibrado, talvez a maior lição destes primeiros sete dias seja que o futebol globalizou não apenas o talento, mas também as capacidades de competir e de surpreender.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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