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Os primeiros passos da Copa do Mundo de 2026 começaram diante de um cenário carregado de simbolismo. Na quinta-feira (11), no histórico Estádio Azteca, na Cidade do México, a seleção mexicana correspondeu às expectativas de sua torcida e conquistou uma vitória convincente na partida de abertura do torneio: 2 a 0 contra a África do Sul. Empurrados por mais de setenta mil torcedores apaixonados, os mexicanos mostraram intensidade, organização e personalidade, iniciando a campanha com o pé direito em um Mundial que, pela primeira vez, é sediado conjuntamente por três países da América do Norte.

Além do desempenho da equipe anfitriã, outro aspecto chamou atenção na estreia da competição: a arbitragem. O brasileiro Wilton Pereira Sampaio adotou uma postura rigorosa e expulsou três jogadores durante a partida, estabelecendo um parâmetro de tolerância reduzida para faltas violentas, reclamações excessivas e atitudes antidesportivas. A atuação do árbitro brasileiro pode indicar uma tendência para o restante do torneio, com maior rigor disciplinar e menor espaço para excessos dentro de campo.

Ainda no primeiro dia de disputas, a Coreia do Sul protagonizou uma das histórias mais interessantes até aqui. Diante da Tchéquia, os asiáticos saíram atrás no placar, mas demonstraram vigor físico, velocidade e capacidade de reação para construir uma virada merecida. O resultado reforça a tradição sul-coreana de apresentar equipes competitivas em Copas do Mundo e mostra que os representantes asiáticos chegam ao torneio com ambições maiores do que apenas participar da fase de grupos.

Já nesta sexta (12), o Canadá, outro país anfitrião, estreou diante de sua torcida e ficou no empate por 1 a 1 com a Bósnia e Herzegovina. O resultado refletiu o equilíbrio da partida. Os canadenses tiveram bons momentos ofensivos e contaram com o apoio do público local, mas encontraram dificuldades para transformar o domínio territorial em chances claras de gol. Já os bósnios mostraram organização defensiva e aproveitaram suas oportunidades para sair com um ponto importante na largada da competição.

A atuação mais convincente da rodada, entretanto, veio dos Estados Unidos. Jogando em casa, os norte-americanos derrotaram o Paraguai por 4 a 1 e enviaram um recado aos adversários. O grande nome da partida foi Folarin Balogun, autor de dois gols e principal destaque do confronto. Com velocidade, movimentação constante e eficiência nas finalizações, o atleta, ao lado do meia Pulisic, liderou uma equipe que combinou intensidade física e qualidade técnica, animando os torcedores estadunidenses para a sequência do Mundial.

Apesar da empolgação natural de uma Copa do Mundo, o nível técnico das primeiras partidas ficou abaixo do esperado. A ampliação do número de seleções participantes para 48 equipes parece ter contribuído para a presença de elencos menos competitivos, produzindo alguns jogos de qualidade apenas regular. Fora das quatro linhas, persistem os debates sobre os elevados preços dos ingressos e dos serviços oferecidos nos Estados Unidos, além de relatos de constrangimentos enfrentados por delegações e por torcedores. 

Resta saber se, nas próximas semanas, os protagonistas do futebol mundial conseguirão fazer prevalecer a qualidade dentro de campo e devolver o foco da competição para aquilo que realmente a transformou no maior espetáculo esportivo do planeta: o talento, a emoção e a capacidade de reunir diferentes povos em torno do jogo.

Crédito da foto: Renata Trindade (Estádio Azteca – Arquivo – foto feita em abril de 2026)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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