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O violonista, compositor, contador de histórias, professor, pesquisador e escritor Salomão Habib, membro da Academia Paraense de Letras, foi homenageado ontem (17) à noite pela Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Aldebaro Klautau com a inauguração de biblioteca com seu nome. Salomão desenvolve há anos seu projeto Cantar-o-lar, de alfabetização através da música, junto a escolas do Pará, muitas vezes em condições adversas e até embaixo de árvores, trabalho chancelado pela Unicef.


O justo reconhecimento pela comunidade escolar celebra uma das trajetórias intelectuais mais ricas da Amazônia e foi prestigiado pelo presidente da Academia Paraense de Letras, Ivanildo Alves, e o presidente da Academia de Letras e Artes da Polícia Militar do Pará, Coronel Marcus Ruffeil. Também tive o privilégio de estar presente, na condição de diretora de Biblioteca da APL.


Com mais de quatro décadas de carreira e sua obra declarada em lei Patrimônio Cultural Imaterial do Pará, Salomão Habib transforma a realidade através da arte. Não por acaso, seus próprios alunos protagonizaram as manifestações, cantando junto com ele no palco músicas de sua autoria. Há desenhos e pinturas com a sua face espalhados pelos corredores e salas no ambiente escolar. O carinho dos professores e alunos é visível em toda parte, inclusive no coquetel regional oferecido ontem, feito na escola a partir do premiado projeto de cultura alimentar “Delícias Sustentáveis”.


Ao batizar sua biblioteca Salomão Habib, a Escola Aldebaro Klautau transcende o mero protocolo institucional. Trata-se do reconhecimento de uma das mentes mais brilhantes da Amazônia contemporânea, que escolheu as salas de aula como palco para sua mais duradoura obra-prima.


A Escola Aldebaro Klautau emerge como autêntico laboratório de cidadania e inovação. Sob uma gestão profícua, visionária e alinhada com as urgências de seu tempo, converteu desafios estruturais e socioeconômicos em potência criativa, consolidando-se como farol de excelência pedagógica na rede pública paraense. O êxito da diretora Rosi Garcia e suas vice-diretoras reside na compreensão de que administrar uma escola vai além da manutenção de suas paredes e do cumprimento de calendários, envolve uma governança afetiva e descentralizada, em que o corpo docente, servidores, estudantes e familiares são coprodutores do saber. Essa sinergia transforma o ambiente escolar em ecossistema vivo, propício ao florescimento de projetos que impactam o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e a vida dos jovens.


Salomão Habib personifica a rara fusão entre a erudição técnica e a sensibilidade popular. Seu violão não é apenas um instrumento de deleite estético, mas uma ferramenta de emancipação social. Através de uma produção que abarca centenas de peças musicais, gravações e livros acadêmicos, ele decodifica a complexidade da alma amazônida e a traduz em uma linguagem universal e acessível.


O coração de sua revolução silenciosa bate no compasso do projeto Cantar-o-Lar. Ao compreender que o som precede a grafia e que o ritmo é a arquitetura natural do aprendizado infantil, Habib converteu o cancioneiro regional e os valores ecológicos em caminhos pedagógicos. A iniciativa tem resgatado milhares de crianças da invisibilidade cognitiva, provando que a arte não é um adorno na educação, mas o seu próprio alicerce.


Inscrever o nome de Salomão Habib na biblioteca de uma escola no bairro do Tapanã, na periferia de Belém, carrega um simbolismo profundo. A biblioteca, templo da palavra escrita, une-se à memória do homem que ensina a ler o mundo através dos sons. O exemplo do artista e literato nos recorda que o verdadeiro conhecimento na Amazônia floresce quando a erudição se curva, com sensibilidade e afeto, a proteger o futuro de suas crianças.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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