Publicado em: 15 de junho de 2026
O prefeito de Igarapé-Miri, Roberto Pina (PT), perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado. E o clã Faro – senador Beto Faro, deputada federal Dilvanda Faro e vice-prefeito do Acará Yuri Faro – deu uma demonstração de desarticulação partidária, no sábado passado, dia 13.
É que Dilvanda convidou para o lançamento de sua pré-candidatura à reeleição o presidente da Alepa, deputado Chicão, presidente estadual do União Brasil, que prestigiou o evento. Mas, ao discursar, Pina simplesmente disse com todas as letras que apoia Helder e Celso Sabino para o Senado, causando enorme constrangimento. Mais do que uma grosseria com o convidado especial, ele cometeu um ato falho político que certamente terá graves consequências à sua carreira eleitoral. Pois, não satisfeito em declarar seu voto, fez menção a uma recente reunião protagonizada por Helder Barbalho, e mandou um recado bem rude: “até” pode “levantar o braço de Chicão em julho”, mas antes eles (Pina, Helder e Chicão) teriam que “conversar”. Assim, como se fosse o último biscoito do pacote.
Há uma variação reflexiva do ditado “Em boca fechada mosca não entra” ou da passagem bíblica de Provérbios 17:28, que diz: “Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio; e o que cerra os seus lábios, por entendido”. No populacho: “Não fale demais para que os outros não saibam que você é tolo.”
A fala excessiva pode revelar falta de conhecimento ou precipitação, enquanto a discrição permite que uma pessoa observe mais e se exponha menos ao ridículo.
Na literatura sapiencial, há reflexões semelhantes que salientam como o controle das palavras preserva o indivíduo de problemas, a exemplo de: “O que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios tem perturbação”. Logo Roberto Pina terá entendido a dimensão de sua incontinência verbal.
Pois bem. O caso é que as negociações são intensas nos bastidores parauaras. E é provável que Celso Sabino (PDT) não seja candidato a senador. Pelo arranjo que está sendo costurado no núcleo duro do poder no Pará, a esposa de Celso Sabino, Erika (MDB), seria candidata à Câmara dos Deputados. Celso quer a vaga de vice de Hana Ghassan para si, mas não é crível que isso aconteça. O quebra-cabeça já envolve muita engenharia eleitoral para equacionar Dirceu Ten Caten e um líder evangélico. Uma alternativa seria Sabino ficar na coordenação da campanha e seria indicado por Helder para compor novamente o ministério de Lula. Além de outras compensações.
A conferir quando os partidos e federações protocolarem seus documentos perante a Justiça Eleitoral nos primeiros dias de agosto.










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