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A potência feminina em Benedetta, de Paul Verhoeven

A temporada 2022 de exibição cinematográfica em Belém sinaliza que ainda estamos num período de transição entre o que poderia estar simultaneamente nas salas de cinema e plataformas de streaming e o que realmente está disponível nas idas e vindas aos cinemas da cidade, se pensarmos na velocidade e variedade dos lançamentos no conforto doméstico com boa conexão de internet.

Com projeção no circuito comercial e alternativo, “Benedetta” (do diretor holandês Paul Verhoeven) é uma boa oportunidade de conferir reconstituição histórica e política com a noção de cinema como espetáculo e apelos de sexo e violência. 

O roteiro assinado por Verhoeven e David Birke propõe analogias contemporâneas ao colocar em movimento luta interna de classes, estratégias de poder, subjugação dos inimigos, empoderamento feminino e o eterno embate de líderes e funcionários religiosos sobre o dono ou a dona da voz de Deus, ou seja, a tutela (o pertencimento) de quem dá a voz da palavra de Deus na Terra.

Em “Benedetta”, o fervor das freiras à beira de um colapso nervoso se confunde com a necessária teatralidade como astúcia da sobrevivência política. O jogo polifônico de vontades em choque provoca reviravoltas inesperadas que dão tensão e ritmo ao filme. Alucinações, pesadelos e visões premonitórias também fazem parte da coreografia surreal que tem seu ponto de conflito na dissimulação e nas consequências trágicas de tratados desfeitos, traições e o avanço da peste medieval como metáfora poderosa de uma comunidade em transe.

A base de inspiração e adaptação para o cinema é o livro “Immodest Acts: The Life of a Lesbian Nun in Renaissance Italy”, de Judith C. Brown, que narra vários episódios da vida de Benedetta Carlini, freira italiana de um convento em Toscana, na Itália do século XVII. A protagonista (interpretada por Virginie Efira) é perturbada por visões religiosas e eróticas com Jesus Cristo e tem relação carnal com uma companheira de quarto, fato que desestabiliza a narrativa em meio ao conluio entre madre superiora (Charlotte Rampling) e o enviado do Vaticano (Lambert Wilson).

Em “Benedetta”, a direção de Paul Verhoeven remete aos trabalhos de dois realizadores de diferentes estilos que se aproximam por meio da temática do fanatismo: o inglês Ken Russel (“Os Demônios”) e o polaco Andrzej Wajda (“Os Possessos”). Em “Os Demônios” pelo relato histórico da queda de um líder religioso por prática de feitiçaria, acusações de uma freira reprimida que incita as acusações e os delírios visuais que caracterizam a filmografia de Ken Russel. Em “Os Possessos” pela atmosfera hipnótica que atrapalha a visão e o caráter dos personagens de Dostoievski: niilistas místicos treinados para derrubar a ordem vigente.

Porém, Paul Verhoeven segue trajetória própria, fiel ao estilo que o consagrou em trabalhos que oscilam entre o cinema com pretensões autorais e o cinemão comercial.  Filmes dos anos de 1970 como “Louca Paixão”, “O Soldado de Laranja” e “O Amante de Kathy Tippel” confirmam a primeira fase do realizador holandês com abordagens que caracterizam o clima da época: liberdade de costumes, dor, cinismo, resistência e contracultura.  A partir dos anos de 1980, a fase americana tem início com “Conquista Sangrenta”, onde a narrativa de filme de aventura alcança o circuito comercial e o então mercado de VHS. Depois, os sucessos de “Robocop – o policial do futuro”, “O Vingador do Futuro”, “Instinto Selvagem”, “Tropas Estelares” e o controverso “Elle”, com Isabelle Huppert. “Benedetta” cumpre o papel de encenação cinematográfica na linha que vai até o limite da histeria temática a que se propõe, com alusões ao fim do desejo recalcado, seios como vida, punições e tentativas de saída ou adaptação ao senso comum dos ditames religiosos e políticos.

Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação

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