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Estará em cartaz até o dia 9 de fevereiro no Museu de Arte de Belém (MABE) a exposição “VAZIOsobreTERRA: cocriar como rota de fuga” (“Absent Matters: co-creating as an emergency exit”), um projeto internacional que reúne 35 artistas de dez países do Sul Global para debater os efeitos da mineração sobre a crise climática e sobre as comunidades que vivem na linha de frente desse modelo de exploração. Lançada durante a COP30, a mostra propõe uma reflexão coletiva sobre destruição ambiental, desigualdade e possibilidades de transições mais justas, evidenciando também a potência da arte produzida na Amazônia. Cinco artistas parauaras integram a mostra, que pode ser visitada gratuitamente de terça a sexta, das 9h às 14h e, aos domingos, das 9h às 13h.

Um dos destaques é Evna Moura, artista visual nascida em Belém e criada no Marajó. Sua pesquisa reúne ecofeminismo, cosmologias amazônicas e conhecimentos ancestrais, compondo uma visualidade que confronta feridas deixadas pelo extrativismo e reinscreve o corpo como território de memória. Reconhecida por eventos internacionais e por prêmios como o OCUPA CCVM, Evna apresenta obras que revelam a ligação profunda entre espiritualidade, paisagem e resistência.

Outro nome fundamental é Sanchris, cuja trajetória, iniciada na década de 1980, examina o devir-feminino e o devir-negro como insurgências poéticas e políticas. Artista, professora e doutora em Ciências da Educação, ela construiu uma produção marcada por rigor investigativo e crítica social. Seus trabalhos, que transitam entre desenho, pintura, escultura e audiovisual, denunciam violências estruturais impostas às mulheres, ao mesmo tempo em que reivindicam espaços de autonomia criativa.

A nova geração amazônica está representada por Chico Ribeiro, artista amapaense radicado no Pará e graduando em Museologia pela UFPA. Instrutor de Desenho e Pintura, ele desenvolve pesquisas sobre corpo, cotidiano e pertencimento, temas que ganharam destaque no I Salão de Artes de Pequenos Formatos de Britânia, em 2019, e na série Mutirões, apresentada na II Bienal das Amazônias. Sua atuação amplia a emergência de vozes jovens que tensionam narrativas tradicionais sobre a Amazônia e ampliam o repertório visual da região.

Com mais de três décadas de produção, Lúcia Gomes é referência da arte contemporânea amazônica. Suas obras exploram pintura, instalação e fotografia, mobilizando memórias, crítica política e paisagens afetivas para desconstruir discursos consolidados sobre território e desenvolvimento. Participações em instituições da Europa, América Latina e do Brasil consolidam seu nome entre pesquisadores e curadores que investigam a produção visual amazônica.

Também integra o conjunto a artista, gestora cultural e curadora Nina Matos, que revisita e ressignifica imagens preexistentes para discutir identidade, violência e apagamentos históricos. Ex-diretora do MABE e da Casa das Onze Janelas, Nina foi responsável por iniciativas que ampliaram acervos, instituíram prêmios e fortaleceram políticas públicas para a arte no Pará. Em obras como Sangue do Brasil (2021), seu trabalho ressalta saberes tradicionais e confronta silenciamentos impostos às populações amazônicas.

“VAZIOsobreTERRA” é resultado de uma articulação internacional que envolve Gana, África do Sul, Quênia, Zimbábue, Paquistão, Irã, Alemanha, Índia, Turquia e Brasil, além de coletivos que articulam arte, ativismo e educação. A realização é do Coletivo WEBS, da New Futures Art Collaborative, da ART AFRICA e da Iniciativa da Mudança US (IoFC USA), com apoio do MABE, do Instituto Janeraka e do Pavilhão de Cultura + Entretenimento. A Guerrand Hermes Foundation for Peace (GHPF) atua como cofinanciadora.

O conceito curatorial parte da ideia de “vazio” como metáfora para territórios esvaziados pela exploração mineral, bem como para silenciamentos históricos que recaem sobre populações periféricas. Ao propor a “cocriação como rota de fuga”, a mostra convoca artistas e público a reconstruir imaginários e a pensar rotas alternativas diante de uma crise socioambiental que atinge de forma desproporcional povos do Sul Global.

Imagem em destaque: Evna Moura

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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