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Nesta sexta-feira (26), o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, abre a exposição “Quando o museu é rio”, desdobramento do projeto “Um rio não existe sozinho”, desenvolvido no ano passado no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém do Pará. A mostra, que reúne obras de artistas contemporâneos e acervos científicos, arqueológicos, etnográficos e biológicos, destaca a atuação histórica da instituição científica na Amazônia e as discussões em torno da classificação e da reorganização de acervos. Um dia antes, começa o seminário “Quando o museu é: acervos e futuros”, que reunirá pesquisadores, artistas, curadores, gestores e profissionais de museus para discutir as transformações das instituições museológicas, diante de seus acervos e das questões acerca da preservação, circulação, pesquisa e acesso. A exposição ficará em cartaz até 16 de agosto.


O projeto tem a curadoria de Ana Roman e Sabrina Fontenele, respectivamente, a superintendente artística e a curadora do Instituto Tomie Ohtake; e de Vânia Leal, pesquisadora e mestre em Comunicação, Linguagem e Cultura, com atuação da região Norte. A curadoria científica é assinada por Nelson Sanjad, Sâmia Batista e Sue Costa, pesquisadores do Museu Goeldi. Os artistas convidados são Déba Tacana, Elaine Arruda, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa, além do Estúdio Flume.


Entre os conjuntos apresentados, estão materiais ligados à Coleção Didática Emília Snethlage, utilizada em ações educativas do MPEG, além de pesquisas arqueológicas sobre pinturas rupestres amazônicas; do projeto Replicando o Passado, especialmente da experiência na “Oficina de reconexão e reprodução de cerâmica arqueológica Aristé”, desenvolvida com ceramistas do Pará e do Amapá, em abril deste ano; dos estudos sobre a descoberta de fósseis de preguiças-gigantes na Amazônia; de projetos científicos e ambientais, como o Esecaflor, desenvolvido na Floresta Nacional de Caxiuanã, dedicado à investigação dos efeitos das mudanças climáticas, entre outros.


A mostra propõe repensar o museu “não como instituição estável, mas como campo contínuo de relações entre território, ciência, espiritualidade e vida cotidiana”, em que os acervos deixam de operar como registros fixos do passado e passam a ser compreendidos como “matéria viva, a partir da qual é possível imaginar e construir outros futuros”, de acordo com as curadoras.


Em texto coletivo sobre o Museu Goeldi na exposição, Nelson Sanjad, Sue Costa e Sâmia Batista salientam as conexões entre pessoas, campos do conhecimento; humanos e não humanos, diferentes territórios, passado, presente e futuro e concluem: “Nessa trajetória de um museu-rio, as pessoas que o fazem – de dentro para fora e de fora para dentro – o renovam cotidianamente, inundam suas praias e fertilizam seu chão, dão voz e alma a cada imagem ou artefato que o passado transmitiu para nós. Um museu de portas abertas, um museu-mangue, é o que lança pneumatóforos (as raízes aéreas respiratórias) em todas as direções, aproximando territórios e coletivos sociais, sobrevivendo do ar e da lama que nos constituem como humanos”.


O diretor do Goeldi, Nilson Gabas Júnior, acentua que a parceria com o Instituto Tomie Ohtake permite que o MPEG dê continuidade a uma tradição de unir arte e ciência para comunicar conhecimento. “Iniciamos essa colaboração no contexto da COP30, que teve o Museu Goeldi como um dos espaços de reunião, discussão e construção coletiva de cientistas, representações indígenas, quilombolas e ribeirinhas, e de gestores públicos. A exposição “Um rio não existe sozinho”, que recebemos no nosso Parque Zoobotânico, comunicou isso aos visitantes. Agora, a nova mostra leva a conexão para outros espaços do país, e esperamos que mais pessoas tenham acesso a um pouco do conhecimento que produzimos na Amazônia, há quase 160 anos”.


Nos dias 25 e 26 (quinta e sexta-feira), o Instituto Tomie Ohtake realiza o seminário “Quando o museu é: acervos e futuros”, organizado em parceria com o Museu Goeldi e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Além da conferência com a participação das três curadoras da exposição, o evento terá sete mesas-redondas com a presença de artistas, pesquisadores, gestores e profissionais de áreas conectadas a museus. Em seis dessas mesas, estão os pesquisadores vinculados ao Museu Goeldi: Nelson Sanjad, Sue Costa, Sâmia Batista, Ana Vilacy Galúcio, Claudia López Garcés, Cristiana Barreto, Erêndira Oliveira e Igor Rodrigues.

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