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Com lançamento de livros, mostra audiovisual de curtas, documentário em longa-metragem e plataforma digital inédita, evento promove resgate histórico e homenageia pioneiros da região

O Auditório da Universidade Federal do Oeste do Pará, localizado na Unidade Tapajós, em Santarém, será o cenário nesta sexta-feira, 12, de um dos mais expressivos e profundos resgates históricos e documentais da Amazônia contemporânea. Das 9h às 21h, o município recebe a Devolutiva Pública do Projeto Jornada Sociocultural 50+50 da Transamazônica e BR-163, iniciativa que celebra e analisa criticamente as cinco décadas de colonização, abertura e transformações sociais nas grandes rodovias federais que cortam e reconfiguraram as dinâmicas demográficas, ambientais e territoriais do norte brasileiro.

O evento de culminância regional entrega à sociedade robusto e qualificado acervo de produtos culturais voltados à preservação da identidade regional e da memória viva local. Idealizada pelo deputado federal Airton Faleiro (PT-PA), que destinou recursos via emenda parlamentara jornada vem sendo executada em uma rede de cooperação interinstitucional que congrega universidades públicas —  Ufopa, Unifesspa e UEPA —, institutos federais, a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp) e o Governo do Estado do Pará. 

Para contemplar o acesso de toda a comunidade acadêmica, movimentos populares e moradores locais, as atividades foram distribuídas em intensa programação ao longo de três turnos específicos. Pela manhã, com início rigorosamente às 9h, será caracterizado por viés institucional e de debate acadêmico. Na ocasião, serão instaladas mesas-redondas e painéis de discussão científica e social inteiramente focados em compreender a complexa engrenagem da construção histórica regional, bem como os multifacetados impactos socioambientais e as heranças socioculturais consolidadas na bacia hidrográfica do rio Tapajós. 

No turno da tarde, a partir das 14h, a tônica das discussões migrará em direção aos eixos de inovação, resgate biográfico e o uso de avançadas ferramentas digitais para salvaguarda patrimonial. Este segmento será dedicado de forma prioritária aos debates ampliados sobre a efetiva e muitas vezes silenciada participação de comunidades tradicionais, povos originários e pequenos produtores colonos ao longo de todo o histórico processo de ocupação territorial da região. A proposta é dar visibilidade a narrativas historicamente sub-representadas na historiografia tradicional do Baixo Amazonas. 

O encerramento do encontro ocorrerá no turno da noite, a partir das 19h, com outorga de homenagens solenes a lideranças históricas, parte das quais registrou em depoimentos suas trajetórias. Serão lembrados os trabalhadores rurais, indígenas e defensores das populações tradicionais ribeirinhas que, com enorme sacrifício pessoal e resiliência, atuaram ativamente na base de edificação social do território do Baixo Amazonas.

Simultaneamente, vai ser lançado oficialmente expressivo pacote de publicações e produtos de divulgação cultural e científica. O destaque principal reside na apresentação do Volume 1 da coletânea de livros de memória intitulada “Vivências e Reflexões”, subintitulado “Amazônia: 50 anos de colonização – vivências e reflexões (Tapajós)”. Esta obra em formato editorial impresso traz a narrativa histórica da Amazônia ocidental contada a partir de múltiplas e ricas vozes, resgatando memórias territoriais fundamentais para decifrar os caminhos, as encruzilhadas e as potencialidades futuras da região. 

No segmento das artes visuais, a programação contempla o lançamento oficial e a exibição de cinco produções cinematográficas em formato de curta-metragem desenvolvidas ao longo de toda a pesquisa. Na sequência será projetado o documentário em longa-metragem da Jornada Sociocultural, produto audiovisual que registrou, de maneira sensível e técnica, relatos orais de pioneiros que presenciaram a abertura dos ramais rodoviários. Complementando a entrega, será apresentada a Plataforma Digital oficial do projeto, site que funcionará como repositório aberto de pesquisa com mais de 130 depoimentos gravados na região. 

O idealizador do projeto e articulador dos recursos orçamentários, deputado federal Airton Faleiro, confirmou presença em todas as etapas da programação, mantendo agenda disponível para dialogar de forma exclusiva com os profissionais e veículos de imprensa da região do Tapajós. Na oportunidade, o parlamentar paraense pretende enfatizar a relevância estratégica da aplicação do erário e de investimentos em cultura para recompor e descentralizar as políticas de preservação das memórias e histórias locais, justificando o empenho em registrar em livros e meios digitais as trajetórias de homens e mulheres da floresta. 

De acordo com o cronograma global estabelecido pela coordenação da Jornada 50+50, as atividades iniciadas com grande êxito no dia 3 de junho em Marabá, na Região Araguaia-Tocantins, e que agora chegam à calha do Tapajós em Santarém, terão prosseguimento no dia 19 de junho em Altamira, polo da Região do Xingu. Nas fases subsequentes previstas para o final de junho e início de julho, o projeto prevê a realização de uma sessão especial de debates em Belém, finalizando o ciclo de devolutivas públicas com grandes audiências e exposições culturais na capital federal, em Brasília. 

O auditório da Ufopa no Campus Tapajós fica na Rua Vera Paz, s/nº, bairro do Salé, em Santarém (PA). O acesso é livre e gratuito.

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