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Negócios ligados à sociobioeconomia brasileira movimentaram R$ 130 milhões em 2025 e contribuíram diretamente para a conservação e uso sustentável de aproximadamente 2,5 milhões de hectares de territórios, sobretudo na Amazônia. Os dados fazem parte de um levantamento da Conexsus – Instituto Conexões Sustentáveis, que monitora mais de cem empreendimentos comunitários distribuídos em diferentes biomas do país e voltados à produção baseada na biodiversidade.

O estudo mostra o avanço econômico de iniciativas comunitárias ligadas a cadeias produtivas como açaí, cacau, castanha-do-Brasil, mandioca, polpas de frutas e outros produtos da sociobiodiversidade. Ao longo de 2025, os empreendimentos acompanhados pela organização comercializaram cerca de 6,6 mil toneladas de produtos florestais e agroextrativistas, em um movimento que indica a sociobioeconomia como alternativa de desenvolvimento em territórios rurais e florestais.

O crescimento dessas iniciativas acompanha aumento das discussões sobre modelos econômicos sustentáveis para a Amazônia e outros biomas brasileiros, especialmente diante da crise climática global e da pressão internacional por mecanismos de preservação ambiental associados à geração de renda local. O levantamento da Conexsus aponta que, entre 2023 e 2025, o faturamento anual dos negócios monitorados cresceu 81%, resultado atribuído ao fortalecimento da gestão comunitária, à ampliação da capacidade produtiva e à melhoria dos processos de comercialização.

Os empreendimentos acompanhados pela organização atuam principalmente em territórios ocupados por povos e comunidades tradicionais, que historicamente dependem do uso sustentável da floresta para manutenção econômica e social. Nesse modelo, a geração de renda está diretamente associada à preservação dos ecossistemas, numa lógica oposta às atividades predatórias que avançam sobre áreas de floresta nativa.

Segundo o diretor de Programas e Inovação Financeira da Conexsus, Pedro Frizo, os números revelam a dimensão econômica já alcançada pelos negócios comunitários e reforçam o potencial da sociobioeconomia como eixo estratégico de desenvolvimento sustentável no país. Ele afirma que “os dados levantados pela Conexsus evidenciam a magnitude dos negócios comunitários e o seu papel decisivo para a geração de renda às comunidades. Ainda assim, trabalhar no fortalecimento destes empreendimentos, para que possamos ter um ecossistema de negócios cada vez mais maduro e abrangente, é estratégia fundamental para que a sociobioeconomia possa se consolidar como protagonista nos diferentes territórios rurais e florestais”.

O levantamento mostra que o açaí segue entre os principais produtos movimentados pelos empreendimentos monitorados, acompanhado pelo cacau e seus derivados, castanha-do-Pará e produtos processados da agricultura familiar e agroextrativista. O crescimento da demanda por alimentos associados à floresta e à produção sustentável ampliou o interesse do mercado por cadeias produtivas amazônicas, ao mesmo tempo em que fortaleceu redes comunitárias de produção e beneficiamento.

Embora o estudo não represente a totalidade do setor no país, os dados permitem visualizar o potencial econômico da sociobioeconomia brasileira e sua capacidade de articular conservação ambiental, fortalecimento territorial e geração de trabalho e renda. A expansão desses empreendimentos também evidencia mudanças no debate sobre desenvolvimento na Amazônia, historicamente marcado por modelos econômicos baseados na exploração intensiva de recursos naturais.

 Foto em destaque: Divulgação Conexsus

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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