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O prefeito de Oriximiná, Delegado Willian Fonseca, foi reconduzido ao cargo pelo juiz titular da Vara Única daComarca local, Wallace Carneiro de Sousa, e literalmente voltou a tomar posse nos braços do povo. Era por volta do meio-dia, hoje (26),…

A equipe multidisciplinar do centro obstétrico da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém (PA), vivenciou uma experiência rara e emocionante: o parto empelicado. Imaginem um bebê nascendo dentro da placenta intacta, com os movimentos visíveis, praticamente ainda…

REVISITANDO RICHARD HENNINGTON E SUA HERANÇA

Em 2007, escrevi um texto intitulado “Tributo a Richard Hennington”, lido por meu irmão José Agostinho da Fonseca Neto durante as comemorações dos 140 anos da chegada dos “Confederados” em Santarém (PA), na data de 17 de setembro daquele ano, sob os auspícios da ASDECON – Associação dos Descendentes dos Confederados Americanos e da Prefeitura Municipal de Santarém, quando se cogitou de designar um nome para o “Terminal Fluvial Turístico”, onde havia o tradicional trapiche da cidade, construído pelo Reverendo Richard Thomas Hennington, meu trisavô materno.

Uma versão mais resumida sobre a matéria, em forma de artigo, sob o mesmo título, foi publicada no Jornal “Uruá-Tapera – Gazeta do Oeste” (Belém-PA), Ano XV, edição nº 149, de setembro/2007, p. 7.

Agora, retorno ao tema, quando faz 153 anos que aqueles imigrantes norte-americanos desembarcaram na “Pérola do Tapajós”.

Era 17 de setembro de 1867 e chegava a Santarém o navio “Inca”, de roda à popa, pertencente à Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas. Transportava os chamados confederados norte-americanos, de Belém para Santarém. Homens, mulheres e crianças, na maioria olhos azuis e cabelos louros. Desembarcaram em canoas, como era costume na época, pois não existia ainda trapiche. A população santarena foi assistir ao espetáculo. Ficaram todos muito admirados. Os imigrantes norte-americanos foram recebidos pelo Coronel Miguel Antônio Pinto Guimarães, que depois ostentou o título de Barão de Santarém, concedido pelo Imperador D. Pedro II.

Parecia um filme, muito antes de “… E o vento levou”, que, em 1939, narra a saga de Scarlett O’Hara (Vivien Leigh), uma mulher rebelde e decidida (filha de um imigrante irlandês que se tornou um rico fazendeiro nos Estados Unidos), que sobrevive à Guerra Civil norte-americana e luta para defender sua terra e para conquistar o amor de Rhett Butler (Clark Gable).

Traziam muita bagagem, pois vinham de mudança dos Estados Unidos da América do Norte para o Brasil, para a Amazônia, para Santarém.

Eram imigrantes trazidos pelo Governo brasileiro, com prestígio do Imperador. Pertenciam a diversas famílias, como a do médico Dr. Pitts, os Vaughan, os Jennings, os Emmett, os Steele e outros plantadores do Mississipi, do Tennesee e do Alabama, no sul dos Estados Unidos. Esse primeiro grupo de imigrantes norte-americanos era integrado por 109 pessoas, mas apenas 70 viajaram, dessa vez, para Santarém. Os outros embarcaram em outra viagem. Para o sul do Brasil (cidades de Santa Bárbara D’Oeste e Americana, no Estado de São Paulo, por exemplo) foram outros imigrantes norte-americanos. Estavam todos inconformados com o insucesso na Guerra de Secessão, há pouco terminada. Preferiram, então, procurar nova pátria.

Nos anos seguintes, outras famílias norte-americanas foram chegando. Em 1874 eram mais de 200 colonos americanos que tinham requerido terras ao Governo. Alguns retornaram.

Todavia, a saga dos “confederados” deixou sua marca na história de Santarém, com numerosos descendentes, portadores de nomes anglo-saxônicos como os Riker, os Hennington, os Jennings, os Vaughan, os Rhome, os Hendenhall, os Wilkens, os Stroope, os Wallace, os Franklin e outros.

Wilmar Dias da Fonseca, em artigo publicado na Revista “Programa da Festa de N. S. da Conceição”, ano 1980 (p. 8-10), acentua que “a história dos confederados em Santarém sempre exerceu grande fascínio no santareno; não obstante, sempre tivemos dificuldade em conhecê-la em profundidade”.

Ele reconhece, porém, que “a escritora Norma Azevedo Guilhon reuniu em livro fatos dispersos habilmente recolhidos em fontes diversas e enriqueceu a obra, narrando com mestria, outros acontecimentos em tempo arrancados do olvido, comovendo o santareno, legatário maior da grande herança cultural e engenhosa, deixada, no século passado, pelos intrépidos confederados oriundos do Sul da grande nação americana.”

De fato, a obra de Norma Guilhon é referência mundial sobre o tema: Confederados em Santarém. Coleção “História do Pará”. Série Arthur Vianna, Belém, Pará. Conselho Estadual de Cultura. 1979. A 2ª edição do livro recebe o título de “Confederados em Santarém – saga americana na Amazônia” – Rio de Janeiro: Ed. Presença, 1987.

Lembro-me ainda quando D. Norma vinha a Santarém e permanecia horas e horas conversando meu saudoso pai (Wilson Fonseca), que lhe forneceu alguns subsídios para as suas pesquisas. Seu marido, o Dr. Fernando Guilhon, Governador do Estado do Pará, era amigo de meu genitor.

Em homenagem a Fernando Guilhon e aos “Confederados”, o Maestro Wilson Fonseca (Isoca) compôs os Dobrados nºs. 18 e 22. Este último foi executado durante o evento, antes aludido, pela Orquestra Jovem “Maestro Wilson Fonseca”, sob a regência de meu irmão José Agostinho da Fonseca Neto.

O Reverendo Richard Thomas Hennington, Ministro da Igreja Episcopal Metodista Sul, serviu ao exército confederado como capelão. Nessa ocasião tinha 31 anos e seus três filhos já tinham nascido. Era natural do Estado de Mississipi, onde nasceu a 19 de maio de 1830, em Crystal Springs. Ali casou-se com Mary Elizabeth Black em 1851. Nessa ocasião era um próspero comerciante e ainda não tinha entrado para o serviço da igreja.

Após o término da Guerra de Secessão, o Pastor regressou ao lar e tentou reiniciar sua vida. Contudo, como outros, achou que as promessas feitas pelo Presidente Lincoln, quando vivo, não estavam sendo cumpridas pelas forças que ocupavam o poder. Na verdade, o sul dos Estados Unidos achava-se sob o domínio militar. A economia e a política sob o controle de aventureiros. Assim, o Reverendo Hennington começou a se entusiasmar com a idéia de emigrar.

Decidiu pelo Brasil. Foi ao Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Bahia, após ser recebido pessoalmente pelo Imperador D. Pedro II.

Os chamados “Confederados”, como meu trisavô Richard Hennington, que vieram para Santarém, no século XIX, decepcionados com o governo norte-americano (que descumpriu suas promessas após a Guerra de Secessão), não eram fugitivos de guerra, mas dignos idealistas que se exilaram no Brasil. Nem eram nazistas (doutrina de Hitler, surgida no século XX).

Muitos brasileiros moram em outros países e certamente enfrentam as naturais dificuldades da migração.

Afinal, somos todos fraternos e o planeta não é monopólio exclusivo de quem quer que seja. O intercâmbio internacional é fenômeno universal e histórico.

Richard Hennington, então, desejou conhecer, a colônia Hastings (fundada pelo major Warren Lansford Hastings), que se estabelecera havia pouco nas proximidades de Santarém. A região era rica em madeiras de lei. As terras destinadas aos colonos achavam-se nas serras onde, sem dúvida, a temperatura é mais agradável. A terra era dadivosa e dada com generosidade a cada colono. A cidade de Santarém, ali perto, os poria em contato com o mundo, com a navegação a vapor pelo rio Amazonas. Sentiu ser aquele um lugar para homens de iniciativa. Decidiu-se por Santarém.

Assim, o Pastor, sua esposa Mary Elizabeth, os filhos Thomas (Tom), Edwin (Eddie) e a pequena Eliza, de seis anos de idade, chegaram ao Pará, procedentes dos Estados Unidos, no navio da linha, a 16 de agosto de 1868, ano seguinte à chegada dos primeiros imigrantes. Ele trouxe para o Brasil algum capital. Requereu terras na colônia e lançou-se ao trabalho com a inesgotável energia que o caracterizava. Trabalhava com ajuda dos filhos. O seu estabelecimento tornou-se o mais importante da colônia. Sendo o verdadeiro tipo de pioneiro, com capacidade inata e vontade de realizar, o Reverendo conheceu o sucesso em todos os seus empreendimentos. Chegou a fazer dez máquinas, contando apenas com os recursos locais disponíveis. Eram movidas por água e podiam trabalhar a um só tempo ou separadamente. Na verdade, ele era um autêntico inventor. Seus filhos foram estudar nos Estados Unidos e depois retornaram para fixar-se em Santarém. Além dos três filhos, os Hennington adotaram uma menina, de nome Ester Ruth Grey, órfã de um casal de ingleses.

Acentua Norma Guilhon (ob. cit, p. 119) que “ao se estabelecerem nas serras, em local retirado, aconteceu aos imigrantes o mesmo problema que os outros confederados já tinham ou estavam enfrentando em diferentes pontos do Brasil: a falta de igrejas e escolas para seus filhos”.

E adiante, afirma:

“Felizmente, pouco depois que se instalou a colônia Hastings, o Reverendo Richard Hennington decidiu vir por conta própria para Santarém. Após viajar por quase todos os lugares onde havia colônia de sulistas, suas preferências foram para a então desconhecida cidadezinha localizada nesta nossa longínqua Província do norte. (…) Assim sendo, o Pastor Richard Hennington foi o único religioso a permanecer com o grupo, o que fez até sua morte, ocorrida em 1894” (ob. cit, p. 119).

Richard Hennington era muito bem relacionado em nossa terra. Em 1870 foi fundado um Clube Social, cujos sócios reuniam-se em sua casa.

Em 1880, ele se mudou da colônia para a cidade de Santarém. A sua casa e oficina ficavam no bairro da Prainha. A residência tinha uma porta e oito janelas. Era de frente para o rio Tapajós, uma vista magnífica. Atrás da casa havia um quintal. E durante muito tempo correu a lenda de que o “padre americano”, como era conhecido, deixou dinheiro enterrado por lá…

A mais notável contribuição do Reverendo Richard Hennington ao progresso de Santarém foi a construção do trapiche da cidade, além da indústria naval.

Conta o mestre Paulo Rodrigues dos Santos (“Tupaiulândia”, 3ª edição, Santarém-PA, 1999, Gráfica Tiagão, p. 304-307) que o trapiche foi “inaugurado festivamente com foguetes e discursos”.

E escreve Wilson Fonseca, no “Meu Baú Mocorongo”:

“Efetivamente, àquele tempo Santarém não possuía cais ou ponte de atracação. A carga transportada para a cidade, era recebida em batelões ou canoas que acostavam aos navios ancorados ao largo e depois descarregada na praia, para ser levada aos consignatários em carroças puxadas a boi ou mesmo em carrinhos de mão ou ainda conduzida nos ombros de carregadores ou empregados das firmas importadoras, fazendo-se operação inversa com a mercadoria exportada. A condução de passageiros era feita em canoas impulsionadas a jacumã ou catraias a faias.

Só em 28 de agosto de 1883 Richard Thomas Hennington (1830-1894), pastor metodista de nacionalidade norte-americana, que imigrara para esta cidade em virtude da guerra civil da secessão, mais conhecido como ‘padre americano’, deu início à obra de construção de um trapiche, contratada com o concessionário desse serviço, o Cel. Francisco Caetano Corrêa. Ponte e respectivo galpão foram concluídos em 15 de novembro de 1884, mais só inaugurados a 7 de janeiro de 1885, quando atracou o primeiro navio: o ‘Vigil’” (“Meu Baú Mocorongo”, vol. 1, impresso por RR Donnelley Moore, São Paulo-SP e editado pelo Governo do Estado do Pará, 2006, p. 73).

O Reverendo Richard Hennington se dava muito bem com os sacerdotes católicos e já praticava, em Santarém, naquela época, o ecumenismo cristão. A sua família gostava de cantar hinos religiosos. Quando vieram da América, haviam trazido um piano. O acompanhamento era feito pela esposa do Pastor.

Pela dificuldade de escolas, o Reverendo Hennington ministrou aulas aos filhos dos Wallace, dos Vaughan, dos Pitts etc.

Expressiva foi a contribuição dos americanos para o progresso da região, conforme narra Norma Guilhon em sua obra (p. 130 e seguintes).

Richard Hennington era um homem dos sete instrumentos.

Além de Pastor, ele era dentista, professor, mecânico, fabricava sapatos para sua esposa, fabricava carroça a vapor, carrinhos de mão, mobílias e diversos outros utensílios, como deixou registrado em seu famoso Diário. Chegou até a consertar a Cadeia Pública. O inventivo Pastor fabricou um descascador de café e um engenho para moer mandioca. Animado pelo êxito de sua invenção, fez uma viagem ao Rio de Janeiro para tirar patente.

Quando esteve nos Estados Unidos em 1890, ele levou seu invento até lá para tratar de sua fabricação comercial, porém não logrou êxito.

Tempos depois, Hennington e seus filhos dedicaram-se a construir embarcações, tornando-se essa atividade a mais importante e lucrativa de todas as que até então tinham realizado. Desenhavam e construíam os navios.

Os “confederados” foram, portanto, os criadores da indústria naval na Amazônia.

No livro “Meu Baú Mocorongo”, de Wilson Fonseca (vol. 1, p. 76), vê-se a fotografia da lancha “Mississipi”, de propriedade de Richard Hennington, a primeira embarcação que ele construiu.

Richard Hennington também foi o fundador da Igreja Batista em Santarém e o primeiro pastor protestante residente na “Pérola do Tapajós”.

Ele era um desbravador, líder espiritual e carismático, do qual seus descendentes devem muito se orgulhar.

Não é, pois, sem motivo que em sua homenagem existe a Escola Estadual de Ensino Fundamental “Richard Hennington”, em Santarém.

Outras heranças deixadas pelos “confederados” e muito úteis quando Santarém não era servida por água encanada, conforme escreve Wilmar Fonseca, no artigo antes mencionado, foram “a fabricação de tonéis, pipas, barris, dornas e tinas de aduelas; carroças e carroções, aquelas iguais às que ainda trafegam nas ruas da cidade e é de lamentar-se que outros engenhos dessa gente laboriosa tenham sofrido solução de continuidade, tais como o aproveitamento da força hídrica das quedas d’água e igarapés para a moagem de cereais e cana de açúcar; fabricação de máquinas a vapor; destilaria de aguardente em profusão…”.

Os “confederados” foram ainda responsáveis pela instalação de engenhos de cana e da primeira serraria a vapor em Santarém.

Indubitável a sua contribuição à agricultura. O conhecido “feijãozinho de Santarém” foi trazido pelos norte-americanos, posto que originário de Boston.

Foram eles também que realizaram as primeiras plantações de seringueiras na Amazônia, ainda no século XIX, antes do Henry Ford, o magnata americano, que implantou o seu projeto apenas no século XX (1928).

É ainda Norma Guilhon que escreve (ob. cit., p. 136):

“O Reverendo não usava escravos em seu trabalho. Preferia pagar quando precisava de empregados. Possuía em sua oficina numerosos aprendizes, a que ele se refere como sendo ‘indiozinhos’, mas que talvez já fossem os mestiços brasileiros. A pedido de seus pais, eram colocados na oficina como aprendizes, recebendo pequeno salário. Só seriam conservados por mais de cinco anos se realmente demonstrassem interesse e diligência. Os pais vinham visitá-los com freqüência e o ensino religioso fazia parte do contrato. Há notícias de que esses aprendizes se tornaram bons operários”.

Falemos um pouco sobre a descendência de Richard Hennington, cujas origens familiares tinham raízes na Inglaterra.

Tomas (Tom) casou-se com Margarida Villa Lobo (de Óbidos-PA), conhecida por “Maggie”, que faleceu com 24 anos de idade, quando viajavam para os EE.UU. Seus filhos foram Alice e Lydia Maria. Tom faleceu em Santarém, logo depois, ainda jovem. Alice e Lydia Maria mudaram-se para os EE.UU, mas já bem idosas estiveram em Santarém para rever a terra natal.

Edwin (“Eddie”) também se casou com uma brasileira, Estefânia Bentes (“Fanny”), de conceituada família de Santarém. Eu ainda a conheci, bem velhinha. Eles tiveram três filhos: Edwin John (Eduardo ou “Edinho”), Carmen (Bibi) e Eula, esta nascida em 1896. Carmen e Eula casaram-se com santarenos e possuem numerosa descendência em Santarém.

Eula casou-se com Vicente Malheiros da Silva. Tiveram seis filhos: Rosalba, Rosilda, Rosinete, Rosinaldo, Rosivaldo e Rostand, todos já falecidos. Rosalba era casada com Joaquim Lopes; Rosilda, com Wilson Fonseca; Rosinete com Arnaldo Altman; Rosinaldo, com Vanda Nóvoa; Rosivaldo, com Terezinha Silva, depois Laíde Pimentel, e depois, Lizete Ferreira; e Rostand, com Ruth Serruya. E a descendência prossegue em várias gerações, muito embora nem todos mantenham o sobrenome Hennington.

Minha mãe, enquanto solteira, chamava-se Rosilda Hennington Malheiros. Alguns descendentes de meu tio Rostand ainda conservam o nome Hennington.

Sendo homem prático, Richard suprimiu o “N” duplo de Hennington, “por achar pura perda de tempo”.

O Reverendo Richard Hennington naturalizou-se cidadão brasileiro em 5 de setembro de 1891. Faleceu em Belém em 29 de junho de 1894, onde se encontra sepultado, no cemitério de Santa Izabel.

Em sua carta “para casa”, ele mesmo disse (cf. Norma Guilhon, na obra citada, p. 71):

“Aqui dispomos de uma paz perfeita; nem abstrações políticas nem opressão militar. Permanecemos à sombra de nosso vinhedo e nossa figueira e ninguém nos incomoda ou perturba a fim de nos fazer receosos, servindo a Deus de acordo com os ditames de nossa consciência…”.

Li em certa ocasião que cerca de 20.000 “confederados” imigraram para o Brasil após a Guerra de Secessão Norte-Americana. Foi a maior imigração por motivos políticos na história dos Estados Unidos.

Numa terra nova, estranha e distante, os “confederados” construíram sua colônia e seus descendentes permanecem no Brasil até hoje, embora haja alguns residentes em outros países, inclusive Estados Unidos, Japão etc.

A história desses expatriados foi documentada pelo cineasta premiado Carlos Tavares, nascido no Rio de Janeiro, então residente em Los Angeles (EE.UU).

Creio que a saga dos “confederados” é um dos maiores capítulos da história dos americanos, quase não conhecida pelos próprios.

Nos Estados Unidos, a bandeira confederada é vista, por muitos grupos, como símbolo de escravidão, racismo, segregação.

Para os brasileiros, descendentes dos “confederados”, a bandeira representa sua herança, o orgulho de seus ancestrais, por terem escolhido uma terra nova, com língua e povo diferentes. Embora tenham enfrentado todas essas dificuldades, foram bem sucedidos e fizeram história.

“Para mim, esta é uma estória sobre liberdade, com pessoas de raças diferentes, exibindo sua bandeira livremente, participando do mesmo evento. Uma homenagem às vozes de seus ancestrais confederados. Uma lição a todos nós” – diz Carlos Tavares.

Como acentuei, um dos legados de Richard Hennington foi a implantação da indústria naval em Santarém, além da construção do trapiche.

Um de seus sucessores, no metier, segundo o artigo escrito por Wilmar Fonseca, foi o estaleiro da família Figueira.

Pois bem. Uma foto que ilustra o texto escrito por meu tio Wilmar Fonseca chamou-me a atenção. Lê-se nessa foto o seguinte: “Do trabalho do operário nasce a grandeza das nações. Estaleiro Naval e Serraria a Vapor ‘Juca Figueira’, de Raymundo A. Figueira – o único do Baixo-Amazonas que foi condecorado com diploma de honra e medalha de ouro na grande exposição nacional do centenário no Rio de Janeiro em 1922”.

Na legenda da foto está registrado: “Trabalhadores do Estaleiro Juca Figueira” (contam-se cerca de 25 operários em companhia do patrão).

Assinala Norma Guilhon:

“O jornal ‘Baixo-Amazonas’, na edição de 07.02.1895, refere sobre a fluente indústria naval existente, na época, em Santarém e entre outras coisas comenta que ‘manda a justiça que aqui consignemos dever-se a iniciativa dessa arte, hoje tão adiantada aqui, a alguns membros da briosa Colônia Americana”.

Realmente, confirma a escritora sobejamente, “a indústria de construção naval foi criada em Santarém por imigrantes norte-americanos, com destaque maior para o Mr. Romulus Rhome, Rev. Richard Henington e Família Jennings Vaughan e em Oriximiná para o Dr. Josiah Pitts”.

E prossegue Norma Guilhon:

“Do precioso ‘know-how’ trazido do Sul dos Estados Unidos da América pelos confederados imigrados para Santarém em meados do Século XIX, foi sem dúvida nenhuma a indústria naval a que mais benefícios trouxe para a região amazônica. Basta contemplar-se os portos do Médio e Baixo-Amazonas e observar-se o tráfego fluvial da imensa bacia amazônica, para que se avalie a dimensão desse fabuloso legado deixado pelos nossos irmãos do Norte do continente.

Juntemos estes elos e teremos formada a gigantesca corrente, inequivocamente o maior sustentáculo da economia dos Médio, Baixo e Alto-Amazonas.

O citado jornal registrou a existência de um ‘hábil artista filho daqui e do qual se pode dizer sem medo de errar, tem sido o mestre dos santarenos na construção de lanchas’. E cita o nome e qualidades do grande artífice ‘mocorongo’:… o Sr. Juca Figueira, que há anos abraçou este honroso modo de vida’. O que me leva a crer ter sido ele o primeiro santareno a absorver inteiramente a técnica de construção naval dos norte-americanos.

(…)

É de justiça que se proclame que o melhor de todos, ao menos enquanto existiu, equipado com máquinas modernas e instalações altamente sofisticadas, foi o Estaleiro de Construção Naval ‘Juca Figueira’, de propriedade do santareno Raimundo de Andrade Figueira (sucessor, aos 18 anos de idade, de seu genitor José de Andrade Figueira), que mereceu bela página publicada em jornais e revistas de Manaus, Belém e Santarém, de autoria do poeta, ex-senador e ex-governador do Amazonas, Álvaro Maia, página essa que não pode faltar quando se escrever a história da construção naval na terra dos tapajós. Em sua exaltação à obra de Raimundo Figueira, após visitar o seu estaleiro, o poeta disse, entre outras coisas, não haver um rio em toda Amazônia sem que haja um barco, navegando, produzido no Estaleiro ‘Juca Figueira’.

Hélcio Amaral de Sousa, no artigo “Os confederados: um marco no desenvolvimento de Santarém”, assim se pronuncia:

Os ex-confederados procuraram se estruturar cultural e espiritualmente criando escolas e igrejas evangélicas, instituições imprescindíveis às suas vidas. Foram eles que trouxeram as primeiras igrejas evangélicas para o Brasil, facilitando a vinda e a permanência de inúmeros pastores protestantes. Contribuíram com o desenvolvimento econômico da região e influenciaram a religião e a cultural local. Algumas famílias retornaram aos Estados Unidos, outras se mudaram para São Paulo, mas as que permaneceram aqui ajudaram a fazer a história de Santarém e do baixo Amazonas nesses 140 anos de imigração norte americana”.

Bibliografia consultada: Guilhon, Norma Azevedo. Confederados em Santarém. Coleção: “História do Pará”. Série “Arthur Vianna”. Belém, 1979.

http://espocabode.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=648:os-confederados-um-marco-no-desenvolvimento-de-santarem&catid=1:latest-news

Wilson Fonseca discorre sobre os norte-americanos que imigraram para a Amazônia:

“A tradição oral revela-nos que os filhos dos colonos norte-americanos poucas oportunidades tinham para o estudo das letras, o que geralmente faziam no próprio lar, dedicando-se mais ao trabalho com seus familiares, em comunidades, talvez pela falta de escolas ou pelo isolamento em que se confinavam nas colônias.

Alguns poucos foram mandados para a América e por lá ficavam. E poucos retornavam a Santarém, já formados ou instruídos, como é o caso do cirurgião dentista Thomas H. Hennington que abriu consultório dentário na cidade, com anúncios pelos jornais da terra. Os nascidos no Brasil, nem mesmo a língua paterna conseguiram aprender, salvo raras exceções. Sabe-se, entretanto, que eram bem instruídos na doutrina cristã, missão bem desempenhada pelo pastor metodista Richard Thomas Hennington, que foi o primeiro pastor protestante residente em Santarém”

(“Meu Baú Mocorongo”, no capítulo intitulado de “Quando os confederados chegaram… Santarém era assim”, vol. 1, pág. 71).

Erik Jennings, médico neurocirurgião e ambientalista, tece as seguintes considerações no Grupo Memórias Oeste do Pará, no WhatsApp:

A grande contribuição da história dos ex-confederados na Amazônia foi justamente terem sucumbido à força da cultura local, indígena, ribeirinha e negra. Isso é fato histórico. Como tantos outros implícitos nessa odisseia dos americanos em busca de sua Ítaca que não mais existia. Adotaram nova língua e “uma nova pátria”. Santarém, a Amazônia e seu povo.

Daria um grande debate. A grande doença de tempos atuais é a propensão ao conflito que ao diálogo. Somente com fraternidade, solidariedade e empatia transformaremos erros e ensinamentos do passado em algo realmente pedagógico para todos nós.

Paulo Rodrigues dos Santos, no seu notável livro “Tupaiulândia“, 3ª edição, Santarém-PA, 1999, Gráfica Tiagão, p. 304-307, e no artigo “Santarém, Porto Fluvial” (Da série “Garimpando” – 1966), também se reporta a Richard Hennington, como no seguinte tópico, que transcrevo:

“Cumpre dizer que ainda há em Santarém, muitos descendentes da família Hennington, entrelaçados com outras famílias da terra. O único filho varão do pastor, o Dr. Thomas Hennington, foi casado com uma tia do autor destas notas. Ela faleceu nos Estados Unidos e ele veio a morrer em Santarém, sendo enterrado às proximidades da ‘Serra Piroca’, por ser protestante!…” [Nota: o Reverendo Richard Hennington e sua esposa Mary Elizabeth tiveram três filhos: Thomas (Tom), Edwin (Eddie) e Eliza, além da filha adotiva Ester Ruth Grey, órfã de um casal de ingleses].

Voltemos a uma questão que tem provocado muita polêmica, sob o pretexto de que os “Confederados” seriam escravagistas.

Os grandes filósofos gregos Sócrates, Platão e Aristóteles defendiam a escravidão, fenômeno aceito nas épocas que viveram. Mas nem por isso, eles são crucificados pela história.

Não raro, os escravos eram mais bem tratados do que certos trabalhadores dos dias atuais, pois eles deveriam gozar de saúde e boa aparência, a fim de que, como mercadoria, pudessem ser vendidos a outrem.

Existe na atualidade a chamada “escravidão contemporânea”, que muitos sequer percebem, segundo a qual o trabalhador é forçado a exercer uma atividade contra sua vontade, sob a ameaça de indigência, detenção, violência ou mesmo morte.

Também pratica-se, ainda hoje, a “escravidão por dívida”, quando o operário trabalha para “pagar” suposta dívida, em razão de fornecimento de gêneros de primeira necessidade (alimentação, vestuário, higiene, transporte etc.), pelo empregador, em valores exorbitantes, para o trabalhador e sua família, porém jamais consegue quitar o “débito” imposto pelo patrão. ´

Foi justamente essa condenável espécie de escravidão que examinei, como magistrado trabalhista, numa sentença proferida em 1976, à qual me reporto mais adiante.

Há também o trabalho forçado ou degradante, infelizmente verificado em nossos dias, em ações ajuizadas na Justiça do Trabalho, em todo o Brasil.

O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, sediado em Belém, é pioneiro na uniformização de sua jurisprudência a respeito da matéria, conforme se vê de sua Súmula n° 36, de cuja aprovação participei, como Desembargador dessa Corte Trabalhista, cuja jurisdição abrange os Estados do Pará e Amapá, em 2015:

“TRABALHO FORÇADO, DEGRADANTE OU EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS À DE ESCRAVO. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL IN RE IPSA.

I – Entende-se por trabalho forçado aquele executado por uma pessoa sob ameaça de punição de qualquer natureza e para a qual essa pessoa não se ofereça voluntariamente (art. 2º, 1, da Convenção n. 29 da OIT). O trabalho degradante é aquele executado em condições inteiramente inadequadas ao trabalho, sem observância de quaisquer normas de segurança, medicina, saúde e higiene do trabalho. Considera-se trabalho em condições análogas à de escravo o que submete o trabalhador a trabalho forçado, jornada extenuante, condições degradantes, restrições de locomoção, privação de seus documentos (art. 149 do Código Penal).

II – Em ficando demonstrada a ocorrência de qualquer das três hipóteses, considera-se caracterizada a violação ao princípio da dignidade humana e a ofensa aos direitos mínimos dos trabalhadores, cabendo a responsabilização do empregador por danos morais, independentemente de outras provas, porque ocorrem in re ipsa.

III – Para fixação do valor da indenização devem ser levados em conta, dentre outros, os seguintes fatores: gravidade e extensão do dano, condição financeira do ofensor e do ofendido, e finalidade pedagógica da punição para evitar a reincidência da prática delituosa.

Em Santarém e em diversas cidades do Brasil e do exterior vivem centenas de descendentes dos chamados “Confederados”, tais como os integrantes das famílias Vaughan, Jennings, Wallace, Franklin, Riker, Hennington e tantos outros, todos dignos e que merecem muito respeito.

Lamentavelmente, alguns tentam atingir os descendentes dos “Confederados”, denegrir a sua memória e distorcer a história, sob a alegação de que eles teriam adotado, no passado, regime de escravidão, como se eventual sanção pudesse retroagir no tempo e alguma pena pudesse ser herdada por gerações, ao longo dos séculos ou milênios, numa espécie de perpetuação de penalidade e evidente violação ao princípio constitucional da individualização da pena, se porventura aplicável e cabível.

A história é dinâmica e deve ser interpretada de acordo com as circunstâncias de cada época e situações.

Descendente da família Hennington, por parte, de minha saudosa mãe, fui o prolator da primeira sentença trabalhista sobre “trabalho escravo” (1976), cujos autos do processo receberam um selo histórico e se encontram no acervo do Memorial do Tribunal Regional do Trabalho da Oitava Região. A sentença tem sido objeto de estudos, inclusive em nível de pós-graduação, no Brasil e no exterior, como também referência em obras publicadas sobre o tema, em respeito aos Direitos Humanos e Sociais.

A sentença foi destacada na Tese de Doutorado defendida pelo juiz de direito, paraense, Dr. Elder Lisboa Ferreira da Costa (Doctor Europeo de la Universidad de Salamanca – Espanha; Mestre em Ciências Jurídico-Criminais pela Universidade de Coimbra – Portugal; Pesquisador da Corte Europeia de Direitos Humanos – Strasbourg – França; Pesquisador e Observador Internacional – Centro de Estudos da Mulher – CEMUSA – Universidad de Salamanca, Reino da Espanha), perante a Universidad de Salamanca, na Espanha, que lhe outorgou um Prêmio Extraordinário, em virtude de ter apresentado a melhor tese no âmbito do Direito, nos anos de 2013/2014.

Referências sobre a sentença estão registradas no livro “Escravidão no Brasil – Os pilares da OIT e o discurso internacional – Há escravos no Brasil?“, de autoria do Juiz paraense Elder Lisbôa Ferreira da Costa. Sérgio Antonio Fabris Editor, Porto Alegre (RS). 2018.

A sentença também foi objeto de estudos na elaboração da Tese de Doutorado apresentada pela Juíza do Trabalho Luciana Paula Conforti, sob o tema “Interpretações do Conceito de Trabalho Análogo a de Escravo: a luta pelo direito ao trabalho digno e pelo direito fundamental de não ser escravizado no Brasil”, perante a Universidade de Brasília – Faculdade de Direito – Programa de Pós-Graduação em Direito – Cursos de Mestrado e Doutorado em Direito, Estado e Constituição, tendo como Orientadora a Prof.ª Dr.ª Gabriela Neves Delgado (Brasília – DF, 19 de março de 2019). Atualmente, Luciana Paula Conforti é Titular a 1ª Vara do Trabalho de Barreiros, do TRT da 6ª Região (Pernambuco), e Vice-Presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (ANAMATRA) para o biênio 2021-2023.

É oportuno registrar breves considerações sobre os ancestrais de meu pai, Wilson Fonseca.

A minha bisavó paterna, Agostinha Maria da Fonseca, nascida em Natal (RN), era mulata, de origem humilde, morava e trabalhava, no Rio Grande do Norte, no Pará e no Amazonas, nas residências da família Chaves. O Desembargador Ernesto Adolfo de Vasconcelos Chaves, residente em Natal (RN), foi convidado a ocupar o cargo de Presidente da Província do Amazonas (atualmente Governador do Estado do Amazonas), no período de outubro de 1885 a março de 1887. Meu avô, José Agostinho da Fonseca, nasceu em Manaus (AM), em 14 de novembro de 1886; estudou em Belém (de 1896 a 1906); e depois mudou-se para Santarém, em 1906. O meu avô paterno, José Agostinho da Fonseca – o pioneiro da tradição musical de nossa família (que se encontra na quinta geração) -, estudou no Instituto de Educandos Artífices do Pará (depois, Instituto Lauro Sodré), em Belém – destinado a jovens humildes -, onde também aprendeu música e o ofício de alfaiate, enquanto que o seu “irmão-de-leite”, Paulino Chaves, compositor, pianista e regente, estudou música em Leipzig, na Alemanha. Minha bisavó paterna Agostinha, afrodescendente, deu de mamar a ambos, conforme escreve meu tio Wilmar Dias da Fonseca no livro José Agostinho da Fonseca: O Músico-Poeta, Imprensa Oficial do Estado do Pará, 1978, Belém/Santarém-PA.

Aliás, meu avô materno, Vicente Malheiros da Silva, casado com uma descendente dos “confederados”, era caboclo nascido na comunidade de Aritapera, Município de Santarém, e sua avó era negra mestiça.

Enfim, é por todos sabido que o povo brasileiro tem, em geral, origem indígena, afrodescendente e lusitana, fruto da miscigenação que enriquece a nossa história e a nossa cultura.

Portanto, nossas origens, pelo lado materno ou paterno, muito nos honram e nos estimulam a preservar a sua memória, pois são exemplos de dignidade e decência.

Há anos que alimento a ideia de compor um Poema Sinfônico (música) sobre a saga dos “Confederados” em Santarém e na Amazônia.

Em nome da família Hennington e dos demais descendentes dos “confederados”, agradeço a todos que contribuíram para a realização das justas homenagens que lhe são prestadas, especialmente ao ensejo de 153 anos da chegada dos nossos ancestrais no Município de Santarém.

Por oportuno, lembro da sugestão de meu tio Wilde Fonseca (Maestro Dororó), em artigo publicado na imprensa de Santarém, sob o título “1867 – Imigração Americana“, no sentido de atribuir o nome do Reverendo Richard Hennington ao “Terminal Fluvial Turístico”, precisamente onde funcionava o histórico e antigo trapiche que ele construiu em Santarém e que, por muitos anos, tanto contribuiu para a economia da cidade e da região:

“O Reverendo Richard Thomaz Hennington, que era um misto de operário e pastor protestante, construiu em suas oficinas o navio ‘Mississipi’ e foi quem construiu o primeiro trapiche de Santarém. Bem que merecia da municipalidade uma homenagem no local onde hoje se ergue o moderno trapiche ou Terminal Fluvial. Fica aí a sugestão” (Jornal “O Impacto” – on line – edição nº 651, Ano 12, 14.09.2007, Santarém, Pará).

Sim, não é um filme. Mas tudo nos leva a pensar que o vento do tempo traz de volta aqueles homens, aquelas mulheres e aquelas crianças de olhos azuis e cabelos louros, nossos orgulhos, nosso passado, nosso presente e nosso futuro. A saga continua. O vento não levou. Nos ensinou a ter fé!

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