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A SERRA DE TUMUCUMAQUE SUMIU

A Serra de Tumucumaque não existe. A afirmativa me deixou atônito. Aprendi nas aulas de Geografia que ela fica entre o Amapá, Suriname e Guiana Francesa, estendendo-se por 320 quilometros. Quem afirmou e disse que já não é nenhuma novidade foi o geógrafo francês François Michel, com vários livros lançados, alguns prêmios e que participou de expedições naquela área. Em uma delas, subiu o Rio Jari e o Mapaoni, chegando à fronteira tríplice, com Suriname e Guiana Francesa. Foi em um ciclo de debates, promovido pela Embaixada da França e a Aliança Francesa, onde também estava a cineasta Zienhe Castro. Eu havia estudado um pouco o assunto que seria discutido, sobre a nossa Amazônia, ecologia, defesa da área, essas coisas. Perguntei a François Michel se o Rio Jari e o Mapaoni circundavam a Serra de Tumucumaque. Pensei que estava arrasando ao levantar a bola para ele fazer o gol, especialista que é. Respondeu que basicamente, sim, mas o problema é que a Serra, a tal Serra, não existe. Nunca existiu. Mas como assim? O francês disse que um colega seu, há muitos anos atrás, inventou essa mentira, talvez buscando ficar na história com sua descoberta. Mas, que ali pela metade do século passado, a França enviou aviões para estudar a região e confirmou que são apenas colinas, sem grande altura, não se constituindo uma Serra, de maneira alguma. Por essa, não esperava. Afinal, no Google Earth, a Serra está lá, com algumas fotos que não possibilitam um leigo confirmar o que o geógrafo francês garantiu. Pois é. No mais, a conversa versou sobre a absurda ignorância dos paraenses sobre seus vizinhos, da Guiana. Quer dizer, há uma entrada ilegal constante de pessoas tentando uma nova vida, seja como garimpeiros, seja em qualquer outro serviço, por conta do valor do euro. Quando os gendarmes pegam, deportam. Participei há alguns anos de uma feira literária em Caiena e para poder entrar na Guiana, precisei de um visto, autorização, para tudo ser legal. É claro que a paisagem, a cor da terra, árvores, tudo é igual ao nosso cenário. Estamos na Amazônia, mas falando francês ou creole e pagando em euro. A Aliança Francesa faz um belo trabalho, seja ensinando o idioma, mas principalmente, para público em geral, promovendo intercâmbio, trazendo escritores, músicos e especialistas para conversar conosco. A grande dificuldade está nessa presença maciça e envolvente dos Estados Unidos em nossas vidas. Seria um absurdo? Vejam que não temos convivência como deveríamos, com nenhum país da América do Sul, todos falando espanhol. Um amigo esteve em Bogotá e na televisão, jornais, nada havia sobre o Brasil, o maior país do continente. Preferimos olhar para o que está além do oceano, no caso a Europa, ou subindo à jato, Estados Unidos. E nós, amazônidas? Nada trocamos com nossos vizinhos de região. Um maluco, durante a noite que se abateu sobre a Cultura paraense durante vinte anos, realizava uma tal de Feira Pan Amazônica, que de Pan nada tinha, muito menos de Amazônia, já que trazia como convidados escritores do sul e sudeste a Belém. Tive contos lançados em coletânea no Peru. E o que sabemos do Peru, além de Mario Vargas Llosa, que é famoso internacionalmente. Uma Copa de futebol com equipes da região, claro, com vizinhos, seria ótima. Enfim, o papo foi se estendendo, não é? Mas e a Serra de Tumucumaque, hein?

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1 comentário

  1. A afirmação de que a Serra do Tumucumaque não existe é inverídica. A serra existe!! Em outubro, 1961, funcionário civil da Aeronáutica, fui convidado pelo coronel aviador João Camarão Teles Ribeiro, para ser seu navegador na viagem que faria a Tiriós num bimotor Beechcraft c-45, onde pousamos numa pista curta, de terra, na banda sul da serra do Tumucumaque, fronteira demarcada do Brasil com o Suriname (ex-Guiana Holandesa), em cuja banda Sul nasce o rio Paru de Oeste, ou Erepecurú, que verte para a bacia hidrográfica do rio Trombetas, passando por Oriximiná, onde morei de 1993 a 1970. Essa região fronteiriça é habitada pela etnia Tiriós, com quem desde os anos 50 viviam frades franciscanos, inclusive o etnólogo Protásio Frikel, do Museu Paraense Emílio Goeldi. Da aldeia Tiriós cruzamos a serra do Tumucumaque e fomos num monomotor até às nascentes do rio Essequibo (Guiana Inglesa) e retornamos a Belém.
    7 de maio, 2019 – A convite do major brigadeiro Ricardo Campos, então comandante da ALA-9, e junto com 27 Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG, onde tenho feito palestras sobre questões fundiárias amazônicas, fomos a Tiriós num turbo-hélice Brasília C-97 da FAB, onde pousamos numa pista asfaltada de 2.000 metros, base do Destacamento da Força Aérea e do Exército Brasileiro e nesta viagem tive o privilégio de ser incluído pelo comandante da aeronave no relatório da tripulação como navegador, tal como há 58 anos antes fui nomeado pelo coronel, depois tenente brigadeiro João Camarão Teles Ribeiro.
    Rememoro esses fatos para dizer que Tumucumaque não é um grupo de serrinhas, mas uma serra que se destaca nas imagens do Projeto RADAM (1971), nas dos satélites geodésicos atuais e na Cartografia da Diretoria do Serviço Geográfico do Exército.
    Paraguassú Éleres, advogado, mestre em Direito Fundiário, agrimensor, geomensor e escritor.

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