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O professor doutor Gilmar Pereira da Silva, reitor da Universidade Federal do Pará, recebeu ontem (1º), em solenidade no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, o Prêmio Anísio Teixeira 2026. Concedida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a honraria é um dos maiores reconhecimentos da educação e da ciência brasileira, outorgada a cada cinco anos a personalidades que deram contribuições fundamentais ao desenvolvimento do País. 

A premiação deste ano teve um caráter histórico, celebrou o marco de 75 anos da Capes. O reitor da UFPA figurou entre os dez escolhidos na categoria Educação Básica, único da Região Norte, indicado pelos Conselhos Técnico-Científicos e deliberado pelo Conselho Superior da autarquia. Outros dez educadores foram agraciados na categoria Educação Superior. 

Para a comunidade acadêmica do Pará, o momento carrega duplo simbolismo: era véspera do aniversário de 69 anos de fundação da UFPA, celebrada neste dia 2 de julho. 

“Ao homenagearmos esses 20 cientistas, reconhecemos trajetórias de excelência que fortalecem nossa soberania científica e pedagógica. É uma honra destacar nomes que personificam os ideais democráticos e inovadores de Anísio Teixeira”, declarou a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, enfatizando a importância de valorizar trajetórias dedicadas à ciência e à soberania pedagógica. 

O reitor Gilmar, emocionado, salientou que o prêmio valida sua identidade como educador. “Recebi a notícia com profunda emoção e, acima de tudo, com um sentimento de retorno às minhas origens. Embora hoje tenha a honra de estar na gestão da educação superior como reitor da UFPA, meu coração e minha formação mais profunda pertencem à sala de aula da escola pública”, revelou. Para ele, a distinção reforça o papel social da academia. “Ser agraciado na categoria Educação Básica é o reconhecimento de que a universidade não pode se isolar, porque ela deve ser a guardiã e a parceira maior do ensino que se faz na base.” 

Recordando os desafios enfrentados na Amazônia, como o isolamento geográfico e as carências sociais, que moldaram sua visão de que a educação deve ser compreendida como um ciclo único, o reitor Gilmar Pereira pontuou que “Anísio Teixeira defendia que a escola pública é a máquina que constrói a democracia. Minha trajetória é a aplicação prática desse ideal no contexto amazônico. Inclusão e qualidade para mim nunca foram conceitos abstratos: significam lutar para que o filho do ribeirinho, do extrativista, do indígena e do trabalhador urbano tenha acesso a uma alfabetização digna e a um ensino médio que abra horizontes”. 

Apesar de estar à frente da maior universidade da Amazônia, Gilmar Pereira da Silva mantém sua atuação docente diretamente vinculada ao interior do estado. Ele é professor titular lotado no Campus Universitário de Cametá. Sua experiência acumulada no município – onde também já atuou como secretário de Educação – foi determinante para a consolidação de programas de impacto na região, como o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor). 

“Cruzar a fronteira entre a universidade e a escola básica para qualificar quem ensina é, sem dúvida, uma das marcas mais profundas da minha trajetória”, ressaltou Gilmar Pereira, aproveitando a oportunidade para deixar uma mensagem às novas gerações de profissionais da área. “Quero dizer aos que estão chegando: tenham orgulho do chão de escola. A educação básica é o lugar onde a transformação social acontece de forma mais pura e urgente.”

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