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Todo mundo sabe que o tempo é uma ilusão (a hora do almoço é uma ilusão maior ainda!)*. Por exemplo, dezembro é um mês que tem pelo menos umas dez sextas-feiras.  Digo isso com a certeza de alguém que não foi a nenhuma confraternização de fim de ano, que mora longe dos amigos e da família e que tem duas bebês em casa. Mas ontem estava comendo amendoim e tomando vinho, porque afinal, é dezembro. O tempo em dezembro é diferente, verdade-verdadeiríssima. Dezembro é fim e é começo. É plural, é heterogêneo, é do consumo, é da superficialidade, mas também é da crítica e dos recomeços.

No linguajar da arquitetura, dezembro parece descrever o pós-modernismo.  Um termo muito maior do que só a descrição de um estilo historicamente marcando o fim do modernismo. Na arquitetura, a palavra pós-modernismo é também uma atitude. Isso porque é possível fazer arquitetura sem edifícios. Disciplina cultural. Eu prefiro a ideia de pós-modernismo como dominante cultural do que a visão dele como estilo – colorido, tecnológico, maximalista. E se os elementos da pós-modernidade como uma dominante cultural em um espaço global circulam em torno do individuo e do consumo, vale lembrar que toda moeda tem dois lados e o pós-modernismo também pode ser o questionamento das situações insatisfatórias de hoje, projetando o futuro sem recusar a presença do passado! Portanto….ser pós-moderno pode significar a busca por novos modos de enfrentamento à complexidade da nossa cultura [reconhecendo a pluralidade e a heterogeneidade], mas conscientes da necessidade de crítica de nós mesmos enquanto buscamos essas novas alternativas. Igual dezembro, um mês em que fazemos listas e planos para o futuro enquanto olhamos o tempo que passou e fazemos um balanço da situação. Um mês de definir metas e fazer perguntas.

E por falar em perguntas…..Enquanto escrevo esse texto, meu marido entra no quarto e diz que comprou tortilhas e cerveja e vai fazer guacamole pra gente à noite. Essa coluna é escrita às terças-feiras. Mas é dezembro. E em um mês que subverte a lógica do calendário gregoriano e que nos mostra que o tempo é o senhor de todos os destinos, na arquitetura eu tiro o protagonismo do espaço, lembrando que são as perguntas que importam, e pergunto não como, mas… quando?

*trecho do livro O Guia do Mochileiro das Galáxias.

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https://www.archdaily.com.br/br/763435/dez-edificios-que-resumem-o-triunfo-do-pos-modernismo
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Luciana Florenzano
Mãe de gêmeas, arquiteta e urbanista, doutoranda em patrimônio-teoria-crítica, especialista em história da arte, eterna estudante. Gosto de palavras, da arquitetura que é arte e de fazer abordagens transversais. 

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