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Uma ponte musical entre a Amazônia brasileira e a Guiana Francesa ganhou forma concreta com a circulação da Orquestra Jovem Ecos da Amazônia entre Belém e Caiena, reunindo 46 músicos, professores e estudantes em um projeto binacional articulado por instituições públicas de ensino musical, governos e organismos culturais franceses e do Pará. A iniciativa integra oficialmente a Temporada França–Brasil 2025 e resultou em concertos gratuitos realizados no Theatro da Paz, em dezembro, e no Auditório Edmond Antoine-Edouard da ENCRE, em Caiena, em janeiro. 

A formação é fruto de uma parceria entre o Conservatoire de Musique, Danse et Théâtre de Guyane, o Instituto Estadual Carlos Gomes (Fundação Carlos Gomes), a Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA), a Secretaria de Cultura do Pará, a Academia Paraense de Música e organismos franceses de fomento cultural, com apoio institucional da Embaixada da França no Brasil e do Institut Français. 

O intercâmbio ocorreu em duas etapas: inicialmente, estudantes e professores de Caiena estiveram em Belém para os concertos de 3 e 4 de dezembro no Theatro da Paz. Em seguida, o grupo brasileiro seguiu para a Guiana Francesa para as apresentações de 29 e 30 de janeiro. 

O diretor de Ensino da Fundação Carlos Gomes, Robenare Marques, integra a comitiva brasileira e acompanhou de perto a execução do projeto. O projeto, construído em parceria entre o governo francês e o governo do Pará, por meio da Secretaria de Cultura, reune alunos do Conservatório Carlos Gomes e da Escola de Música da Universidade Federal do Pará. Ele destacou que também integra a comitiva o diretor da EMUFPA, professor Celso Gomes, e que todos participam de uma iniciativa que resultou na formação de uma orquestra franco-amazônica.

Robenare observa que o o repertório reúne obras de compositores guianenses e de Belém, citando a presença da compositora e regente parauara Cibelle Jemima Donza no programa, que marca também o protagonismo feminino amazônico no repertório sinfônico contemporâneo. Maestra e compositora com formação nos Estados Unidos, Donza tem trajetória consolidada em importantes orquestras brasileiras e internacionais e atua diretamente na valorização de repertórios do século XX e XXI e da presença feminina em posições de liderança musical. 

O diretor explicou ainda que viajou como representante do Instituto Estadual Carlos Gomes mas, já em Caiena, acabou sendo convidado a ampliar sua participação no intercâmbio. “Na terça-feira vou ministrar uma masterclass de piano solo voltada à música brasileira e à improvisação, além de fazer uma pequena apresentação com os alunos”, contou, ressaltando que a atividade surgiu de maneira espontânea, após conversas com professores de piano do conservatório local.

O programa apresentado revela a espinha dorsal do conceito do projeto: colocar lado a lado repertórios amazônicos, brasileiros, franceses e guianenses, evidenciando pontos de encontro entre tradições sonoras distintas. Entre as obras executadas estiveram Festa do Divino, de Altino Pimenta; Danse Macabre, de Saint-Saëns; A Caipora, da compositora Cibelle Donza; O Trenzinho do Caipira, de Villa-Lobos; além de composições e arranjos de Pierre Thilloy, Denis Lapassion e Fabrice Pierrat, representando a produção contemporânea da Guiana Francesa. O encerramento com Alvorada, de Carlos Gomes, enfatiza o elo simbólico entre tradição erudita brasileira e a proposta do intercâmbio. 

A regência é dividida entre o maestro parauara Miguel Campos Neto, titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e da Orquestra Sinfônica Altino Pimenta da UFPA, e o maestro franco-guianense Franck Bilot, professor do Conservatório de Caiena e referência na integração entre música erudita, jazz e ritmos latino-caribenhos. 

Veja a programação completa e a minibiografia dos destaques musicais do projeto:

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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