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O Movimento Atitude Afro Pará está denunciando ao Ministério Público do Estado do Pará grave atitude de diretora de escola. No sábado dia 13/06/2026, às 17h, na Escola Estadual Brigadeiro Fontenelle, na Rua São Domingos, nº 511, bairro da Terra Firme, em Belém do Pará, crianças da Capoeira e seu arte-educador Mestre Josias Angola, presidente da Escola de Capoeira de Angola Raízes da Mata da Terra Firme, foram lá para realizar uma atividade cultural e educativa na sala que tradicionalmente utilizavam. Contudo, o porteiro da escola informou que, por determinação da nova direção, eles deveriam se retirar do local. As crianças e o educador foram colocados para fora do espaço escolar. Indignados, gravaram um vídeo na rua, denunciando o ocorrido.


“A escola adota o modelo de gestão cívico-militar por meio do SUME, em parceria com a Polícia Militar do Pará. Justamente por isso, deveria garantir acolhimento, inclusão, cultura, diversidade e educação antirracista — não a negação de uma prática afro-brasileira. A Capoeira é patrimônio cultural brasileiro, expressão da resistência negra e instrumento pedagógico. Negar sua presença digna na escola pública é negar às crianças periféricas o acesso à cultura, identidade, disciplina, ancestralidade e pertencimento. A Lei nº 10.639/2003 determina o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas. A Lei nº 11.645/2008 reforça esse dever. O Estatuto da Igualdade Racial — Lei nº 12.288/2010 — prevê o combate à discriminação racial e a valorização da cultura afro-brasileira. Quando uma instituição pública cria obstáculos à presença de manifestações culturais negras é necessário apurar possíveis práticas de racismo institucional. Não aceitaremos retrocesso, truculência ou apagamento cultural”, afirma o Movimento Atitude Afro Pará, que também acionará a Secretaria de Estado de Educação a fim de apurar os fatos e garantir a permanência digna da Capoeira no espaço público educacional.


Por sua vez, a Associação de Capoeira Arte Nossa Popular e- ACANP Salvaterra também se manifestou nas redes sociais: “recebemos com tristeza a notícia envolvendo o Mestre Josias Angola e seus alunos, que tiveram suas atividades interrompidas no espaço onde realizavam seus treinamentos. Manifestamos nossa solidariedade ao mestre, aos alunos e às famílias que encontravam na capoeira um espaço de formação, disciplina, convivência e fortalecimento cultural. A capoeira é mais do que uma prática corporal — ela é patrimônio cultural, instrumento de educação, inclusão social e construção de cidadania. Que situações como essa possam ser conduzidas sempre pelo diálogo, pelo respeito mútuo e pela busca de alternativas que garantam a continuidade das atividades e o direito de acesso à cultura. Desejamos que este momento seja superado com serenidade e que novos caminhos possam ser construídos para que a roda continue girando. Axé, resistência e respeito à capoeira.”


É importante que a governadora Hana Ghassan Tuma determine imediatamente à Seduc o acolhimento de todas as atividades culturais propostas pela comunidade dentro das escolas do Pará.

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