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A Academia Paraense de Letras celebra neste 16 de junho, pelo segundo ano, o “Dia de Alfredo”, instituído no calendário cultural do Pará pela lei municipal de Belém nº 9.164/2015 e lei estadual nº 11.390/2026, como forma de divulgar a obra do romancista, contista, cronista, poeta, jornalista e político Dalcídio Jurandir, gigante da literatura paraense, amazônica e brasileira. Na ocasião haverá o pré-lançamento da nova edição de “Belém do Grão-Pará”, pela Editora Pública Dalcídio Jurandir, da Imprensa Oficial do Estado do Pará. Serão oradores os acadêmicos Salomão Habib e João de Jesus Paes Loureiro, e haverá declamação pela acadêmica Sarah Rodrigues, em sessão conduzida pelo presidente da APL, Ivanildo Alves.


Dalcídio Jurandir nasceu Darcidio José Ramos na Rua Samuel Mac Dowell, bairro do Campinho, em Ponta de Pedras, arquipélago do Marajó, no dia 10 de janeiro de 1909, conforme declaração para o registro civil no Cartório Malato.


O pai era o branco Alfredo Nascimento Pereira, de origem portuguesa, rábula da vila, capitão da Guarda Nacional, e a mãe Margarida Ramos, jovem negra local. No ano seguinte a família se mudou para a vizinha Cachoeira do Arari, onde os pais oficializaram a união e os filhos adotaram o nome paterno, retificando para Dalcídio José Ramos Pereira.


O personagem Alfredo transita em 10 das 11 obras do escritor marajoara. As aventuras de Alfredo, nome do pai de Dalcídio e alter ego nas suas histórias, permeiam a série de romances desde “Chove nos Campos de Cachoeira”, no qual o menino traça planos de morar e estudar na capital, imerso na fantasia do seu caroço de tucumã, ao qual manifesta seus desejos mais íntimos e seus medos mais viscerais.


Coube à APL o protagonismo de ser a primeira entidade cultural a instituir em sua programação o “Dia de Alfredo”, em 2025. O sobrinho de Dalcídio, José Varella Pereira, é o idealizador da efeméride, como forma de propagr a obra do literato que partiu do regional para o universal. A lei municipal, iniciativa do vereador Moa Moraes, foi sancionada pelo então prefeito de Belém Zenaldo Coutinho Jr., membro da Academia Paraense de Letras, mas nunca havia sido efetivada. O projeto da lei estadual é da lavra da deputada Lívia Duarte, e a governadora Hana Ghassan Tuma o sancionou.


Dalcídio Jurandir difundiu ao mundo elementos constitutivos da identidade cultural amazônica, da gente marajoara, dando ênfase ao ser humano, seus medos, angústias, sentimentos e sobrevivência. Publicou onze romances em vida, dez deles no que ficou conhecido como o Ciclo do Extremo-Norte (Chove nos Campos de Cachoeira, Marajó, Três Casas e um Rio, Belém do Grão-Pará, Passagem dos Inocentes, Primeira Manhã, Ponte do Galo, Chão dos Lobos, Os Habitantes e Ribanceira), além de Linha do Parque, publicado também na Rússia.


Premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1972 pelo conjunto da sua obra, foi contemporâneo de Graciliano Ramos, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Wilson Louzada e Rachel de Queiroz, dentre tantos outros que reconheceram o seu imenso talento. Atuou nos principais jornais de circulação regional e nacional em sua época. Integrou a icônica Academia do Peixe Frito, que reunia brilhantes intelectuais parauaras.


A sessão da APL tem acesso livre e gratuito, permitirá debate e começará pontualmente às 19h. Quem ama literatura e o Marajó não pode faltar.


A sede da Academia Paraense de Letras fica na Rua João Diogo, nº 235, bairro da Campina, em Belém do Pará, ao lado do Colégio Estadual Paes de Carvalho.

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