Publicado em: 28 de abril de 2026
Um projeto de extensão da Universidade Federal do Oeste do Pará liderado pela antropóloga e Profa. Dra. Camila Jácome, fruto da feliz parceria entre a Ufopa e povos indígenas da região do rio Trombetas, resultou no Museu Vivo Indígena de Oriximiná, inaugurado ontem, 27. Implantado no território Wayamu, o espaço propõe uma nova forma de pensar a memória, de modo que os saberes tradicionais não são apenas preservados, mas vividos, compartilhados e continuamente recriados no cotidiano das comunidades.
A iniciativa mobilizou mais de 60 pessoas, em sua maioria indígenas, e do processo coletivo surgiu a Umaná, casa tradicional do povo Wai Wai que abriga o museu. A estrutura foi erguida por mestres da arquitetura indígena que usaram materiais naturais coletados de forma sustentável, como folhas de ubim e outras espécies nativas. As mulheres indígenas cuidaram especialmente das etapas de tecelagem da cobertura e acabamento.
O projeto contou com o apoio da associação dos povos da TI Mapuera, presidida pelo antropólogo Roque Wai-Wai, doutorando na Ufopa. Outros egressos da universidade participaram ativamente, consolidando a relação entre formação acadêmica e atuação nos territórios indígenas.
O investimento foi de cerca de R$ 156 mil, aplicados na aquisição de materiais, logística e remuneração das pessoas envolvidas, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que realizou oficinas com as comunidades a fim de definir, a partir de suas próprias perspectivas, o conceito e o formato museológico.
“A construção do museu é fruto de um processo coletivo que começou ainda nas oficinas, quando discutimos o que é um museu a partir da perspectiva dos próprios povos indígenas. Esse espaço nasce dessa escuta e dessa construção conjunta. Chamamos de museu vivo porque não se trata apenas de guardar objetos, mas de manter o conhecimento nas pessoas, nos processos e nas práticas”, comenta a idealizadora do projeto, professora Camila Jácome, cuja parceria de pesquisa com o povo Wai Wai remonta há mais de uma década. “Essa relação começou no doutorado e já soma 16 anos de trabalho conjunto. O museu representa a continuidade desse processo, agora materializado em um espaço que também é resultado de investigação, registro e vivência”.
No Museu Vivo Indígena os saberes são compartilhados de forma dinâmica, envolvendo sons, práticas, histórias e tecnologias tradicionais das diferentes etnias que compõem os territórios Nhamundá-Mapuera e Trombetas.
“Projetos como este evidenciam o papel da universidade pública no diálogo com os territórios e no reconhecimento do protagonismo indígena na produção de conhecimento. O Museu Vivo Indígena contribui para caminhos mais inclusivos e conectados com a realidade amazônica”, festejou a reitora da Ufopa, Profa. Dra. Aldenize Ruela Xavier.
A diretora do Campus Oriximiná, Profa. Dra. Dávia Talgatti, acentuou que “o museu foi construído pelas mãos dos nossos indígenas da região, e é motivo de grande alegria recebê-lo em Oriximiná. Essa parceria fortalece a valorização dos saberes tradicionais e aproxima ainda mais a universidade das comunidades”.
A expectativa de Camila Jácome é ampliar o projeto com novas etapas, entre elas a realização de uma exposição sobre o processo de construção da Umaná e do próprio museu: “Apesar dos avanços, ainda buscamos apoio financeiro e logístico para viabilizar essa fase. Queremos apresentar ao público todo o percurso, da construção da casa ao conceito do museu, e dar continuidade a esse trabalho com novos parceiros”.
Com informações da Ascom Ufopa. Fotos: Tarely Aguiar













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