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Dia 20 de julho é dia de estreia nos cinemas de Belém com a exibição de “Oppenheimer”, dirigido por Christopher Nolan” (O Grande Truque, Batman – O Cavaleiro das Trevas, Interstelar e Dunkirk). 

“Oppenheimer” é uma adaptação para o cinema do livro “American Prometheus: The Triumph and Tragedy of J. Robert Oppenheimer”, de Kai Bird e Martin J. Sherwin.

Falar de “Oppenheimer” é discorrer sobre Christopher Nolan, cineasta que consegue integrar elementos do cinema de arte ao formato de blockbuster, ou seja, realiza a junção de arte e indústria por meio dos gêneros suspense, ficção científica e o filme de super-herói. 

O novo filme de Nolan narra a biografia do pai da bomba atômica (interpretado por Cillian Murphy), que liderou uma equipe de cientistas no projeto Manhattan, programa que desenvolveu a primeira bomba atômica lançada sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945. “Oppenheimer”, também conta com as performances de Robert Downey Jr., Matt Damon e Emily Blunt. 

Nos trabalhos do cineasta é possível observar deslocações temporais por meio da narrativa não-linear. São deslocações que atraem o público e geram filmes que vão além entretenimento para provocar a curiosidade sobre a moralidade humana e a natureza do tempo. 

Em “Amnésia” (2001), o espectador acompanha as memórias de Leonard (Guy Pearce) em ordem cronológica e reversa para encontrar o assassino de sua esposa.

Insomnia (2002) é um ótimo thriller psicológico com Al Pacino, Robin Williams e Hilary Swank, com boas doses do cinema de suspense para temas como culpa e chantagem no formato de filme policial. 

Com a missão de distanciamento da fantasia das histórias em quadrinhos operada por cineastas como Tim Burton e Joel Schumacher, Nolan imprimiu o estilo do drama clássico para acompanhar a origem do herói da DC Comics em “Batman Begins” (2005), com Christian Bale. Em tom de filme noir, o longa explora o medo inicial de morcegos, a morte dos pais e o embate com os vilões Espantalho e Ra’s al Ghul. 

“O Grande Truque” (2006), um dos melhores filmes do cineasta, é uma adaptação do romance de Christopher Priest sobre dois mágicos rivais do século XIX. Obcecados pela superação das técnicas de ilusionismo como forma de poder e vaidade, os protagonistas interpretados por Christian Bale e Hugh Jackman embarcam numa aventura sombria, sem volta. 

O espetacular “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2008), será eternamente lembrado pela interpretação assombrosa do ator Heath Ledger como Coringa, vilão que corrompe a moral dos personagens e desestabiliza a figura de Batman (Christian Bale) como herói de Gotham City. 

O segundo filme da trilogia Batman é rico na abordagem da ação policial e o sistema judiciário. Vale destacar a figura do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), que se transforma posteriormente no vilão Duas Caras.

“A Origem” (2010) é um projeto ambicioso que se passa em ambientes de sonho, disposições labirínticas que se interligam e afetam a realidade em camadas oníricas. O filme centra o foco na invasão de mentes como forma controle, espionagem e relações políticas. Junção perfeita de filme denso com a noção de espetáculo visual, com Leonardo DiCaprio, Cillian Murphy e Tom Hardy. 

Para a conclusão da trilogia Batman, foi lançado em 2012 “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. Para encerrar a tríade, Nolan acrescentou personagens numa história de vigilância em massa, luta de classes, terrorismo e o caos instalado pelo vilão Bane (Tom Hardy). 

“Interestelar” (2014) é um filme que explora as leis da física e do tempo numa história de amor de pai e filha, em que o diretor retorna ao universo da ficção científica e das relações humanas. 

Para narrar temas como o terror, a violência dos conflitos mundiais e o nacionalismo, Nolan realizou o épico de guerra Dunkirk (2017). O filme conta com a trilha sonora climática de Hans Zimmer e tem como base a Operação Dínamo, que resgatou mais de 330 mil homens durante a Segunda Guerra Mundial. 

Há também “Tenet” (2020), que teve lançamento prejudicado por conta da pandemia COVID-19. 

O cinema de Christopher Nolan comprova que é possível agregar o grande público com temáticas éticas e filosóficas, com personagens que enfrentam os desafios do mundo real e do mundo subjetivo. 

José Augusto Pachêco
José Augusto Pachêco é jornalista, crítico de cinema com especialização em Imagem & Sociedade – Estudos sobre Cinema e mestre em Estudos Literários – Cinema e Literatura. Júri do Toró - 1º Festival Audiovisual Universitário de Belém, curadoria do Amazônia Doc e ministrante de palestras e cursos no Sesc Boulevard e Casa das Artes.

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