Os dirigentes do Sindicato e da Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa festejaram o resultado da reunião de hoje com o presidente da Alepa, deputado Chicão, que também convidou para o encontro o Chefe de Gabinete da Presidência, Reginaldo Marques…

A Administração Superior do Ministério Público do Pará está empenhada em fortalecer a atuação dos promotores de justiça no arquipélago do Marajó, onde a situação de extrema pobreza, agravada pela pandemia, perpetua crimes gravíssimos como os abusos e exploração sexual…

“A Prefeitura de Belém, por meio da Comissão de Defesa Civil de Belém, informa que realizou vistoria técnica no bloco B do imóvel localizado na avenida Presidente Vargas, 762, no dia 11 de fevereiro, às 9h, em conjunto com representantes…

DEM e PSL ainda nem consumaram a fusão, prevista para outubro deste ano, mas a briga já é de foice. O ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto duelam nos bastidores pelo comando do novo…

MAESTRO ISOCA, UM GÊNIO CONSAGRADO

É interessante observar que desde a década de 30 do século XX, com pouco mais de 20 anos de idade, Wilson Fonseca já era professor de diversos instrumentos musicais, inclusive Violino.

“Em outubro de 1995 Wilson Fonseca, então com 84 anos de idade, gravou depoimento no Museu da Imagem e do Som, na Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (CENTUR), em Belém (PA), entrevistado por Denis Acatauassú Paes Barreto (Diretor do MIS), Vicente Salles (musicólogo, jornalista e membro da Academia Brasileira de Música), Gilberto Chaves (musicólogo e membro da Academia Paraense de Música), Eliana Cutrim (professora de música, pianista e membro da Academia Paraense de Música), Emanuel Aresti Santana Gonçalves Matos (professor universitário e compositor), José Wilson Malheiros da Fonseca (advogado, compositor e poeta) e Vicente José Malheiros da Fonseca (magistrado trabalhista, professor e compositor), filhos de Isoca, ambos membros da Academia Paraense de Música e da Academia de Letras e Artes de Santarém.

No ano seguinte (1996), realizei uma entrevista com meu pai, aqui parcialmente reproduzida, em que o compositor revela que a sua obra musical sofreu influências da escola alemã, da música norte­-americana, da ária italiana e até do tango argentino”.

Veja este trecho da entrevista que fiz com meu genitor (1996):

“Conheci a Rosilda [minha saudosa mãe] quando ela frequentou a minha casa, onde funcionava a escola de música de meu pai. Um dia ele viajou e eu passei a ministrar aulas de violino, o instrumento que Rosilda aprendia. Foi a música que nos aproximou”.

(Capítulo “Uma entrevista com Wilson Fonseca. A Ópera Amazônica“, no livro “A Vida e a Obra de Wilson Fonseca – Maestro Isoca“, de minha autoria, em homenagem ao centenário de nascimento de meu pai, impresso na Gráfica do Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 2012).

Padre Raul Tavares de Sousa, dirigente da Casa da Juventude (CAJU), em Belém, onde residi quando frequentei o Curso de Direito, da Universidade Federal do Pará (1967-1971), foi outro aluno de Wilson Fonseca, de  Violino.

Também foi aluno de Violino, de Wilson Fonseca, o Sr. Wilson Almeida, que depois se tornou seu colega no Banco do Brasil. Wilson Almeida – que conheci pessoalmente – tocava, com frequência, a “Sonatina n° 1” – Duo para Violino e Piano (Wilson Fonseca), em Santarém.

Para a estreia da “Abertura Sinfônica – Centenário de Santarém“, no Centro Recreativo, em Santarém, no ano de 1948, Wilson Fonseca ensinou o Sr. Lirimar Almeida a tocar Violoncelo. Lirimar Almeida era seu colega do Banco do Brasil, tocava órgão ou harmônio e foi integrante do famoso Coro da Catedral de Santarém, no naipe dos Baixos. Na verdade, papai contava que Lirimar Almeida aprendeu a tocar Violoncelo apenas para a apresentação daquela obra sinfônica, em 1948.

Primeiros estudos e primeiras atividades musicais“, capítulo do livro biográfico que escrevi sobre Wilson Fonseca:

“Em 1922, com dez anos, já tocava ‘ferrinho‘ (triângulo) na Banda de Música “7 de Dezembro”, de seu genitor, com quem estudou vários instrumentos de sopro, contrabaixo de cordas e violino“.

O instrumentista“, capítulo do mesmo livro biográfico sobre Wilson Fonseca:

“Com dez anos de idade, incompletos, tocou triângulo (“ferrinho”) nas comemorações do centenário da Independência do Brasil (1922), na banda de música dirigida por seu pai”.

Na entrevista que fiz com meu pai, em 1996, antes mencionada, transcrita no livro biográfico sobre Wilson Fonseca:

“Que instrumentos o senhor executa ou já executou?

Foram muitos , as vezes dependendo da necessidade. Com 10 anos toquei “ferrinho” (triângulo) na Banda “7 de Dezembro”, de meu pai, nos festejos do centenário da Independência do Brasil. Até hoje toco piano e órgão.

Conheço teoricamente todos os instrumentos de orquestra, daí ter escrito obras orquestrais ou de câmaras para naipes diversos. Mas já executei violino, contrabaixo de cordas, requinta, saxofones alto e tenor, banjo e bateria. O primeiro baterista de Santarém fui eu, quando meu pai precisou equipar melhor o conjunto de jazz. O instrumento era uma novidade, naquela época, embora mais simples do que hoje”.

Eu vi meu pai tocando Contrabaixo de Cordas, além do Piano, Órgão e Sax-Alto.

Foi papai que ensinou o tio Dororó (Wilde Fonseca). seu irmão, a tocar Violino e Contrabaixo de Cordas, instrumento que pertencia ao meu avô paterno José Agostinho da Fonseca e deve estar preservado pela família do tio Dororó, em Santarém. Tio Dororó também tocava Piano e Acordeão, além de ser Maestro de Banda de Música e de Corais. Tio Dororó era Escritor, Historiador, Professor, Cantor (Baixo) e ainda atuou como Ator no Theatro Victória, em Santarém.

A tia Ninita (Maria Annita Fonseca de Campos) era Pianista e Professora de Piano. Tocava na famosa Orquestra Euterpe Jazz (fundada e dirigida por meu avô paterno José Agostinho da Fonseca; depois por meu pai). Tocou Piano no Cine Guanabara, em Santarém, ao tempo do cinema mudo, época em que Wilson Fonseca tocava no Cine Victória. Tia Ninita era proprietária e professora de uma Escola de Datilografia, em Santarém, onde também ministrava aulas de Piano, em sua casa residencial.

O tio Wilmar tocou Clarinete, Flauta e Piano. Era Poeta e Escritor. Morei em sua companhia quando fui estudar no Instituto (Conservatório) Musical “Padre José Maurício”, na década de 60 do século XX, em São Paulo.

A tia Adahyl era excelente Soprano, inclusive como solista, e tocava um pouco de Piano (chegou a me dar eventuais orientações em lições de piano, em Santarém). Ela se  apresentou, como Cantora e Atriz, no Theatro Victória, em Santarém.

No mesmo livro biográfico sobre meu pai, assim escrevi a respeito de meu avô paterno:

“José Agostinho da Fonseca, pai de Wilson Fonseca, nasceu em Manaus (Amazonas), em 14 de novembro de 1886, e faleceu em Santarém (Pará), em 11 de novembro de 1945. Era compositor, maestro e professor.

Estudou no Instituto de Educandos Artífices (atual Instituto Lauro Sodré), em Belém, Pará, Brasil. Também estudou com o Maestro Paulino Chaves (que estudou música na Alemanha), inclusive instrumentos de cordas“.

Creio que estão aí resumidas algumas  explicações que contribuíram para tornar Wilson Fonseca (1912-2002), um dos mais ilustres herdeiros de José Agostinho da Fonseca (1886-1945), Mestre na composição musical e no magistério de música, além de executante de diversos instrumentos, inclusive instrumentos de cordas, percussão, sopros e teclados.

Wilson Fonseca, conhecido como Maestro Isoca, é autor do magnífico livro Meu Baú Mocorongo (6 volumes), editado pelo Governo do Estado do Pará, com quase 2.000 páginas de pesquisas, recordações e reflexões sobre a vida histórica e sociocultural de Santarém e da Amazônia, autêntica enciclopédia sobre a história da “Pérola do Tapajós”.

Ele foi Membro fundador da Academia Paraense de Música (Cadeira nº 24, que tem como Patrono meu avô paterno, José Agostinho da Fonseca, atualmente ocupada por mim) e da Academia Paraense de Letras (Cadeira nº 7).

É Patrono de Cátedras de várias entidades acadêmicas: Cadeira nº 40 da Academia de Letras e Artes de Santarém (ocupada por José Agostinho da Fonseca Neto, meu irmão); Cadeira nº 27 da Academia de Música do Brasil; Cadeira nº 26 da Academia de Musicologia do Brasil; Cadeira nº 101 da Academia de Música do Rio de Janeiro; e Cadeira nº 51 da Academia de Música de São Paulo, todas estas ocupadas, com muita honra, por mim.

Isoca criou extensa e eclética obra musical, do popular ao erudito, reunida em 20 volumes (4 apenas publicados), com mais de 1.600 produções: canto, piano, banda, conjuntos de câmara, sacras e orquestrais, além de arranjos e transcrições.

Compôs o “Hino de Santarém”, “Canção de Minha Saudade”, “Um Poema de Amor”, “Terra Querida”, “Lenda do Boto” e diversas músicas que o imortalizaram, como as inúmeras canções sobre temas amazônicos e folclóricos.

Ele recebeu e continua a receber inúmeras comendas e homenagens.

Era, em suma, Escritor, Pesquisador, Poeta, Pianista, Organista, Saxofonista, Maestro, Compositor, Historiador, Memorialista, Folclorista, Professor, Multi-Instrumentista e muito mais.

Em 2022 transcorrem 110 anos de seu nascimento.

Isoca era realmente um gênio consagrado.

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